segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Morre o intelectual Hélio Jaguaribe


Publicado originalmente no site G1 Rio, em 10/09/2018 

Morre o acadêmico Helio Jaguaribe

Ele foi o nono ocupante da cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Letras. Eleito em 3 de março de 2005, sucedeu o economista Celso Furtado.

Por G1 Rio

Morre o intelectual Hélio Jaguaribe

O acadêmico, jurista, sociólogo e escritor Helio Jaguaribe faleceu na noite deste domingo (9), em sua residência, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla dos órgãos. O corpo de Jaguaribe será velado na Sala dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, a partir das 10h desta quarta-feira (12). O sepultamento está previsto para o mesmo dia, às 15h, no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Cemitério São João Batista, em Botafogo. O acadêmico deixa viúva e cinco filhos.

Nono ocupante da Cadeira nº 11 da ABL, Helio Jaguaribe foi eleito em 3 de março de 2005, na sucessão de Celso Furtado.

"Pare ele, ação e pensamento permanecem indissociáveis, como Darcy Ribeiro e Celso Furtado, que o precederam na cadeira 11. Cientista político de alta erudição e consciência vigilante, deixou obra vasta e criativa. Cito apenas dois títulos: 'A dependência político-econômica da América Latina', verdadeiro clássico na área, e 'Um estudo crítico da história', divisor de águas da interpretação do processo histórico publicado em nosso país. Homem de gestos largos e entusiasmado, Helio continua vivo pelas virtudes de sua obra, saudosa do futuro”, disse o presidente da ABL, Marco Lucchesi.

Trajetória

Helio Jaguaribe de Mattos nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1923, diplomando-se em Direito, em 1946, pela PUC-Rio.

Em 1952, iniciou, com um grupo de jovens cientistas sociais, um projeto de estudos para a reformulação do entendimento da sociedade brasileira, fundando o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (Ibesp), do qual foi secretário-geral e diretor da revista do Instituto, "Cadernos de nosso tempo", de relevante influência no Brasil e na América Latina.

Em 1956, promoveu a constituição do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), uma instituição de altos estudos, do Ministério da Educação e Cultura, no campo das Ciências Sociais, do qual foi designado chefe do Departamento de Ciência Política.

Ele pediu exoneração de ambas as funções em 1959, por discordância com mudanças na orientação dos institutos. Passou, então, alguns anos colaborando, sem vínculos permanentes, com diversas instituições acadêmicas, no Brasil e no exterior.

Em 1964, depois de pública condenação do golpe militar, afastou-se do país e foi lecionar nos Estados Unidos. De 1964 a 1966, ele trabalhou na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967, na Universidade de Stanford; e de 1968 a 1969, no MIT – Massachusets Institute of Tecnology.

Retornando ao Brasil em 1969, Jaguaribe ingressou no Conjunto Universitário Cândido Mendes onde, por alguns anos, foi diretor de Assuntos Internacionais. Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais, em 1979, foi designado decano, função que exerceu até 2003.

Naquela data, completando 80 anos, propôs sua substituição por alguém mais jovem, o professor Francisco Weffort, ex-Ministro da Cultura do Governo Fernando Henrique Cardoso, que foi escolhido para o cargo. Para Jaguaribe foi conferido o título de decano emérito e, nessa função, continuou suas pesquisas.

Por sua contribuição às Ciências Sociais, aos estudos latino-americanos e à análise das Relações Internacionais, recebeu o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, RFA (em 1983); da Universidade Federal da Paraíba (em 1992) e da Universidade de Buenos Aires (em 2001).

Em 1996, foi agraciado, por sua contribuição às Ciências Sociais, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 1999, o Ministério da Cultura conferiu, por sua contribuição ao desenvolvimento cultural do país, a Ordem do Mérito Cultural.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/rj

domingo, 9 de setembro de 2018

A facada em Bolsonaro

FACADA NO ABDÔMEN O presidenciável é carregado
 por correligionários até uma ambulância, 
logo depois de ter sido esfaqueado 
Crédito: Fábio Motta

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Publicado originalmente no site da revista ISTOÉ, em 06/09/18

A facada em Bolsonaro

Um atentado contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), na tarde de quinta-feira, gerou apreensão na corrida eleitoral. Ele levou uma facada no abdômen, atingindo o fígado e a alça intestinal. A democracia também foi atingida

Por Germano Oliveira

Um atentado cometido contra o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, na tarde de quinta-feira 6, em Juiz de Fora (MG), – um ato sem precedentes desde a redemocratização –, pode cristalizar um cenário que vinha se consolidando nas recentes pesquisas eleitorais: sua quase inevitável ascensão ao 2º turno da corrida presidencial. Eram 16h quando o ex-capitão do Exército sentiu o peso do extremismo de uma campanha que partia, como em 2014, para uma densa e perigosa atmosfera alicerçada pelo clima do “nós contra eles”: levou uma facada no abdômen enquanto fazia uma caminhada no centro da cidade mineira. Bolsonaro estava sendo carregado por simpatizantes quando uma pessoa desferiu uma facada na altura da barriga do candidato. O ataque atingiu o candidato, apesar de ele usar um colete a prova de balas. O corte entrou na região abaixo do colete, num local desprotegido. Na própria quinta-feira, o comandante do Exército, general Villas Boas, convocou uma reunião emergencial do Alto Comando, que reúne 16 generais quatro estrelas, para tratar do tema.

O presidenciável estava no meio de uma enorme multidão e seus simpatizantes perceberam o momento do ataque, em que o candidato começou a sangrar. Bolsonaro foi imediatamente levado para a Santa Casa de Juiz de Fora e a primeira informação era de que não havia sido nada grave e que teria levado seis pontos no abdômen. Num segundo momento, no entanto, veio a confirmação de que o corte atingiu o fígado e a alça intestinal. A lesão hepática o levou a ser submetido a uma cirurgia de urgência. Por volta das 18h, as informações do corpo médico davam conta de que o estado de Bolsonaro era instável e muito grave – o sangramento abdominal não havia cessado.

O agressor foi preso ainda no meio da multidão. Trata-se de Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, morador na cidade de Montes Claros. Ele justificou o ato alegando que foi “uma ordem de Deus”. Em sua página no Facebook, Adélio, que foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014, apresenta posts com dizeres “Lula livre” e “Fora Temer”. Ou seja, tudo indica que o pano de fundo do crime possa ter sido mesmo a disputa eleitoral. A investigação sobre o atentado deve ser assumida pela Polícia Federal, já que o candidato, por ser parlamentar, tinha sua segurança pessoal sendo feita por policiais da PF. Os demais candidatos ao Planalto repudiaram o atentado. A Ordem dos Advogados do Brasil emitiu nota dizendo que “a democracia não comporta esse tipo de situação”. “A realização das eleições em ambiente saudável depende da serenidade das instituições e militantes políticos. O processo eleitoral não pode ser usado para enfraquecer a democracia. Neste momento, cabe a reflexão a respeito do momento marcado por extremismos, por discursos de ódio e apologia à violência. Tudo isso apenas estimula mais violência, numa situação que prejudica a todos”, disse a OAB.

O atentado acontece um dia depois do Ibope ter divulgado pesquisa em que Bolsonaro aparece liderando com folga as pesquisas de intenção de votos, com 22%, mas com rejeição em alta (44%) – perdia para todos no 2º turno, à exceção de Fernando Haddad, do PT. Nessa mesma pesquisa, o segundo lugar estava sendo disputado pelo candidato do PDT Ciro Gomes, com 12%, por Marina Silva (Rede), também com 12% e por Geraldo Alckmin (PSDB), que subiu de 7% para 9%. Os três em empate técnico.

“É intolerável o que tem havido na sociedade brasileira. É intolerável que as pessoas falseiem dados durante campanha eleitoral. É intolerável que, vivendo num estado democrático de direito, não haja possibilidade de uma campanha tranquila” (Michel Temer Presidente da República)

O atentando desta quinta-feira, segundo cientistas políticos, pode reverter a curva ascendente de rejeição, – incapaz de tirá-lo do segundo turno, mas o suficiente para ser derrotado por quase todos na etapa final do pleito, – ao transformar o candidato do PSL, acusado por adversários políticos de disseminar o ódio na campanha, em vitima do processo eleitoral. Sobretudo pelo fato de que o agressor assumir um claro viés de esquerda, espectro político combatido por Bolsonaro. Se já não bastasse o fato de o candidato do PSL liderar as pesquisas com alguma folga sobre os demais, a polarização, na atual circunstância política, tende a beneficiá-lo. Várias mobilizações foram organizadas pelo País em solidariedade ao candidato do PSL. Para dar a exata medida do clima que pode ser instaurado na campanha de agora em diante, o presidente do partido do presidenciável, advogado Gustavo Bebianno, que acompanhava Jair Bolsonaro na Santa Casa de Misericórdia, disse sem rodeios que “a guerra está declarada”. Ele disse que chegou a avisou Bolsonaro a não participar da caminhada, pois havia recebido informações da PF de que grupos opositores se preparavam para um confronto. “Falei ‘não vamos’. Tem informes da PF que ia ter um pessoal para confrontar. Além disso, é um lugar cheio de prédios, favorável para arremessarem coisas. Mas ele quis ir para a multidão.”, afirmou Bebianno. Independentemente de preferências e colorações partidárias, o ataque a Bolsonaro, assim como o recente assassinato de Marielle Franco, no Rio, constitui uma afronta à democracia representativa. Sem espaço para relativizações. É o retrato mais bem acabado da barbárie em que vivemos.

Um militante do PSOL

Adelio de Oliveira já militou no PT, faz campanha para Dilma Rousseff ao Senado e é obcecado por sociedades secretas e pela maçonaria, apresentando um discurso confuso e um tanto paranóico em redes sociais

O autor da facada em Jair Bolsonaro foi identificado pela Polícia Militar como Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, morador de Montes Clarinhos (MG). Após ser levado à delegacia, ele confessou o crime. Na internet, ele se revela um ferrenho opositor de Bolsonaro e aliados, como o ator Alexandre Frota. Ele também ataca nas mídias sociais a chapa de Geraldo Alckmin, chamando a vice do candidato (Ana Amélia) de “ladra de projetos”. Na sua conta do Facebook há muitas palavras de ordem como “Lula livre” e “Fora Temer”. Outro assunto que interessa muito a Oliveira é a maçonaria. Em diversas postagens ele fala de sociedades secretas, dos “illuminati” e da chegada do anti-cristo. Oliveira nasceu em Montes Claros e é formado em Pedagogia pela Universidade Federal de Viçosa. Atualmente é militante do PSOL, mas já militou pelo PT e trabalha na campanha de Dilma Rousseff, em Juiz de Fora. Seu perfil no Facebook já tinha recebido diversas ameaças de apoiadores de Bolsonaro.

Cirurgia de emergência

Bolsonaro entrou na emergência da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Minas Gerais, às 15h40 desta quinta-feira 6. Às 18h20 foi anunciado que ele não corria risco de vida. O candidato passou por um exame de ultrassom e foi para o centro cirúrgico. De acordo com uma entrevista rápida de um porta-voz da instituição, ele sofreu “uma lesão por material perfurocortante na região do abdome”. Apesar de as imagens do resgate de Bolsonaro não mostrarem grandes sangramentos, ele apresentou uma séria queda de pressão arterial, que atingiu 8×3, indicando perda de sangue. A suspeita era de ferimentos no fígado e na alça intestinal, que podem provocar graves hemorragias internas. O procedimento inicial pela qual Bolsonaro passou é chamado de laparotomia exploratória, que consiste em abrir o abdome em busca de lesões. Nas imagens do momento do atentado, é possível ver que a vítima foi atingida enquanto era carregada nos ombros de um correligionário. De acordo com outra imagem divulgada pela Política Militar de Juiz de Fora, a arma utilizada foi uma faca de cozinha para corte de carne. O utensílio foi apreendido para perícia.

Texto e imagens reproduzidos do site: istoe.com.br

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

07 de Setembro – Dia da Independência do Brasil



07 de Setembro – Dia da Independência do Brasil

O Dia da Independência do Brasil é celebrado em 07 de setembro, dado que foi nesse dia em que, às margens do rio Ipiranga, D. Pedro tornou o país independente.

A Independência do Brasil é celebrada em todo dia 07 de setembro. Essa comemoração acontece desde a época do Primeiro Império, que, a cada ano, rememorava a ocasião em que o país se tornou independente de Portugal no ano de 1822. O processo de independência do Brasil teve como principais atores históricos, além do príncipe regente D. Pedro (que se tornou o imperador D. Pedro I), alguns representantes da elite interessada na ruptura entre Brasil e Portugal. Entre esses representantes, encontrava-se aquele que também se tornou um dos maiores articuladores do Império, José Bonifácio de Andrada e Silva.

De certa forma, a possibilidade de um “Brasil independente” remonta à época da vinda da família real para o Brasil em 1808, acontecimento que inaugurou em nosso país o chamado Período Joanino. D. João VI veio com sua corte para o Brasil por ter se recusado a ser conivente com a política do Bloqueio Continental, imposta por Napoleão Bonaparte contra o Reino Unido. Como Portugal possuía importantes acordos econômicos com os ingleses, D. João VI achou por bem desobedecer às ordens do imperador francês e abandonar a Península Ibérica, sendo escoltado por navios ingleses até a costa brasileira.

Nessa época, o Brasil foi alçado à condição de Reino Unido, junto a Portugal e Algarves, deixando assim a condição de ser colônia. Muitas das ações empreendidas por D. João VI no Brasil durante o período em que aqui esteve (1808-1821) colaboraram para que o país ganhasse uma relevância que ainda não possuía. Essa relevância tinha dimensões econômicas, políticas e culturais. Entretanto, nos anos que seguiram após o fim da Era Napoleônica (1799-1815), Portugal passou por intensas turbulências políticas. Essa situação exigiu a volta do rei D. João VI com sua corte em 1821.

O rei português deixou no Brasil como seu representante D. Pedro, seu filho, que recebeu o título de príncipe regente. Durante o ano de 1821 e até os primeiros dias do mês de setembro de 1822, as turbulências políticas de Portugal fizeram-se refletir também no Brasil. As assembleias que ocorriam em Lisboa (que contavam também com representantes brasileiros) ganhavam pautas que defendiam o retorno de Portugal como o centro político do referido Reino Unido e, por consequência, a submissão do Brasil à sua posição.

Ao mesmo tempo, em terras brasileiras, o príncipe regente, orientado por representantes das elites políticas locais, promovia uma série de reformas que desagradavam as elites lusitanas. As ações de D. Pedro mobilizaram a corte portuguesa a pedir a sua volta imediata para Portugal no início de 1822. D. Pedro recusou-se a abandonar o Brasil e, em 09 de janeiro, optou pela sua permanência no país. Esse dia ficou conhecido como Dia do Fico.

As indisposições entre Portugal e Brasil continuaram ao longo do primeiro semestre de 1822. Esse período de intensas discussões e propostas direcionadas à efetivação da independência foi exaustivamente estudado por muitos historiadores, tanto portugueses quanto brasileiros. No Brasil, destacam-se os nomes de Oliveira Lima e Nelson Werneck Sodré. No mês de setembro, as cortes portuguesas deram um ultimato para D. Pedro voltar para Portugal, sob ameaça de ataque militar. O príncipe que estava em viagem ao estado de São Paulo recebeu a notícia e, antecipando uma decisão que já estava quase nas “vias de fato”, declarou o país independente às margens do rio Ipiranga, no dia 07. Esse gesto implicaria a futura organização do país enquanto nação e enquanto império, um projeto que não era fácil de ser conduzido, como acentua o historiador Boris Fausto:

“Alcançado em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, dom Pedro proferiu o chamado Grito do Ipiranga, formalizando a Independência do Brasil. Em 1° de dezembro, como apenas 24 anos, o príncipe, regente era coroado Imperador, recebendo o título de dom Pedro I. O Brasil se tornava independente, com a manutenção da forma monárquica de governo. Mais ainda, o novo país teria no trono um rei português. Este último fato criava uma situação estranha, porque uma figura originária da Metrópole assumia o comando do país. Em todo de dom Pedro I e da questão de sua permanência no trono muitas disputas iriam ocorrer, nos anos seguintes.” [1]

NOTAS
[1] FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013. p 116.
Por Me. Cláudio Fernandes
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
FERNANDES, Cláudio.    "07 de Setembro – Dia da Independência do Brasil"; Brasil Escola. Disponível em . Acesso em 07 de setembro de 2018.

Texto reproduzido do site: brasilescola.uol.com.br

terça-feira, 31 de julho de 2018

Jurista Hélio Bicudo morre aos 96 anos em SP

Jurista Hélio Bicudo, autor de requerimento de 
impeachment de Dilma (Foto: J. F. Diorio/Estadão Conteúdo)

Publicado originalmente no site G1/SP., em 31/07/2018

Jurista Hélio Bicudo morre aos 96 anos em SP

Ele foi um filiado histórico do PT, mas deixou o partido e foi um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Por G1 SP, São Paulo

O jurista e político Hélio Bicudo, de 96 anos, morreu na manhã desta terça-feira (31) em sua casa, nos Jardins, em São Paulo. Os locais do velório e do enterro ainda não foram divulgados.

Segundo o advogado Thiago Nunes, amigo de Bicudo, ele morreu por volta das 10h30 em decorrência de vários problemas de saúde, inclusive cardíaco. Ele tinha sete filhos, sendo quatro homens e três mulheres. A mulher, Déa, faleceu em março deste ano.

Bicudo nasceu em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, foi aluno da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na turma de 1946, e ex-integrante do Partido dos Trabalhadores (PT).

Ele foi um dos autores do pedido de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados em 2015.

Ativista dos Direitos Humanos, ficou conhecido por condenar integrantes do Esquadrão da Morte, grupo de extermínio formado por policiais que agia em São Paulo nos anos 70, época em que era promotor.

"Não houve um confronto, houve um processo de eliminação, de execução por parte da polícia", contou Bicudo em entrevista.

Posteriormente, o jurista atuou como procurador de Justiça do Estado de São Paulo. Ele particiou da luta pela redemocratização do Brasil e atuou na campanha "Diretas Já".

Em 1986, Bicudo se filiou ao PT e foi candidato ao Senado. Ele foi secretário de Negócios Jurídicos do município de São Paulo na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina entre 1989 e 1990, quando se elegeu deputado federal pelo PT.

Em 2000, foi empossado presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com sede em Washington, nos Estados Unidos. Entre 2001 e 2004, foi vice-prefeito de São Paulo durante a gestão da petista Marta Suplicy. Em 2005, Bicudo deixou o PT, em meio a crise do mensalão.

Ele deixa sete filhos, netos e bisnetos. Bicudo estava viúvo desde março, data em que sua mulher Déa faleceu.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/sp

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Decisão de soltar Lula provoca impasse jurídico


Publicado originalmente no site do Cinform, em 08/07/2018

Decisão de soltar Lula provoca impasse jurídico

Por Luiza Damé e Camila Boehm
Repórteres da Agência Brasil - Brasília e São Paulo

Após mais de nove horas de impasse no Judiciário, o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, manteve a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, colocando fim ao confronto de decisões dos desembargadores Rogério Favreto e João Pedro Gebran Neto. O conflito de competência envolvendo o TRF chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, disse que a Justiça precisa decidir com rapidez, mas “sem quebra da hierarquia” e mantendo “o rigor absoluto no cumprimento das normas vigentes”.

Em seu despacho, Thompson Flores afirmou que os argumentos usados no pedido de habeas corpus a favor do ex-presidente são os mesmos já submetidos e analisados pela 8ª Turma do TRF, inclusive o fato de Lula ser pré-candidato à Presidência da República. Segundo ele, “rigorosamente, a notícia da pré-candidatura eleitoral (de Lula) é fato público/notório do qual já se tinha notícia” no julgamento da 8ª Turma. O presidente do TRF foi provocado pelo Ministério Público Federal, que argumentou que a situação gerava insegurança jurídica.

Na decisão, Thompson deixou claro que Favreto, como plantonista do TRF, não tinha competência para liberar o ex-presidente. Ao revogar a decisão de Favreto, o presidente do TRF mandou devolver os autos do processo ao gabinete de Gebran Neto, bem como informar a Polícia Federal de seu despacho.

Conflito

O conflito juírico começou na manhã de hoje. Pouco antes das 10h, Favreto acatou pedido de habeas corpus impetrado pelos deputados federais Paulo Teixeira (PT-SP), Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Pimenta (PT-RS), mandando soltar o ex-presidente Lula, preso desde abril, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, condenado na ação penal do triplex do Guarujá (SP). Em seguida, emitiu o alvará de soltura do ex-presidente, para que a medida fosse cumprida pela Polícia Federal no próprio domingo.

O juiz Sérgio Moro, titular da Lava Jato, ao tomar conhecimento da decisão, mesmo estando de recesso, disse que Favreto não tinha competência para liberar Lula e pediu a manifestação do relator da Lava Jato em segunda instância, Gebran Neto. Contrariando Favreto, o relator suspendeu a decisão que determinou a liberdade provisória do ex-presidente e determinou que a Polícia Federal do Paraná, onde Lula está preso, não tomasse nenhuma providência para soltá-lo.

Em novo despacho, Favreto reiterou a decisão anterior, mandando liberar o ex-presidente e dando prazo de uma hora para o cumprimento da medida. Segundo ele, o alvará de soltura estava de posse da Polícia Federal desde as 10h. Sem saber qual decisão seguir, a Polícia Federal decidiu aguardar.

Interpretação

A interpretação do imbroglio não é consensual no meio jurídico. Especialistas disseram à Agência Brasil que a resolução 71, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não permite a revisão decisões apreciadas pelo órgão judicial de origem e, portanto, o desembargador plantonista não teria competência para julgar o pedido de soltura, pois o TRF, o Superior Tribunal de Justiça e o STF já haviam decidido sobre a questão.

Consultado pela Agência Brasil, o ex-presidente do STF Carlos Velloso disse que Gebran Neto era o desembargador competente para julgar o pedido de habeas corpus. “Prevalece a decisão do juiz natural da questão, o desembargador relator, que reassumiu as suas funções”, afirmou.

“Não existe outra jurisdição hoje apta a proferir qualquer decisão no caso, se não o plantão judicial, é assim que está publicado no Diário Oficial da Justiça Federal, nomeando o Favreto como plantonista. Toda atuação que foge a essa jurisdição do plantão é uma atuação extraordinária, é uma atuação de exceção, como vem sendo infelizmente observado pela sociedade brasileira em tempos de expansão desse protagonismo político da Justiça”,  avaliou o doutor em Direito e professor da Universidade de Brasília, Antonio Escrivão Filho.

Ele explicou que, encerrado o plantão judicial, o plantonista envia o processo para a jurisdição competente. Neste caso, o processo de Lula está sob jurisdição do desembargador Gebran Neto, que é o relator, e a liberdade provisória seguiria para apreciação pela 8ª turma do TRF4, da qual ele faz parte. O professor explicou que o desembargador Gebran, assim como o juiz Sérgio Moro, apareceram no processo sem serem provocados dentro do procedimento normal da Justiça.

“Ele [Gebran] teria esse poder [de suspender a liberdade provisória] quando ele voltasse a trabalhar, porque o processo tem que seguir um rito previsto na lei processual e, quando encerrado o plantão judicial, o processo seria remetido então ao relator ao longo da semana”.

Texto e imagem reproduzidos do site: cinform.com.br

Presidente do TRF-4 decide que Lula deve continuar preso

UESLEI MARCELINO/REUTERS
Lula deve continuar preso, decide o presidente do 
TRF-4,  Thompson Flores.

FRANKLIN DE FREITAS/AFP/GETTY IMAGES
Militantes fazem ato em frente à sede da PF em Curitiba, 
onde Lula está preso, neste domingo (8).

Publicado originalmente no site Huffpost Brasil, em 08/07/2018

Presidente do TRF-4 decide que Lula deve continuar preso

Thompson Flores manteve decisão de Gebran Neto, relator da Lava Jato no TRF-4, e suspendeu ordem do plantonista Rogério Favreto.

By Débora Melo

O presidente do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), desembargador Thompson Flores, decidiu que a palavra final sobre a soltura de Luiz Inácio Lula da Silva não será do desembargador plantonista Rogério Favreto, e o ex-presidente não será solto neste domingo (8).

Flores entendeu que a competência é do relator da Operação Lava Jato no TRF-4, desembargador João Pedro Gebran Neto, que mais cedo suspendeu a ordem de soltura expedida inicialmente por Favreto. O plantonista, porém, insistiu que Lula deveria ser solto e emitiu nova ordem, agora derrubada por Flores.

"Determino o retorno dos autos ao gabinete do desembargador federal João Pedro Gebran Neto, bem como a manutenção da decisão por ele proferida", decidiu Flores.

O presidente do TRF-4 disse que a ordem de soltura não poderia ter sido tomada por um juiz de plantão, que não teria o poder de revisar a decisão de um colegiado.

"Nesses termos, o eminente desembargador plantonista não detém competência para a análise do pedido de habeas corpus", escreveu.

Em janeiro, a 8ª Turma do TRF-4 manteve a condenação de Lula no caso do tríplex em Guarujá (SP) e aumentou a pena para 12 anos e 1 mês de prisão. O ex-presidente nega que tenha recebido o imóvel como propina e se diz preso político.

Eleições 2018

Ao acatar o pedido de habeas corpus, o desembargador Favreto considerou como fato novo a "condição de pré-candidato" de Lula nas eleições 2018. Preso desde o dia 7 de abril na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente figura como líder nas pesquisas de intenção de voto para o Planalto.

Flores rebateu o argumento de que a pré-candidatura do petista seja fato novo e afirmou que os fundamentos apresentados no habeas corpus não diferem de outros pedidos já apresentados pela defesa e analisados pela Justiça.

"Rigorosamente, a notícia da pré-candidatura eleitoral do paciente é fato público e notório", argumentou o presidente do TRF-4.

"Intromissão arbitrária"
A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, criticou a decisão de Flores.

"É uma intromissão arbitrária do presidente de um tribunal regional, que fez com que uma decisão judicial fosse descumprida", disse Gleisi na noite deste domingo, em ato de apoio a Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).

A senadora também fez críticas à atuação da Polícia Federal.

"[Houve] conivência da Polícia Federal, um órgão executivo. Essa conivência é uma barbaridade. Uma conivência para adiar sucessivamente a decisão de soltura do presidente, para dar tempo às manobras administrativas", afirmou.

Além do ato em São Bernardo do Campo, o domingo foi marcado por uma vigília de petistas em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba.

Texto e imagens reproduzidos do site: huffpostbrasil.com

terça-feira, 12 de junho de 2018

Reunião histórica entre Kim e Trump

Trump e Kim apertam as mãos em encontro histórico 
em Singapura (Foto: Reprodução) 

O presidente dos EUA, Donald Trump, 
gesticula ao falar com jornalistas ao lado do 
líder da Coreia do Sul, Kim Jong-Un, no Capella Hotel,
na ilha de Sentosa, em Singapura, na terça-feira (12)
Foto: Anthony Wallace/Pool via Reuters

Kim Jong-Un e Donald Trump se cumprimentam 
durante reunião ao lado de assessores, 
em Singapura, na terça-feira (12) 
Foto: Kevin Lim/The Straits Times via AP


Publicado originalmente no site G1 Globo, em 11/06/2018

Kim Jong-Un diz que 'mundo verá grande mudança' após encontro com Trump em Singapura

Esta é a primeira vez que líderes dos EUA e Coreia do Norte se reúnem. Acordo com quatro itens foi assinado e Trump disse que 'certamente' convidará Kim para uma visita à Casa Branca.

Coreia do Norte e Estados Unidos decidiram deixar o passado para trás e "o mundo verá uma grande mudança", segundo o líder norte-coreano Kim Jong-Un, que nesta terça-feira (12) assinou uma declaração ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump.

Em um dos quatro itens do documento, Kim se compromete a trabalhar pela desnuclearização completa da península coreana, reafirmando o que foi determinado pela Declaração de Panmunjon, assinada em 27 de abril de 2018 pelas duas Coreias.

O conteúdo do documento foi considerado "bastante completo" por Trump, que diz ter estabelecido uma ligação especial após a assinatura. O presidente americano disse, inclusive, que irá "certamente" convidar Kim a visitar a Casa Branca.

"Aprendi que ele é um homem muito talentoso que ama muito seu país. É um negociador de valor, que negocia em benefício de seu povo", elogiou.

O documento assinado por Trump e Kim consiste em quatro pontos:

EUA e Coreia do Norte se comprometem a estabelecer relações de acordo com o desejo de seus povos pela paz e prosperidade;

Os dois países irão unir seus esforços para construir um regime de paz estável e duradouro na Península Coreana;

Reafirmando a Declaração de Panmunjon, de 27 de abril de 2018, a Coreia do Norte se compromete a trabalhar em direção à completa desnuclearização da Península Coreana

Os EUA e a Coreia do Norte se comprometem a recuperar os restos mortais de prisioneiros de guerra, incluindo a imediata repatriação daqueles já identificados.

Encontro inédito

Pela primeira vez na história, líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte se encontraram pessoalmente para tentar chegar a um consenso sobre o desmonte do programa nuclear e balístico da fechada ditadura comunista, em troca de alívio econômico para o país hoje afetado por duras sanções. O esperado e histórico encontro de Donald Trump e Kim Jong-un aconteceu na manhã de terça-feira (12, horário local), em Singapura.

Os dois tiveram um primeiro encontro privado e depois promoveram uma reunião ao lado de seus assessores. Em seguida, participaram de um almoço ao lado de suas respectivas comitivas.

Após este evento, os dois líderes caminharam juntos e Trump, em uma breve declaração a jornalistas, disse que o encontro estava sendo "melhor do que qualquer um poderia esperar". Em seguida, ele mostrou seu carro ao norte-coreano e manteve o que pareceu ser uma conversa amistosa durante alguns minutos, antes de os dois se separarem e seguirem em direções opostas.

O local do encontro foi o luxuoso hotel Capella, na ilha de Sentosa, famosa por suas praias turísticas e seus campos de golfe espetaculares. Singapura designou partes de sua região central como uma "zona especial", onde os procedimentos de segurança estão mais rigorosos. O espaço aéreo sobre a rica cidade-Estado está temporariamente restrito durante partes dos dias 11, 12 e 13 de junho.

Quando se sentou ao lado de Kim, Trump disse ter esperança de que a cúpula seria "tremendamente bem-sucedida". "Teremos um ótimo relacionamento pela frente", acrescentou. O ditador norte-coreano disse em seguida que havia enfrentado uma série de "obstáculos" para o encontro. "Nós superamos todos eles e estamos aqui hoje", disse a repórteres, por meio de um tradutor.

A reunião teve como tema o fim do programa de armas nucleares e balísticas da Coreia do Norte, cujas ambições têm sido uma fonte de tensão há décadas. Além do encontro de Trump e Kim, estavam previstas diversas reuniões entre representantes dos dois países ao longo de cinco dias.

Os EUA, temendo o desenvolvimento de mísseis nucleares que poderiam atingir o país, pedem a desnuclearização "completa, verificável e irreversível" da Coreia do Norte. Como resultado, a Coreia do Norte pode comprometer-se a apresentar um relatório sobre o atual arsenal e permitir uma verificação internacional completa.

De sua parte, Kim Jong-un parece tentar salvar a economia norte-coreana que vem sofrendo o impacto das sanções impostas pelos EUA e pela ONU. Ele disse que deseja "avançar para uma desnuclearização da península coreana", mas por meio de um processo "passo a passo", com garantias de segurança e incentivos diplomáticos e econômicos.

Antes do diálogo, provocações

O inédito encontro entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte ocorre, paradoxalmente, poucos meses depois do acirramento das tensões entre os dois países.

Somente em 2017, primeiro ano de Trump na Casa Branca, os norte-coreanos lançaram 23 mísseis. Em um deles, em novembro, a Coreia do Norte anunciou ter testado um projétil capaz de alcançar "todo o território dos Estados Unidos", segundo a emissora de TV estatal KCTV.

Em resposta, Trump anunciou sanções contra 56 empresas da Coreia do Norte, que, segundo ele, significavam "as mais importantes" já impostas a Pyongyang.

Trump também usou o Twitter para rebater as ações e os discursos de Kim Jong-un. Após o ditador da Coreia do Norte dizer que tem sempre à mesa um botão nuclear, o presidente dos Estados Unidos rebateu: "Eu também tenho um botão nuclear, mas é um muito maior e mais poderoso que o dele. E o meu botão funciona!"

Tensões se dissiparam

A tentativa de aproximação entre as coreias do Sul e do Norte — aquecida, inclusive, pela união dos dois países na abertura da Olimpíada de Inverno — levou, em abril, os líderes das nações separadas a um encontro histórico em que ambos os lados discutiram a desnuclearização da península.

Enquanto ocorriam as negociações para o encontro coreano. Trump surpreendeu ao dizer que Kim Jong-un o havia convidado para reunião — e que ele havia aceitado o convite.

Trump, que não participou do anúncio, comentou no Twitter. "Kim Jong Un falou sobre a desnuclearização com os representantes sul-coreanos, não apenas um congelamento. Além disso, nenhum teste de mísseis pela Coreia do Norte durante esse período. Grandes progressos estão sendo feitos, mas as sanções permanecerão até que um acordo seja alcançado. Reunião sendo planejada!", escreveu.

Pouco tempo depois, o então diretor da CIA e atual secretário de Estado americano, Mike Pompeo, viajou para a Coreia do Norte, onde teve um encontro secreto com Kim Jong-un, mostrando um avanço nas relações entre os dois países. Ele voltou de lá com três americanos que tinham sido detidos por Pyongyang por suspeita de atividades anti-estatais.

Na carta divulgada nesta quinta, Trump agradece pela libertação dos americanos: "Quero agradecê-lo pela libertação dos detidos que agora estão em casa com suas famílias. Aquele foi um bonito gesto e foi muito apreciado", afirma o presidente na carta.

Encontro quase não ocorreu

Porém, em maio, a Coreia do Norte suspendeu as conversações de alto nível com a Coreia do Sul, citando como motivo exercícios militares conjuntos de Seul com os EUA. O governo norte-coreano vê os exercícios como um treino de invasão do seu território e uma provocação em meio à melhora de relações entre as duas Coreias.

O regime de Kim Jong-un já tinha colocado em dúvida realização da cúpula prevista com Trump. E, em 21 de maio, Trump disse que o encontro histórico poderia atrasar ou não acontecer caso certas condições não sejam cumpridas - embora não tenha explicados que condições seriam estas.

Trump, então, chegou a cancelar a reunião. "Estava muito ansioso para me encontrar com você", disse o presidente dos Estados Unidos em uma carta dirigida ao líder norte-coreano, que foi divulgada pela Casa Branca.

"Infelizmente, com base na enorme raiva e hostilidade aberta exibida em sua declaração mais recente, sinto que é inadequado, neste momento, ter essa reunião planejada há muito tempo", afirmou.

A pressão dos Estados Unidos surtiu efeito. Menos de duas semanas depois de cancelar o encontro, Trump voltou a confirmar a reunião para 12 de junho, em Singapura. O anúncio ocorreu após uma reunião entre o republicano e o braço-direito de Kim Jong-un, Kim Yong-chol, na residência oficial americana.

"Acho que provavelmente será um processo muito bem-sucedido", afirmou Trump após remarcar a reunião.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com

sábado, 26 de maio de 2018

Fúria sobre rodas

Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Publicado originalmente no site da revista ISTOÉ, em 25 de maio de 2018

Fúria sobre rodas
Por Carlos José Marques (Diretor editorial da Editora Três)

Um misto de chantagem, oportunismo e falta de responsabilidade jogou o País no imponderável caos. Na boleia dos caminhões que travaram as estradas Brasil afora um retrato dramático de quão frágil ainda segue a nossa economia. Com o Governo acuado, nas cordas, refém de um Congresso venal e a bordo de claras ambições eleitoreiras, havia muito pouco a fazer. E o mergulho profundo numa espiral de anarquia e confrontos de rua pareceu inevitável. O retrato desse descalabro foi mostrado ao vivo, todos os dias. Produtores de laticínios e frigoríficos jogavam fora, por incapacidade de escoar, milhões de litros e toneladas de mercadoria. Os bloqueios infernizavam a rotina nacional. Nem vans levando oxigênio de uso hospitalar passavam. Postos abarrotados de carros à espera de abastecimento. Aeroportos no limite do colapso aéreo. Ameaças de escassez de suprimentos básicos em supermercados, armazéns e farmácias. Sobre preços e ágios de toda natureza. A bagunça virou tônica. O Brasil experimentou dias de Venezuela. Não poderia ser diferente em um país onde 70% dos fornecimentos dependem do transporte rodoviário. É de certa forma inaceitável assistir a uma nação inteira refém de uma categoria. 

É também inconcebível que um cartel de distribuidoras – os reais articuladores por trás da paralisação – queira impor sua vontade, arrancando vantagens setoriais às custas do sacrifício da população. De outro lado, a política de reajustes dos combustíveis seguindo a variação do dólar, como ocorre em boa parte dos mercados mundo afora, carrega aqui um componente de injustiça. Cerca de 80% do consumo interno é atendido via produção local e a paridade com a moeda americana não deveria, por isso mesmo, servir de referência essencial. Nessa toada, o valor do diesel, para ficar no caso mais emblemático, cresceu cerca de 50% no ano, diante de uma inflação irrisória, praticamente inviabilizando a atividade de frete. O alerta sobre o perigo da situação foi feito diversas vezes e de maneira antecipada, sem que respostas eficazes e soluções saíssem. Apenas diante da desordem instalada autoridades trataram de dar agilidade às discussões. Faltou diálogo, faltaram planejamento e negociação. Restou o confronto. 

No ringue do combate o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez as vezes de imperador que decreta de quem é a razão. Tratou de agir como dono do espetáculo. Mostrou cara feia e falou grosso. Parecia se deleitar com os devaneios do poder. Tal qual um César, de início somente admitiu discutir e avaliar os impostos em uma semana. Ou os grevistas aceitavam o prazo ou nada feito. Jogou literalmente querosene no fogaréu. Os articuladores reforçaram as trincheiras. Em 23 estados e no Distrito Federal quilômetros de fila eram formados por um comboio desgovernado, em perigoso protesto. Tiros, pneus furados ou queimados, paravam os motoristas à força. Diante do estrangulamento da malha rodoviária e da iminência do desastre, Maia se viu na obrigação de recuar na sentença. Perdeu a parada. Tratou o assunto à toque de caixa. Na verdade, o Parlamento não fez o mínimo necessário do seu papel para barrar a chantagem em curso. Lideranças dos caminhoneiros exigiram o imediato expurgo do PIS/COFINS até o final do ano, além da suspensão da CIDE. O achaque ganhou força.

O Senado capitulou. Teve de agendar às pressas uma reunião na última sexta-feira para votar o tema. A Petrobras, de sua parte, anunciou uma redução de 10% no preço do diesel, com duração de 15 dias. Era insuficiente para suspender o movimento. Pior: nas bolsas, as ações da empresa voltaram a ser bombardeadas. O trabalho delicado e competente de reerguer a companhia depois do desfalque gigantesco praticado pela quadrilha petista enfrentava seu maior teste. A fórmula de correções diárias das tarifas de combustíveis tem que ser inapelavelmente revista. Há severas distorções nessa política. O problema da volta atrás é o perigo de recaída no modelo populista, praticado na gestão Dilma, que quase quebrou a estatal. A bagunça generalizada que se viu por esses dias demonstra, tristemente, que o Brasil vai chegando arrebentado às próximas eleições. Existe um quase conluio de forças contrárias a sabotar o empenho de alguns poucos para a retomada do crescimento e normalidade de mercado. 

Não deveria ser assim. O prejuízo dessa tática recai sobre todos – inclusive os sabotadores. A armadilha e torcida que opositores fazem contra as gestões de rearrumação propostas pelo governo, por exemplo, pode ter um troco caro, cobrado nas urnas por quem não aguenta mais tanta malandragem.

Texto e imagem reproduzidos do site: istoe.com.br

sábado, 28 de abril de 2018

Um dia histórico na Península da Coreia


Publicado originalmente no site da EURONEWS, em 27/04/2018

Um dia histórico na Península da Coreia

De Antônio Oliveira E Silva

Um dia diferente do habitual na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, com a chegada o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, para um encontro oficial com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

A chegada de Kim a Panmunjon, zonal altamente protegida, foi coroada com sorrisos e apertos de mão, num clima que, para as câmaras, se queria o mais relaxado possível. Moon Jae-in é consciente de que se trata da primeira visita do género da parte de um líder norte-coreano desde o fim da guerra, em 1953.

À chegada, Kim falou num início de uma nova fase na história da relação entre as duas Coreias:

"Estamos a escrever um novo ponto de partida, hoje, estamos numa nova história de paz, de prosperidade e de relações entre as coreias."

Até há poucas semanas, perecia impossível que, em pouco tempo, os repórteres de imagem teriam a oportunidade de filmar os líderes das Coreias, juntos, numa conversa.

A retórica foi subindo de tom, não só entre as duas Coreias, mas também entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos e o Japão, por causa dos ensaios com mísseis balísticos nucleares levados a cabo por Pyongyang.

A Coreia do Norte chegou, mais do que uma vez, a lançar ameaças contra a integridade territorial dos EUA e do Japão, violando, por diversas vezes, as decisões tomadas pelas Nações Unidas, e dando passo a novas fases dos testes com mísseis balísticos.

O comportamento do Governo norte-coreano, tido como rebelde pela Comunidade Internacional, nomeadamente os últimos lançamentos de mísseis sobre o Mar do Japão, valeu vários pacotes de sanções sobre Pyongyang, o que deixou a economia nacional de rastos.

Os primeiros a pagar fatura foram, como não poderia deixar de ser, os habitantes de um dos regimes mais fechados do Planeta.

O encontro acontece quando faltam apenas algumas semanas para o encontro entre o líder da Coreira do Norte, Kim Jong-un, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O presidente dos EUA quer debater com Kim as possibilidades de pôr termo à presença de armas nucleares na Península da Coreia e ao fim do programa de desenvolvimento de armas nucleares de Pyongyang.

Um encontro para uma paz permanente

Os dois líderes debateram o fim da presença de armas nucleares na Península durante o encontro da manhã. Espera-se que assinem uma declaração de intenções conjunta, da parte da tarde.

Durante o encontro Kim disse que tinha a intenção de, fazer da visita um momento para acabar com um conflito histórico. E brincou com Moon, o presidente da Coreia do Sul, ao pedir-lhe desculpas por acordá-lo com o lançamento de mísseis balísticos nucleares.

O presidente da Coreia do Norte disse que estava disposto a visitar Seul e que gostaria que o presidente sul-coreano fosse a Pyongyag e que deveriam "encontrar-se mais vezes."

Dias antes do encontro entre os líderes das Coreias, Kim Jong-un anunciou que a Coreia do Norte iria suspender os testes com mísseis balísticos de longo alcance e que iria desmantelar as instalações onde eram levados a cabo testes nucleares.

Os críticos de Kim, no entanto, duvidam que tenha mesmo a coragem de abandonar o programa nuclear, que demorou décadas a desenvolver e que vê como necessário para impedir uma possível invasão dos EUA.

A verdade é que duas cimeiras anteriores, realizadas no ano 2000 e em 2007, falharam os seus objetivos e Pyongyang continuou com os projetos nucleares.

Depois de um encontro de 90 minutos à porta fechada, Kim foi conduzido de volta para o norte numa limusina protegida por um grupo de guarda-costas.

Mas nem todos na Coreia do Sul estão contentes com a aproximação entre o norte e o sul. Centenas de manifestantes concentraram-se no centro de Seul para protestar contra o encontro.

Outros, marcharam para expressar o apoio a uma eventual reunificação Coreia.

A Coreia do Sul, país considerado muito desenvolvido, e a Coreia do Norte, um dos países mais pobres da região e com um dos regimes mais fechados do mundo, encontram-se, tecnicamente, em guerra. Isto porque a guerra da Coreia acabou com uma trégua e não com um tratado de paz.

O encontro teve lugar num local com importante significado para ambos os lados, a chamada Zona Desmilitarizada. Um território com 260 quilómetros de comprimento e quatro quilómetros de largura, definida em 1953, como uma zona de apaziguamento entre norte e sul.

Texto e imagem reproduzidos do site: pt.euronews.com

domingo, 8 de abril de 2018

A caótica prisão de Lula hipnotiza o Brasil


A caótica prisão de Lula hipnotiza o Brasil

Após 50hs de expectativa, ex-presidente começa a cumprir pena em meio a tensão entre manifestantes

Um dia dramático, caótico e histórico. Todos os adjetivos cabem para falar da saga do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado, 7, que começou logo cedo com uma ato religioso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, e terminou numa cela de 15 metros quadrados na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O Brasil assistiu ao longo do sábado, em tempo real, ao ex-presidente mais popular da democracia recente chegar à prisão. Popular, claramente, para o bem e para o mal. Lula saiu literalmente carregado nos braços do povo em São Bernardo, e amargou uma recepção hostil com incontáveis fogos de artifício quando o bimotor que o levou de São Paulo à capital paranaense pousou no aeroporto Afonso Pena. Para finalizar, na chegada à sede da PF o petista pôde ver, da janela do helicóptero que o conduzia a seu destino final, sua militância ser massacrada por bombas de gás disparadas pela polícia. Um capítulo melancólico de um personagem que ganhou projeção mundial.

Foi uma jornada de sobressaltos, com uma militância arisca e indignada, que chegou a cercar o portão do sindicato para evitar a saída do ex-presidente e derrubar as grades num movimento furioso impedindo a saída de Lula. As lideranças petistas precisaram intervir avisando que o tempo acordado com a PF estava se esgotando. "A PF deu meia hora para nós resolvermos. Ou Lula será responsabilizado", alertou a senadora Gleisi Hoffmann de cima do caminhão de som. Chegou-se a cogitar que a parede humana que impedia a saída de Lula fazia parte da estratégia do ex-presidente para evitar ser preso. Hoffmann explicava à militância que se Lula não saísse ele poderia receber uma ordem de prisão preventiva e ser prejudicado em sua batalha jurídica para tentar reverter a prisão.

Diante de uma multidão enfurecida, e correndo contra o relógio para se entregar, Lula protagonizou uma cena antológica: deixou o prédio emblemático para sua carreira política a pé por volta das 18h40, para chegar a um carro da Polícia Federal. Abriu caminho entre a militância que, momentos antes, tinha impedido seu carro de deixar o local.  Em meio ao tumulto, o petista se entregou para cumprir, embora com atraso de 26 horas, a ordem de prisão decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

O ex-presidente seguiu assim, sob custódia policial, em um carro que o levaria à sede da PF para fazer exames de praxe, antes que ele fosse encaminhado a Curitiba. As TVs cobriam o trajeto com imagens aéreas, numa transmissão ao vivo, vista por milhões de brasileiros. Metade deles celebrava, a outra, se entristecia. Ninguém indiferente. A saga que durou quase 50 horas — Lula chegou ao sindicato na quinta-feira por volta das 20h após a inesperadamente rápida determinação de Moro — teve espaço ainda para um discurso derradeiro, no qual Lula admitia sua ‘morte política’, ao menos por enquanto.

Após uma longa expectativa desde que chegara ao sindicato na noite de quinta-feira, ele falou ao público presente, depois da missa celebrada no próprio sindicato em homenagem a sua mulher, Marisa Letícia, que completaria 68 anos neste sábado. Com o mesmo estilo que marcou sua trajetória de mais de 40 anos de vida pública, Lula permitiu-se um último ato catártico, em que desafiou os que ele considera seus algozes: o Judiciário, a mídia e aqueles que não queriam que ele fosse candidato a presidente.

Inflamado e com a voz rouca, fez do procurador Deltan Dallagnol um de seus principais alvos. “Eu não posso admitir um procurador que fez um powerpoint e foi pra televisão dizer que o PT é uma organização criminosa que nasceu para roubar o Brasil e que o Lula, por ser a figura mais importante desse partido, o Lula é o chefe, e portanto, se o Lula é o chefe, diz o procurador, ‘eu não preciso de provas, eu tenho convicção”, disse ele, ironizando uma frase que na verdade Dallagnol nunca verbalizou. “Eu quero que ele guarde a convicção deles para os comparsas deles, para os asseclas deles e não para mim”, discursou ele.

Em outro momento, criticou a imprensa pelo excesso de ataques que recebe. “Tenho mais de 70 horas de Jornal Nacional me triturando. Eu tenho mais de 70 capas de revista me atacando. Eu tenho mais de milhares de páginas de jornais e matérias me atacando. Eu tenho mais a Record me atacando. Eu tenho mais a Bandeirantes me atacando, eu tenho a rádio do interior me atacando. E o que eles não se dão conta é que quanto mais eles me atacam mais cresce a minha relação com o povo brasileiro”, ironizou.

Foram 55 minutos de discurso para o público presente, que ouvia entusiasmado e gritou em coro “Lula, guerreiro do povo brasileiro”. A descarga de adrenalina, no entanto, acabou contagiando militantes que protagonizaram cenas de hostilização de jornalistas que faziam a cobertura do último dia de liberdade de Lula, tanto no sindicato de São Bernardo, como no aeroporto de Congonhas e em frente à sede da Polícia Federal de Curitiba. Entidades como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestaram sobre os relatos de agressão aos profissionais de comunicação. “Conclamamos políticos e líderes de movimentos a colaborar para garantir a integridade física de quem participa da cobertura dos atos de hoje”, divulgou a Abraji.

“Não quero ser foragido”

Até o discurso de Lula, havia dúvidas se ele de fato se entregaria à Polícia ou se estenderia a corda, inclusive sob o risco de receber a ordem de prisão preventiva, o que lhe tiraria o direito de pedir um novo habeas corpus para sair da prisão. A dúvida foi dissipada durante seu discurso, quando ele admitiu que atenderia o mandado de prisão. “Se dependesse da minha vontade eu não ia, mas eu vou porque eles vão dizer a partir de amanhã que o Lula está foragido, que o Lula tá escondido, e não! Eu não estou escondido, eu vou lá na barba deles pra eles saberem que eu não tenho medo, que eu não vou correr, e para eles saberem que eu vou provar minha inocência”, disse ele para alívio do Brasil.

O tom de desafio do ato em São Bernardo, porém, viria a se dissipar assim que ele entrou no carro da Polícia Federal que o esperava perto do sindicato. De lá, ele se viu perseguido pelas mesma imprensa que atacara quando passou no prédio da PF em São Paulo para exame de corpo delito, até chegar ao aeroporto de Congonhas. Lula saiu de bimotor para Curitiba, onde chegou por volta das 22h20. O ex-presidente foi transportado de helicóptero para a superintendência da PF, onde vai cumprir a pena de 12 anos e um mês por ter recebido um apartamento triplex no valor de 2,4 milhões de reais da empreiteira OAS por favorecê-la em contratos da Petrobras, segundo a Justiça. Lula sempre rebateu que o apartamento não era dele, uma vez que não estava em seu nome. Mas ele nunca convenceu o Judiciário.

Chuva de bombas

A chegada à República de Curitiba, apelido ironicamente dado por Lula, foi como ele deveria esperar: hostil. Nos arredores do aeroporto Afonso Pena, e em vários bairros da cidade, fogos de artifício comemoravam a chegada do maior troféu de Sérgio Moro, ou, nas palavras de Lula “o sonho de consumo” do juiz. De lá ele embarcou em um helicóptero rumo à sede da PF onde iria começar a cumprir pena. As imagens de TV mostravam Curitiba com um caos no trânsito devido a protestos na chegada da persona non grata para a capital que se orgulha de liderar a Lava Jato.

Ainda assim, uma manifestação de apoiadores do ex-presidente aguardava, desde as 14h, sua chegada em volta do prédio da PF. Os vermelhos estavam separados por dois cordões policiais e cerca de 100 metros dos verde-amarelos, estes em número bem reduzido. Apesar do momento dramático para a maior liderança do PT, a militância tentava se manter animada ao longo do dia, cantando músicas de Geraldo Vandré e velhos sambas de Clara Nunes. Dezenas de estudantes secundaristas participaram do ato - muitos deles veteranos da onda de ocupações escolares que varreu o Estado em 2016.

Assim que o helicóptero do ex-presidente tocou o heliponto do prédio da PF, vieram as bombas: ao menos 10, disparadas do estacionamento do edifício em direção ao ato de apoio a Lula. Segundo os bombeiros, oito pessoas ficaram feridas sem gravidade por estilhaços. A reportagem não presenciou nenhum ato dos manifestantes que justificasse a medida repressiva, e a Polícia Federal não se manifestou até o momento sobre o episódio. Depois do tumulto, os senadores petistas Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann, que seguiram do ato de São Bernardo para Curitiba, se uniram ao que restou do protesto para anunciar que a cidade da Lava Jato vai ser também “a capital da resistência".

Colaborou Afonso Benites

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

Dia da Prisão de Lula (em fotos do 'EL PAÍS')











Fotos reproduzidas do site: brasil.elpais.com