terça-feira, 12 de junho de 2018

Reunião histórica entre Kim e Trump

Trump e Kim apertam as mãos em encontro histórico 
em Singapura (Foto: Reprodução) 

O presidente dos EUA, Donald Trump, 
gesticula ao falar com jornalistas ao lado do 
líder da Coreia do Sul, Kim Jong-Un, no Capella Hotel,
na ilha de Sentosa, em Singapura, na terça-feira (12)
Foto: Anthony Wallace/Pool via Reuters

Kim Jong-Un e Donald Trump se cumprimentam 
durante reunião ao lado de assessores, 
em Singapura, na terça-feira (12) 
Foto: Kevin Lim/The Straits Times via AP


Publicado originalmente no site G1 Globo, em 11/06/2018

Kim Jong-Un diz que 'mundo verá grande mudança' após encontro com Trump em Singapura

Esta é a primeira vez que líderes dos EUA e Coreia do Norte se reúnem. Acordo com quatro itens foi assinado e Trump disse que 'certamente' convidará Kim para uma visita à Casa Branca.

Coreia do Norte e Estados Unidos decidiram deixar o passado para trás e "o mundo verá uma grande mudança", segundo o líder norte-coreano Kim Jong-Un, que nesta terça-feira (12) assinou uma declaração ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump.

Em um dos quatro itens do documento, Kim se compromete a trabalhar pela desnuclearização completa da península coreana, reafirmando o que foi determinado pela Declaração de Panmunjon, assinada em 27 de abril de 2018 pelas duas Coreias.

O conteúdo do documento foi considerado "bastante completo" por Trump, que diz ter estabelecido uma ligação especial após a assinatura. O presidente americano disse, inclusive, que irá "certamente" convidar Kim a visitar a Casa Branca.

"Aprendi que ele é um homem muito talentoso que ama muito seu país. É um negociador de valor, que negocia em benefício de seu povo", elogiou.

O documento assinado por Trump e Kim consiste em quatro pontos:

EUA e Coreia do Norte se comprometem a estabelecer relações de acordo com o desejo de seus povos pela paz e prosperidade;

Os dois países irão unir seus esforços para construir um regime de paz estável e duradouro na Península Coreana;

Reafirmando a Declaração de Panmunjon, de 27 de abril de 2018, a Coreia do Norte se compromete a trabalhar em direção à completa desnuclearização da Península Coreana

Os EUA e a Coreia do Norte se comprometem a recuperar os restos mortais de prisioneiros de guerra, incluindo a imediata repatriação daqueles já identificados.

Encontro inédito

Pela primeira vez na história, líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte se encontraram pessoalmente para tentar chegar a um consenso sobre o desmonte do programa nuclear e balístico da fechada ditadura comunista, em troca de alívio econômico para o país hoje afetado por duras sanções. O esperado e histórico encontro de Donald Trump e Kim Jong-un aconteceu na manhã de terça-feira (12, horário local), em Singapura.

Os dois tiveram um primeiro encontro privado e depois promoveram uma reunião ao lado de seus assessores. Em seguida, participaram de um almoço ao lado de suas respectivas comitivas.

Após este evento, os dois líderes caminharam juntos e Trump, em uma breve declaração a jornalistas, disse que o encontro estava sendo "melhor do que qualquer um poderia esperar". Em seguida, ele mostrou seu carro ao norte-coreano e manteve o que pareceu ser uma conversa amistosa durante alguns minutos, antes de os dois se separarem e seguirem em direções opostas.

O local do encontro foi o luxuoso hotel Capella, na ilha de Sentosa, famosa por suas praias turísticas e seus campos de golfe espetaculares. Singapura designou partes de sua região central como uma "zona especial", onde os procedimentos de segurança estão mais rigorosos. O espaço aéreo sobre a rica cidade-Estado está temporariamente restrito durante partes dos dias 11, 12 e 13 de junho.

Quando se sentou ao lado de Kim, Trump disse ter esperança de que a cúpula seria "tremendamente bem-sucedida". "Teremos um ótimo relacionamento pela frente", acrescentou. O ditador norte-coreano disse em seguida que havia enfrentado uma série de "obstáculos" para o encontro. "Nós superamos todos eles e estamos aqui hoje", disse a repórteres, por meio de um tradutor.

A reunião teve como tema o fim do programa de armas nucleares e balísticas da Coreia do Norte, cujas ambições têm sido uma fonte de tensão há décadas. Além do encontro de Trump e Kim, estavam previstas diversas reuniões entre representantes dos dois países ao longo de cinco dias.

Os EUA, temendo o desenvolvimento de mísseis nucleares que poderiam atingir o país, pedem a desnuclearização "completa, verificável e irreversível" da Coreia do Norte. Como resultado, a Coreia do Norte pode comprometer-se a apresentar um relatório sobre o atual arsenal e permitir uma verificação internacional completa.

De sua parte, Kim Jong-un parece tentar salvar a economia norte-coreana que vem sofrendo o impacto das sanções impostas pelos EUA e pela ONU. Ele disse que deseja "avançar para uma desnuclearização da península coreana", mas por meio de um processo "passo a passo", com garantias de segurança e incentivos diplomáticos e econômicos.

Antes do diálogo, provocações

O inédito encontro entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte ocorre, paradoxalmente, poucos meses depois do acirramento das tensões entre os dois países.

Somente em 2017, primeiro ano de Trump na Casa Branca, os norte-coreanos lançaram 23 mísseis. Em um deles, em novembro, a Coreia do Norte anunciou ter testado um projétil capaz de alcançar "todo o território dos Estados Unidos", segundo a emissora de TV estatal KCTV.

Em resposta, Trump anunciou sanções contra 56 empresas da Coreia do Norte, que, segundo ele, significavam "as mais importantes" já impostas a Pyongyang.

Trump também usou o Twitter para rebater as ações e os discursos de Kim Jong-un. Após o ditador da Coreia do Norte dizer que tem sempre à mesa um botão nuclear, o presidente dos Estados Unidos rebateu: "Eu também tenho um botão nuclear, mas é um muito maior e mais poderoso que o dele. E o meu botão funciona!"

Tensões se dissiparam

A tentativa de aproximação entre as coreias do Sul e do Norte — aquecida, inclusive, pela união dos dois países na abertura da Olimpíada de Inverno — levou, em abril, os líderes das nações separadas a um encontro histórico em que ambos os lados discutiram a desnuclearização da península.

Enquanto ocorriam as negociações para o encontro coreano. Trump surpreendeu ao dizer que Kim Jong-un o havia convidado para reunião — e que ele havia aceitado o convite.

Trump, que não participou do anúncio, comentou no Twitter. "Kim Jong Un falou sobre a desnuclearização com os representantes sul-coreanos, não apenas um congelamento. Além disso, nenhum teste de mísseis pela Coreia do Norte durante esse período. Grandes progressos estão sendo feitos, mas as sanções permanecerão até que um acordo seja alcançado. Reunião sendo planejada!", escreveu.

Pouco tempo depois, o então diretor da CIA e atual secretário de Estado americano, Mike Pompeo, viajou para a Coreia do Norte, onde teve um encontro secreto com Kim Jong-un, mostrando um avanço nas relações entre os dois países. Ele voltou de lá com três americanos que tinham sido detidos por Pyongyang por suspeita de atividades anti-estatais.

Na carta divulgada nesta quinta, Trump agradece pela libertação dos americanos: "Quero agradecê-lo pela libertação dos detidos que agora estão em casa com suas famílias. Aquele foi um bonito gesto e foi muito apreciado", afirma o presidente na carta.

Encontro quase não ocorreu

Porém, em maio, a Coreia do Norte suspendeu as conversações de alto nível com a Coreia do Sul, citando como motivo exercícios militares conjuntos de Seul com os EUA. O governo norte-coreano vê os exercícios como um treino de invasão do seu território e uma provocação em meio à melhora de relações entre as duas Coreias.

O regime de Kim Jong-un já tinha colocado em dúvida realização da cúpula prevista com Trump. E, em 21 de maio, Trump disse que o encontro histórico poderia atrasar ou não acontecer caso certas condições não sejam cumpridas - embora não tenha explicados que condições seriam estas.

Trump, então, chegou a cancelar a reunião. "Estava muito ansioso para me encontrar com você", disse o presidente dos Estados Unidos em uma carta dirigida ao líder norte-coreano, que foi divulgada pela Casa Branca.

"Infelizmente, com base na enorme raiva e hostilidade aberta exibida em sua declaração mais recente, sinto que é inadequado, neste momento, ter essa reunião planejada há muito tempo", afirmou.

A pressão dos Estados Unidos surtiu efeito. Menos de duas semanas depois de cancelar o encontro, Trump voltou a confirmar a reunião para 12 de junho, em Singapura. O anúncio ocorreu após uma reunião entre o republicano e o braço-direito de Kim Jong-un, Kim Yong-chol, na residência oficial americana.

"Acho que provavelmente será um processo muito bem-sucedido", afirmou Trump após remarcar a reunião.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com

sábado, 26 de maio de 2018

Fúria sobre rodas

Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Publicado originalmente no site da revista ISTOÉ, em 25 de maio de 2018

Fúria sobre rodas
Por Carlos José Marques (Diretor editorial da Editora Três)

Um misto de chantagem, oportunismo e falta de responsabilidade jogou o País no imponderável caos. Na boleia dos caminhões que travaram as estradas Brasil afora um retrato dramático de quão frágil ainda segue a nossa economia. Com o Governo acuado, nas cordas, refém de um Congresso venal e a bordo de claras ambições eleitoreiras, havia muito pouco a fazer. E o mergulho profundo numa espiral de anarquia e confrontos de rua pareceu inevitável. O retrato desse descalabro foi mostrado ao vivo, todos os dias. Produtores de laticínios e frigoríficos jogavam fora, por incapacidade de escoar, milhões de litros e toneladas de mercadoria. Os bloqueios infernizavam a rotina nacional. Nem vans levando oxigênio de uso hospitalar passavam. Postos abarrotados de carros à espera de abastecimento. Aeroportos no limite do colapso aéreo. Ameaças de escassez de suprimentos básicos em supermercados, armazéns e farmácias. Sobre preços e ágios de toda natureza. A bagunça virou tônica. O Brasil experimentou dias de Venezuela. Não poderia ser diferente em um país onde 70% dos fornecimentos dependem do transporte rodoviário. É de certa forma inaceitável assistir a uma nação inteira refém de uma categoria. 

É também inconcebível que um cartel de distribuidoras – os reais articuladores por trás da paralisação – queira impor sua vontade, arrancando vantagens setoriais às custas do sacrifício da população. De outro lado, a política de reajustes dos combustíveis seguindo a variação do dólar, como ocorre em boa parte dos mercados mundo afora, carrega aqui um componente de injustiça. Cerca de 80% do consumo interno é atendido via produção local e a paridade com a moeda americana não deveria, por isso mesmo, servir de referência essencial. Nessa toada, o valor do diesel, para ficar no caso mais emblemático, cresceu cerca de 50% no ano, diante de uma inflação irrisória, praticamente inviabilizando a atividade de frete. O alerta sobre o perigo da situação foi feito diversas vezes e de maneira antecipada, sem que respostas eficazes e soluções saíssem. Apenas diante da desordem instalada autoridades trataram de dar agilidade às discussões. Faltou diálogo, faltaram planejamento e negociação. Restou o confronto. 

No ringue do combate o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez as vezes de imperador que decreta de quem é a razão. Tratou de agir como dono do espetáculo. Mostrou cara feia e falou grosso. Parecia se deleitar com os devaneios do poder. Tal qual um César, de início somente admitiu discutir e avaliar os impostos em uma semana. Ou os grevistas aceitavam o prazo ou nada feito. Jogou literalmente querosene no fogaréu. Os articuladores reforçaram as trincheiras. Em 23 estados e no Distrito Federal quilômetros de fila eram formados por um comboio desgovernado, em perigoso protesto. Tiros, pneus furados ou queimados, paravam os motoristas à força. Diante do estrangulamento da malha rodoviária e da iminência do desastre, Maia se viu na obrigação de recuar na sentença. Perdeu a parada. Tratou o assunto à toque de caixa. Na verdade, o Parlamento não fez o mínimo necessário do seu papel para barrar a chantagem em curso. Lideranças dos caminhoneiros exigiram o imediato expurgo do PIS/COFINS até o final do ano, além da suspensão da CIDE. O achaque ganhou força.

O Senado capitulou. Teve de agendar às pressas uma reunião na última sexta-feira para votar o tema. A Petrobras, de sua parte, anunciou uma redução de 10% no preço do diesel, com duração de 15 dias. Era insuficiente para suspender o movimento. Pior: nas bolsas, as ações da empresa voltaram a ser bombardeadas. O trabalho delicado e competente de reerguer a companhia depois do desfalque gigantesco praticado pela quadrilha petista enfrentava seu maior teste. A fórmula de correções diárias das tarifas de combustíveis tem que ser inapelavelmente revista. Há severas distorções nessa política. O problema da volta atrás é o perigo de recaída no modelo populista, praticado na gestão Dilma, que quase quebrou a estatal. A bagunça generalizada que se viu por esses dias demonstra, tristemente, que o Brasil vai chegando arrebentado às próximas eleições. Existe um quase conluio de forças contrárias a sabotar o empenho de alguns poucos para a retomada do crescimento e normalidade de mercado. 

Não deveria ser assim. O prejuízo dessa tática recai sobre todos – inclusive os sabotadores. A armadilha e torcida que opositores fazem contra as gestões de rearrumação propostas pelo governo, por exemplo, pode ter um troco caro, cobrado nas urnas por quem não aguenta mais tanta malandragem.

Texto e imagem reproduzidos do site: istoe.com.br

sábado, 28 de abril de 2018

Um dia histórico na Península da Coreia


Publicado originalmente no site da EURONEWS, em 27/04/2018

Um dia histórico na Península da Coreia

De Antônio Oliveira E Silva

Um dia diferente do habitual na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, com a chegada o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, para um encontro oficial com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

A chegada de Kim a Panmunjon, zonal altamente protegida, foi coroada com sorrisos e apertos de mão, num clima que, para as câmaras, se queria o mais relaxado possível. Moon Jae-in é consciente de que se trata da primeira visita do género da parte de um líder norte-coreano desde o fim da guerra, em 1953.

À chegada, Kim falou num início de uma nova fase na história da relação entre as duas Coreias:

"Estamos a escrever um novo ponto de partida, hoje, estamos numa nova história de paz, de prosperidade e de relações entre as coreias."

Até há poucas semanas, perecia impossível que, em pouco tempo, os repórteres de imagem teriam a oportunidade de filmar os líderes das Coreias, juntos, numa conversa.

A retórica foi subindo de tom, não só entre as duas Coreias, mas também entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos e o Japão, por causa dos ensaios com mísseis balísticos nucleares levados a cabo por Pyongyang.

A Coreia do Norte chegou, mais do que uma vez, a lançar ameaças contra a integridade territorial dos EUA e do Japão, violando, por diversas vezes, as decisões tomadas pelas Nações Unidas, e dando passo a novas fases dos testes com mísseis balísticos.

O comportamento do Governo norte-coreano, tido como rebelde pela Comunidade Internacional, nomeadamente os últimos lançamentos de mísseis sobre o Mar do Japão, valeu vários pacotes de sanções sobre Pyongyang, o que deixou a economia nacional de rastos.

Os primeiros a pagar fatura foram, como não poderia deixar de ser, os habitantes de um dos regimes mais fechados do Planeta.

O encontro acontece quando faltam apenas algumas semanas para o encontro entre o líder da Coreira do Norte, Kim Jong-un, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O presidente dos EUA quer debater com Kim as possibilidades de pôr termo à presença de armas nucleares na Península da Coreia e ao fim do programa de desenvolvimento de armas nucleares de Pyongyang.

Um encontro para uma paz permanente

Os dois líderes debateram o fim da presença de armas nucleares na Península durante o encontro da manhã. Espera-se que assinem uma declaração de intenções conjunta, da parte da tarde.

Durante o encontro Kim disse que tinha a intenção de, fazer da visita um momento para acabar com um conflito histórico. E brincou com Moon, o presidente da Coreia do Sul, ao pedir-lhe desculpas por acordá-lo com o lançamento de mísseis balísticos nucleares.

O presidente da Coreia do Norte disse que estava disposto a visitar Seul e que gostaria que o presidente sul-coreano fosse a Pyongyag e que deveriam "encontrar-se mais vezes."

Dias antes do encontro entre os líderes das Coreias, Kim Jong-un anunciou que a Coreia do Norte iria suspender os testes com mísseis balísticos de longo alcance e que iria desmantelar as instalações onde eram levados a cabo testes nucleares.

Os críticos de Kim, no entanto, duvidam que tenha mesmo a coragem de abandonar o programa nuclear, que demorou décadas a desenvolver e que vê como necessário para impedir uma possível invasão dos EUA.

A verdade é que duas cimeiras anteriores, realizadas no ano 2000 e em 2007, falharam os seus objetivos e Pyongyang continuou com os projetos nucleares.

Depois de um encontro de 90 minutos à porta fechada, Kim foi conduzido de volta para o norte numa limusina protegida por um grupo de guarda-costas.

Mas nem todos na Coreia do Sul estão contentes com a aproximação entre o norte e o sul. Centenas de manifestantes concentraram-se no centro de Seul para protestar contra o encontro.

Outros, marcharam para expressar o apoio a uma eventual reunificação Coreia.

A Coreia do Sul, país considerado muito desenvolvido, e a Coreia do Norte, um dos países mais pobres da região e com um dos regimes mais fechados do mundo, encontram-se, tecnicamente, em guerra. Isto porque a guerra da Coreia acabou com uma trégua e não com um tratado de paz.

O encontro teve lugar num local com importante significado para ambos os lados, a chamada Zona Desmilitarizada. Um território com 260 quilómetros de comprimento e quatro quilómetros de largura, definida em 1953, como uma zona de apaziguamento entre norte e sul.

Texto e imagem reproduzidos do site: pt.euronews.com

domingo, 8 de abril de 2018

A caótica prisão de Lula hipnotiza o Brasil


A caótica prisão de Lula hipnotiza o Brasil

Após 50hs de expectativa, ex-presidente começa a cumprir pena em meio a tensão entre manifestantes

Um dia dramático, caótico e histórico. Todos os adjetivos cabem para falar da saga do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado, 7, que começou logo cedo com uma ato religioso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, e terminou numa cela de 15 metros quadrados na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O Brasil assistiu ao longo do sábado, em tempo real, ao ex-presidente mais popular da democracia recente chegar à prisão. Popular, claramente, para o bem e para o mal. Lula saiu literalmente carregado nos braços do povo em São Bernardo, e amargou uma recepção hostil com incontáveis fogos de artifício quando o bimotor que o levou de São Paulo à capital paranaense pousou no aeroporto Afonso Pena. Para finalizar, na chegada à sede da PF o petista pôde ver, da janela do helicóptero que o conduzia a seu destino final, sua militância ser massacrada por bombas de gás disparadas pela polícia. Um capítulo melancólico de um personagem que ganhou projeção mundial.

Foi uma jornada de sobressaltos, com uma militância arisca e indignada, que chegou a cercar o portão do sindicato para evitar a saída do ex-presidente e derrubar as grades num movimento furioso impedindo a saída de Lula. As lideranças petistas precisaram intervir avisando que o tempo acordado com a PF estava se esgotando. "A PF deu meia hora para nós resolvermos. Ou Lula será responsabilizado", alertou a senadora Gleisi Hoffmann de cima do caminhão de som. Chegou-se a cogitar que a parede humana que impedia a saída de Lula fazia parte da estratégia do ex-presidente para evitar ser preso. Hoffmann explicava à militância que se Lula não saísse ele poderia receber uma ordem de prisão preventiva e ser prejudicado em sua batalha jurídica para tentar reverter a prisão.

Diante de uma multidão enfurecida, e correndo contra o relógio para se entregar, Lula protagonizou uma cena antológica: deixou o prédio emblemático para sua carreira política a pé por volta das 18h40, para chegar a um carro da Polícia Federal. Abriu caminho entre a militância que, momentos antes, tinha impedido seu carro de deixar o local.  Em meio ao tumulto, o petista se entregou para cumprir, embora com atraso de 26 horas, a ordem de prisão decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

O ex-presidente seguiu assim, sob custódia policial, em um carro que o levaria à sede da PF para fazer exames de praxe, antes que ele fosse encaminhado a Curitiba. As TVs cobriam o trajeto com imagens aéreas, numa transmissão ao vivo, vista por milhões de brasileiros. Metade deles celebrava, a outra, se entristecia. Ninguém indiferente. A saga que durou quase 50 horas — Lula chegou ao sindicato na quinta-feira por volta das 20h após a inesperadamente rápida determinação de Moro — teve espaço ainda para um discurso derradeiro, no qual Lula admitia sua ‘morte política’, ao menos por enquanto.

Após uma longa expectativa desde que chegara ao sindicato na noite de quinta-feira, ele falou ao público presente, depois da missa celebrada no próprio sindicato em homenagem a sua mulher, Marisa Letícia, que completaria 68 anos neste sábado. Com o mesmo estilo que marcou sua trajetória de mais de 40 anos de vida pública, Lula permitiu-se um último ato catártico, em que desafiou os que ele considera seus algozes: o Judiciário, a mídia e aqueles que não queriam que ele fosse candidato a presidente.

Inflamado e com a voz rouca, fez do procurador Deltan Dallagnol um de seus principais alvos. “Eu não posso admitir um procurador que fez um powerpoint e foi pra televisão dizer que o PT é uma organização criminosa que nasceu para roubar o Brasil e que o Lula, por ser a figura mais importante desse partido, o Lula é o chefe, e portanto, se o Lula é o chefe, diz o procurador, ‘eu não preciso de provas, eu tenho convicção”, disse ele, ironizando uma frase que na verdade Dallagnol nunca verbalizou. “Eu quero que ele guarde a convicção deles para os comparsas deles, para os asseclas deles e não para mim”, discursou ele.

Em outro momento, criticou a imprensa pelo excesso de ataques que recebe. “Tenho mais de 70 horas de Jornal Nacional me triturando. Eu tenho mais de 70 capas de revista me atacando. Eu tenho mais de milhares de páginas de jornais e matérias me atacando. Eu tenho mais a Record me atacando. Eu tenho mais a Bandeirantes me atacando, eu tenho a rádio do interior me atacando. E o que eles não se dão conta é que quanto mais eles me atacam mais cresce a minha relação com o povo brasileiro”, ironizou.

Foram 55 minutos de discurso para o público presente, que ouvia entusiasmado e gritou em coro “Lula, guerreiro do povo brasileiro”. A descarga de adrenalina, no entanto, acabou contagiando militantes que protagonizaram cenas de hostilização de jornalistas que faziam a cobertura do último dia de liberdade de Lula, tanto no sindicato de São Bernardo, como no aeroporto de Congonhas e em frente à sede da Polícia Federal de Curitiba. Entidades como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestaram sobre os relatos de agressão aos profissionais de comunicação. “Conclamamos políticos e líderes de movimentos a colaborar para garantir a integridade física de quem participa da cobertura dos atos de hoje”, divulgou a Abraji.

“Não quero ser foragido”

Até o discurso de Lula, havia dúvidas se ele de fato se entregaria à Polícia ou se estenderia a corda, inclusive sob o risco de receber a ordem de prisão preventiva, o que lhe tiraria o direito de pedir um novo habeas corpus para sair da prisão. A dúvida foi dissipada durante seu discurso, quando ele admitiu que atenderia o mandado de prisão. “Se dependesse da minha vontade eu não ia, mas eu vou porque eles vão dizer a partir de amanhã que o Lula está foragido, que o Lula tá escondido, e não! Eu não estou escondido, eu vou lá na barba deles pra eles saberem que eu não tenho medo, que eu não vou correr, e para eles saberem que eu vou provar minha inocência”, disse ele para alívio do Brasil.

O tom de desafio do ato em São Bernardo, porém, viria a se dissipar assim que ele entrou no carro da Polícia Federal que o esperava perto do sindicato. De lá, ele se viu perseguido pelas mesma imprensa que atacara quando passou no prédio da PF em São Paulo para exame de corpo delito, até chegar ao aeroporto de Congonhas. Lula saiu de bimotor para Curitiba, onde chegou por volta das 22h20. O ex-presidente foi transportado de helicóptero para a superintendência da PF, onde vai cumprir a pena de 12 anos e um mês por ter recebido um apartamento triplex no valor de 2,4 milhões de reais da empreiteira OAS por favorecê-la em contratos da Petrobras, segundo a Justiça. Lula sempre rebateu que o apartamento não era dele, uma vez que não estava em seu nome. Mas ele nunca convenceu o Judiciário.

Chuva de bombas

A chegada à República de Curitiba, apelido ironicamente dado por Lula, foi como ele deveria esperar: hostil. Nos arredores do aeroporto Afonso Pena, e em vários bairros da cidade, fogos de artifício comemoravam a chegada do maior troféu de Sérgio Moro, ou, nas palavras de Lula “o sonho de consumo” do juiz. De lá ele embarcou em um helicóptero rumo à sede da PF onde iria começar a cumprir pena. As imagens de TV mostravam Curitiba com um caos no trânsito devido a protestos na chegada da persona non grata para a capital que se orgulha de liderar a Lava Jato.

Ainda assim, uma manifestação de apoiadores do ex-presidente aguardava, desde as 14h, sua chegada em volta do prédio da PF. Os vermelhos estavam separados por dois cordões policiais e cerca de 100 metros dos verde-amarelos, estes em número bem reduzido. Apesar do momento dramático para a maior liderança do PT, a militância tentava se manter animada ao longo do dia, cantando músicas de Geraldo Vandré e velhos sambas de Clara Nunes. Dezenas de estudantes secundaristas participaram do ato - muitos deles veteranos da onda de ocupações escolares que varreu o Estado em 2016.

Assim que o helicóptero do ex-presidente tocou o heliponto do prédio da PF, vieram as bombas: ao menos 10, disparadas do estacionamento do edifício em direção ao ato de apoio a Lula. Segundo os bombeiros, oito pessoas ficaram feridas sem gravidade por estilhaços. A reportagem não presenciou nenhum ato dos manifestantes que justificasse a medida repressiva, e a Polícia Federal não se manifestou até o momento sobre o episódio. Depois do tumulto, os senadores petistas Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann, que seguiram do ato de São Bernardo para Curitiba, se uniram ao que restou do protesto para anunciar que a cidade da Lava Jato vai ser também “a capital da resistência".

Colaborou Afonso Benites

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

Dia da Prisão de Lula (em fotos do 'EL PAÍS')











Fotos reproduzidas do site: brasil.elpais.com

Manifestações na chegada de Lula a Curitiba...

Lula chega a Curitiba para começar a cumprir pena

Publicado originalmente no site do Jornal do Brasil, em 08/04/2018

Manifestações na chegada de Lula a Curitiba deixam nove pessoas feridas

Jornal do Brasil

Nove pessoas ficaram feridas durante as manifestações ocorridas com a chegada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Curitiba para cumprir a pena de 12 anos e um mês à qual foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Três dos nove feridos são crianças, um é policial militar e os demais são manifestantes favoráveis ao ex-presidente.

Segundo o comando da Polícia Militar (PM), todos sofreram ferimentos leves e foram atendidos no local, mas três tiveram de ser encaminhados ao Hospital Evangélico. Entre os que foram para o hospital está uma criança que bateu a cabeça.

Após as mobilizações favoráveis e contrárias ao ex-presidente, o comandante do 20° Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Mário Henrique do Carmo, que coordenou a operação, considerou bem-sucedida a ação policial.

Questionado sobre o uso de bombas contra manifestantes, Carmo disse que houve duas explosões no meio dos manifestantes. "Eles explodiram duas bombas no chão. E, pelo efeito das explosões, eles avançaram contra o portão da Polícia Federal (PF), e esta, por sua vez, os repeliu”, disse o tenente-coronel.

De acordo com Carmo, após a explosão das bombas da PF, os manifestantes correram para todos os lados, e a PM usou balas de borracha para evitar a aproximação entre os grupos com ideologias diferentes.

Perguntado sobre rojões lançados por grupos contra o ex-presidente, que caíram no estacionamento do prédio da Polícia Federal, o comandante respondeu que não poderia se posicionar porque não viu o material.

Com Agência Brasil

Texto e imagem reproduzidos do site: jb.com.br

sábado, 7 de abril de 2018

Lula discursa em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos...

Lula sai carregado após discursar

Publicado originalmente no site do Jornal do Brasil, em 07/04/2018

Lula discursa em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo

Jornal do Brasil

Após muita expectativa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou por quase um hora, neste sábado (7), em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, após a missa em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia. Coube ao pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PT e ex-prefeito de São Bernardo dos Campos, Luiz Marinho, anunciar Lula, que fala pela primeira vez em público desde que seu mandado de prisão foi expedido.

Lula afirmou que iria se entregar à PF, mas que sairia de cabeça erguida porque voltaria de peito estufado, após provar sua inocência. No fim, ele saiu carregado pelos apoiadores.

Lula cumprimentou os políticos que estão com ele sobre o carro de som, entre eles pré-candidatos à Presidência da República pelo PCdoB e PSOL, Manuela D'ávila e Guilherme Boulos, respectivamente, e Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, apontado entre os nomes que podem ser indicados pelo PT para concorrer à Presidência da República. Lula dedicou especial atenção à Dilma Rousseff, a quem se disse "eternamente grato". "Possivelmente uma das mais injustiçadas mulheres que ousaram um dia a fazer política nesse País", disse.

Com Estadão Conteúdo

Texto e imagem reproduzidos do site: jb.com.br

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Lula faz primeiro discurso após mandado de prisão.
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A prisão do demiurgo de Garanhuns







Publicado originalmente no site da revista ISTOÉ, em 06/04/18 

A prisão do demiurgo de Garanhuns

Lula transforma ordem para se entregar num espetáculo deprimente de afronta à Justiça, ao refugiar-se num QG sindical em São Bernardo do Campo e montar um cordão humano para impedir o acesso da PF ao local. Tudo para adiar o inevitável: a ida para trás das grades

Às 22h de sexta-feira 6, Lula ainda estava entrincheirado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, usado como bunker de resistência à ordem de prisão expedida na quinta-feira 5, às 17h53, pelo juiz Sergio Moro. O prazo para ele se entregar à Polícia Federal em Curitiba tinha vencido às 17h. Mas Lula tornava a afrontar a Justiça. Ao contrário do que aconteceria com qualquer preso comum no Brasil, Lula passou a ditar as regras de sua própria rendição. Escalou advogados e até o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, para negociar os termos da prisão já decretada. Até o final da noite, ele se recusava a se entregar e exigia participar no sábado 8 às 9h30 de uma missa em homenagem à sua esposa Marisa Letícia, falecida em fevereiro do ano passado. O evento religioso seria realizado na própria sede do sindicato. Só depois da missa, o petista cumpriria a determinação judicial – um acinte, por óbvio. O ex-presidente também se recusava a ir para Curitiba, onde a PF havia preparado uma sala especial, com todas as regalias, para que ele pudesse começar a cumprir a pena de 12,1 anos de prisão. Batia o pé para permanecer em São Paulo, numa cela especial do Estado Maior da PF. Um espetáculo deprimente e inconcebível. No final da noite, a Polícia Federal informou que Lula não seria preso na sexta-feira 6.

Durante as mais de 30 horas em que permaneceu refugiado no sindicato, dirigido por ele há 40 anos, Lula envergando um suéter ao estilo bolivariano de Evo Morales usou milhares de militantes como uma espécie de cordão humano para impedir o acesso da PF ao local. Ele chegou por volta das 19h de quinta-feira 5 na entidade. Virou a madrugada no interior do prédio, ao lado de sindicalistas. Dormiu na sala 207, no segundo andar, com banheiro privativo. Acordou às 7h e tomou banho no local. À medida que os trabalhadores chegavam para exigir que ele reagisse à voz de prisão, o petista saía na janela, acenava e mandava beijos.

Aproveitava também para abraçar efusivamente os amigos, como o ex-chefe de gabinete de seu governo, Gilberto Carvalho, que também o estimulou a resistência. Em dado momento, sugeriu que os trabalhadores cercassem o sindicato para impedir a entrada dos policiais. Petistas mais radicais, como a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e o senador Lindbergh Farias, pediam para ele não se render. Gleisi chegou a dizer que a PF teria que prender todos os trabalhadores, se quisesse enviar Lula para trás das grades. Mais um teatro de absurdos, com a conivência da Justiça, que até aquele momento parecia contemporizar.

Como um demiurgo, o petista passou o dia sendo paparicado pelos sindicalistas-companheiros. Às 15h30, lhe serviram o lanchinho da tarde, com pão de mortadela. Para beber, apenas suco. Lá fora, o cliam era de final de Copa do Mundo. Os metalúrgicos recebiam caixas e mais caixas de cerveja, além de carne para um farto churrasco. Mas como todo grande circo armado pelo PT e congêneres, depois do café Lula simulou que estava passando mal. Foi atendido pelo médico Gustavo Johnem, alegando pressão alta. “Ele está muito emocionado, é diabético”, disse o médico, que mandou um enfermeiro ficar de prontidão com um desfibrilador. Fazia parte do enredo, pois as 17h se aproximavam e ele já ensaiava um problema qualquer de saúde para não ser levado preso, algo que tem sido cada vez mais frequentes entre políticos condenados à cadeia. Depois o petista deu início a uma pantomima de idas e vindas, com o lamentável beneplácito da Justiça. Primeiro, disse que iria fazer um pronunciamento. Recuou. Horas depois, voltou a cogitar a possibilidade de descer ao carro de som, instalado defronte ao sindicato, para discursar. Até às 22h, a possibilidade havia sido descartada.

Desde a noite anterior, a Polícia Federal e a Polícia Militar de São Paulo monitoravam os arredores do sindicato, medindo os ânimos e o risco de confrontos sérios. A tropa de choque da PM aguardava na Rodovia Anchieta, a poucos quilômetros dali. Viaturas da PF estacionaram nas imediações do sindicato com agentes dispostos a entrar no bunker petista a qualquer momento. Os policiais chegaram a planejar como seria o resgate do líder petista. Para executar a prisão, foi aventada a hipótese de uma invasão aérea. Recuaram, no entanto, temendo uma cena de confronto com os milhares de manifestantes ali presentes.

Um helicóptero chegou a fica de prontidão no aeroporto de Congonhas para o caso de Lula se entregar. A ideia era levar o petista de jatinho até o aeroporto Afonso Pena de Curitiba. Lá um novo helicóptero aguardava a chegada do ex-presidente para levá-lo até a sede da PF. Como Lula, até o final da noite de sexta-feira 6, não havia se rendido, os planos foram adiados. Enquanto os protagonistas encenavam mais uma farsa dantesca, os advogados do PT ingressavam com uma série de pedidos de habeas corpus nos tribunais superiores. No início da noite, o ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, negou um novo recurso, apresentado na manhã de sexta 6 pela defesa do ex-presidente condenado.

Violência petista

O clima de confronto, provocado novamente pelo PT, desencadeou uma onda de violência em todo o País. Jornalistas e manifestantes contrários a Lula foram agredido por integrantes de movimentos sociais, como MTST e MST. O caso mais grave ocorreu na frente do Instituto Lula, na quinta 5, quando um homem sofreu traumatismo craniano durante um confronto iniciado em meio a chegada do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ao local. Àquela altura, Lula já havia saído do Instituto que leva o seu nome. A vítima foi empurrada por um petista não identificado e bateu a cabeça na caçamba de um caminhão que passava na rua. Ela teve que ser operada no Hospital São Camilo, situada nas proximidades. O caso foi registrado no 16º distrito Policial como lesão corporal. Segundo o último boletim médico, a situação da pessoa agredida era grave. Na mesma noite, repórteres e fotógrafos encarregados da cobertura da prisão de Lula sofreram agressões. Na sede da CUT, em Brasília, 30 manifestantes depredaram um carro do jornal Correio Braziliense. Um cinegrafista do SBT e um fotógrafo da agência internacional Reuters também foram hostilizados. Em São Bernardo do Campo, um fotógrafo da agência Estadão Conteúdo Nilton Fukuda foi atingido por ovos. A cena foi filmada e foi parar nas redes sociais. O agressor vestia camiseta da CUT. Entidades jornalísticas, como Abert, Abraji, Aner e ANJ, repudiaram as agressões. “Inaceitável”, disse a Abraji em nota.

A ousadia petista chegou a sugerir a paralisação do País em protesto contra a prisão de seu maior líder. No Paraná, mais de 360 trechos de rodovias estaduais e federais foram bloqueados por militantes da CUT e do MST. Mas ficou por isso mesmo. As ações não prosperaram em outras regiões. O atentado mais insolente ocorreu na tarde de sexta-feira 6. Três ônibus da CUT pararam em frente ao prédio onde reside a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, em Belo Horizonte, e jogaram tinta vermelha nas paredes externas, manchando a fachada. Conforme o coordenador do MST em Minas, Silvio Netto, o protesto foi uma forma de mostrar que os trabalhadores estavam dispostos a lutar. “Cármen Lúcia se tornou a inimiga número um dos mineiros”, disse. Segundo o movimento, cerca de 450 sem-terra participaram da manifestação.

Cela especial

Se as exigências de Lula forem frustradas e ele for levado para Curitiba, na sede da PF, o petista será acomodado numa sala especial com 15 metros quadrados e banheiro privativo, normalmente utilizada por agentes da PF de outros estados em missões no Paraná. No local, um beliche foi retirado para a colocação de uma mesa e cadeiras. Uma cama simples foi mantida. O cômodo não possui grades, tem janela voltada para o corredor e dispõe de câmeras internas, com monitoramento e guardas na porta por 24h.

Em Curitiba, Lula ficará completamente separado dos demais presos, que ocupam a carceragem no segundo andar. Na sede da PF, estão outros sete investigados da Lava Jato, entre eles o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Lá, o petista terá direito a duas horas diárias de banho de sol, em momento distinto dos demais presos. A intenção é realmente evitar que o ex-presidente tenha contato com outros detentos. Outra regalia: o presidiário não precisará usar uniforme, como é usual no sistema prisional, e comerá a mesma marmita servida na carceragem. As visitas dos advogados são autorizadas quase que diariamente. Eles poderão levar livros, roupas, cobertores e alguns alimentos. Tudo será inspecionado por policiais federais antes da entrada na sala especial. As visitas de parentes acontecerão às quartas-feiras. De acordo com o chefe da equipe de custódia e escolta da PF de Curitiba, Jorge Chastalo: “A sala é simples, mas tranquila e agradável, bastante humanizada”. Lula começa a experimentar uma vida de detento, mas com um tratamento bem melhor do que o dispensado aos demais. Uma tradição à brasileira.

A primeira prisão de Lula

Em 19 de abril de 1980, há exatos 38 anos , Lula, então líder sindical à frente de uma greve de metalúrgicos na região do ABC, foi preso e levado ao Dops, em São Paulo, onde ficou 31 dias detido por ter sido enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Era o auge do regime militar. A greve organizada por ele, que presidia o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde desta vez se entrincheirou, tinha como objetivo a reposição salarial e redução de jornada. Ao desafiar os militares, o ex-presidente estava ciente de que poderia ir para prisão a qualquer momento. Chegou a ser orientado a deixar o País, mas não quis. Foi preso no 17º dia da paralisação. Na época, outras 12 pessoas do movimento sindical também foram presas. Lula chegou a ser condenado por “incitação à desobediência coletiva das leis”, mas, pouco tempo depois, o Superior Tribunal Militar (STM) anulou todo o processo. Em depoimento na Comissão Nacional da Verdade, em 2014, Lula afirmou que sua prisão foi uma motivação para a greve continuar. Na cadeia, Lula ficou sob a vigilância do então delegado Romeu Tuma, que nunca maltratou o ex-presidente no cárcere. Pelo contrário, o petista foi liberado até para ir ao enterro da mãe, Eurídice Ferreira de Mello, a dona Lindu.

Lula é o sexto ex-presidente brasileiro a ser preso e o primeiro a cumprir pena por um crime comum. Ao longo da história do País, quatro ex-presidentes foram condenados após deixar o cargo. O marechal Hermes da Fonseca (1855-1923) permaneceu encarcerado por seis meses por decisão do então presidente Epitácio Pessoa. Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, Arthur Bernardes (1875-1955) ficou detido por dois meses. Outras duas prisões de ex-presidentes aconteceram no período de exceção do regime militar. Juscelino Kubitschek (1902-1976) foi detido em 13 de dezembro de 1968, dia de emissão do Ato Institucional Número 5 (AI-5). Passou nove dias em um quartel e um mês em prisão domiciliar.

Jânio Quadros (1917-1992) também foi detido em 1968. Passou 120 dias encarcerado em Corumbá (MS). Apenas Washington Luís (1869-1957), da foto ao lado, foi detido ainda no exercício da função. Deposto pela Revolução de 1930 e forçado a abandonar o Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Viveu anos no exílio antes de retornar ao País.

Texto e imagens reproduzidos do site: istoe.com.br

Lula: “Estou à disposição. Eles que me busquem aqui”

Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos, com o deputado
Paulo Pimenta (PT), o ex-chanceler Celso Amorim,
o senador Lindbergh Faria (PT) e a deputada
 Manuela D'Ávila (PCdoB)

Publicado originalmente no site do Jornal do Brasil, em 07/04/2018 

Lula: “Estou à disposição. Eles que me busquem aqui”

Tereza Cruvinel - Jornal do Brasil

As negociações entre advogados e Policia Federal sobre a efetivação da prisão do ex-presidente Lula serão retomadas nesta manha, antes da missa por dona Marisa, marcada para 9h30min.  Pode ser que ele se entregue depois da missa, mas pode haver acordo para que isso só aconteça na segunda-feira. Até lá, o ministro Edson Fachin já teria decidido sobre a reclamação apresentada pela defesa contra o fato de o juiz Sergio Moro não ter esperado a conclusão da análise de embargos no TRF-4.

Segundo a deputada Jô Morais (PC do B- MG), que ficou até tarde da noite no Sindicato dos Metalúrgicos, Lula manteve a serenidade o tempo todo e dele ela teria ouvido.

- Estou à disposição. Eles que me busquem aqui.

Um auxiliar do presidente disse ao JB, mais cedo, que Lula “não tem sequer dinheiro para ir de avião para Curitiba”, pois Moro bloqueou todas as suas contas.

Por isso, a tal “logística” da prisão também vem sendo discutida. A PF teria que se encarregar de todos os aspectos operacionais de sua prisão e tralado  para Curitiba.

Texto e imagem reproduzidos do site: jb.com.br

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Lula disse que prisão era "absurdo" e "sonho de consumo"...

 

Publicado originalmente no site IG, em 05/04/2018

Lula disse que prisão era "absurdo" e "sonho de consumo" de Sérgio Moro

Por iG São Paulo

Ex-presidente afirmou durante entrevista na rádio CBN, logo após a ordem de prisão, que as pessoas querem ver ele passar pelo menos um dia na cadeia.

O ex-presidente Lula chamou a ordem de prisão de "absurdo" e um "sonho de consumo" do juiz Moro e de pessoas que querem vê-lo passar "um dia preso". As afirmações do petista aconteceram logo após ele ficar sabendo do despacho que concedeu a ele o prazo até às 17h desta sexta-feira (6) para se entregar.

Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, comentarista da CBN e colunista do Portal iG, o ex-presidente Lula condenou a ação do juiz por não ter esperado a conclusão do julgamento no TRF-4, já que ainda havia um recurso a ser julgado no dia 09 deste mês.

Lula disse que acha que Moro decidiu pela sua ordem de prisão em reação à liminar apresentada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, no âmbito de ação no Supremo Tribunal Federal (STF) de efeito geral.  Segundo o ex-presidente, ao saber que o ministro Marco Aurélio Mello poderia conceder a liminar pedida por Kakay, o juiz teria se antecipado e decretado sua prisão. O ex-presidente afirmou ainda que estava a caminho do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo onde muitos "companheiros estão reunidos" para um ato. Lula não informou se faria algum tipo de pronunciamento.

O juiz Sérgio Moro ordenou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deu prazo até as 17h desta sexta-feira (6) para o petista se entregar. O despacho do juiz da Lava Jato foi proferido às 18h desta quinta-feira (5), menos de 24 horas após o Supremo Tribunal Federal (STF) abrir caminho para a prisão de Lula ao rejeitar o habeas corpus de sua defesa.

Responsável por condenar, na primeira instância, o ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP), Moro concedeu prazo para Lula se entregar voluntariamente apontando a "dignidade do cargo que ocupou. O juiz de Curitiba também proibiu que sejam utilizadas algemas no ex-presidente.

“Relativamente ao condenado e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até as 17h do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão. Vedada a utilização de algemas em qualquer hipótese", determinou o juiz da Lava Jato.

A maioria dos ministros do STF decidiu nesta quarta-feira (4) que o juiz Sérgio Moro poderia ordenar a prisão imediata de Lula tão logo seu processo fosse encerrado no Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4).

Texto e imagem reproduzidos do site: ig.com.br

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Supremo nega habeas corpus por 6 a 5 e abre caminho para prisão

Em sessão tensa que durou quase 11 horas, 
o Supremo negou o pedido do ex-presidente Lula

Em um voto ambíguo, Rosa Weber frisou 
que respeitaria o princípio da colegialidade

Publicado originalmente no site do Jornal do Brasil, em 05/04/2018

Supremo nega habeas corpus por 6 a 5 e abre caminho para prisão de Lula

Jornal do Brasil

Em um sessão tensa e que durou quase 11 horas, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou ontem, por 6 votos a 5, o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abriu caminho para a prisão do petista. Condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex de Guarujá, Lula aguarda agora último recurso no próprio tribunal.

Coube à presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, o voto de desempate, negando o pedido do ex-presidente. Votaram contra o habeas corpus, além de Cármen, os ministros Edson Fachin, relator do caso, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux.

Considerada incógnita do julgamento, Rosa Weber frisou que respeitaria o princípio da colegialidade.

A defesa de Lula havia recorrido ao STF para que o petista aguardasse em liberdade até o esgotamento de todos os recursos ou, ao menos, uma decisão final do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Gilmar Mendes,'que foi o primeiro a votar a favor do habeas corpus, defendeu a tese de que o petista, caso beneficiado, ficasse em liberdade até o julgamento de recurso pelo STJ. Também foram a favor do pedido os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello, decano da Corte.

Gilmar Mendes antecipou seu voto e foi o segundo a julgar, logo após o relator, porque viajou em seguida para Lisboa, onde encerra hoje um seminário.'

Na Esplanada dos Ministérios, ao longo do dia, houve manifestação a favor e contra o pedido do petista.

Em um voto ambíguo, Rosa Weber - que já se declarou contrária à possibilidade de prisão após condenação em segundo grau - frisou que respeitaria o princípio da colegialidade e da estabilidade da jurisprudência do tribunal, mesmo tendo feito parte da corrente minoritária no julgamento de outubro de 2016.

"As vozes individuais são importantes no debate, mas uma vez estabelecida uma voz coletiva através de decisões majoritárias - melhor seriam unânimes -, essa passa a ser a voz da instituição", disse Rosa, cujo voto foi acompanhado com apreensão pela defesa de Lula.

Indicada pela ex-presidente Dilma Rousseff ao STF em 2011, Rosa disse que o princípio da colegialidade é "imprescindível". "A colegialidade como método decisório em julgamentos em órgãos coletivos, impõe, a meu juízo, aos integrantes do grupo, da assembleia ou do tribunal, procedimento decisório distinto daqueles a que submetido o juiz singular", destacou Rosa.

O ministro Luís Roberto Barroso fez um discurso contundente de combate à impunidade. "Não me é indiferente se tratar aqui de um habeas corpus impetrado por um ex-presidente da república, como Luiz Inácio Lula da Silva, e mais do que isso de um presidente que deixou o cargo com elevados índices de aprovação popular e presidiu o país em período de relevante crescimento econômico e expressiva inclusão social. Não é entretanto o legado político do presidente que está aqui em discussão", observou Barroso.

"Eu acho que esse julgamento é um teste importante para o sentimento republicano, a democracia brasileira e o amadurecimento institucional, que é a capacidade de assegurar que todas as pessoas sejam tratadas com respeito, consideração e igualdade, o nosso papel aqui árduo como possa ser e muito acima de sentimentos pessoais é o de assegurar a razão. A razão pública, da constituição'por sobre as paixões políticas", prosseguiu o ministro.

Para Fux, o respeito à própria jurisprudência "é dever do Judiciário, porquanto uma instituição que não se respeita não pode usufruir do respeito dos destinatários de suas decisões, que é a sociedade e o povo brasileiro".

Durante a sessão, ministros pressionaram e criticaram duramente a presidente do STF por não ter levado a julgamento antes duas ações de relatoria do ministro Marco Aurélio Mello que tratam da possibilidade de execução provisória de pena, como a prisão, após condenação em segunda instância. Por serem ações de controle de constitucionalidade, o entendimento valeria não apenas para Lula, mas para todos os investigados.

"Em termos de desgaste a estratégia não poderia ser pior", disse Marco Aurélio à presidente do STF, a quem cabe definir a pauta das sessões plenárias da Corte.

Em dezembro do ano passado, Marco Aurélio liberou para julgamento as duas ações, cujo mérito ainda não foi apreciado pelo plenário da Corte. Uma das críticas feitas a Cármen foi que o plenário julgaria especificamente os pedidos de Lula antes de analisar a natureza constitucional do tema.

"Ao liberá-las, eu não diminuí o tribunal", provocou Marco Aurélio, em referência à fala de Cármen, que disse que utilizar o caso de Lula para revisar a decisão sobre prisão após segunda instância seria "apequenar" o tribunal.

"Eu trouxe (o caso de Lula para julgamento) porque se tratava de um HC (habeas corpus), caso subjetivo, com preferência constitucional como é da natureza, e isso foi dito aqui", rebateu Cármen. "E não foi nesse contexto que foi dito isso. O STF quando julga, julga as questões, e não se apequena diante desse ou daquele caso", completou a ministra.

Já definido o placar de 6 a 5 pela rejeição do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o plenário votou uma questão proposta pelo ministro Marco Aurélio Mello para decidir se o petista poderia aguardar em liberdade pelo menos até a publicação do acórdão do julgamento ou de um recurso contra a decisão de rejeição do habeas corpus. "Proponho que se aguarde publicação de acórdão e eventualmente colocação de embargos declaratórios", disse Marco Aurélio.

Por 8 a 2 eles decidiram negar essa possibilidade ao ex-presidente Lula. A defesa também queria que se pudesse aguardar até o julgamento das duas ações gerais que contestam como um todo a prisão de condenados em segunda instância - o que, na verdade, nem chegou a ser votado. Esses dois processos em questão são de relatoria do ministro Marco Aurélio Mello e ainda não tiveram o mérito analisado pelo plenário da Corte.

Texto e imagens reproduzidos do site: jb.com.br

quarta-feira, 7 de março de 2018

ARACAJU - Iate naufraga na Praia dos Artistas

Iate naufragou na Praia dos Artistas.
Foto: Corpo de Bombeiros

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em  06/03/2018

Velejador italiano sobrevive a naufrágio em Aracaju

Iate de Elio Somaschini naufragou na Praia dos Artistas

O iate do italiano Elio Somaschini naufragou na Praia dos Artistas, em Aracaju, nessa terça-feira, 6. O velejador abandonou a embarcação e conseguiu se salvar, nadando até a praia.

De acordo com informações do tenente-coronel Hecton Monteiro, do grupamento marítimo do Corpo de Bombeiros, a embarcação colidiu em um banco de areia da região conhecida como ‘Boca da Barra’. Com o impacto, o mastro foi danificado e a embarcação naufragou. Ao perceber a situação, o velejador deixou a embarcação e usando um colete nadou até a praia. Todos os pertences pessoais do velejador foram perdidos.

O velejador vinha da Base Naval de Aratu (Bahia), mas resolveu fazer uma parada na capital sergipana, por causa do seu aniversário, para depois seguir rumo a Natal (RN) e Estados Unidos.

Elio Somaschini é italiano, mas morou no Brasil durante muitos anos. Tem formação em física e há 16 anos mora na embarcação, tornando-se famoso pelas viagens ao redor do planeta.

Capitania dos Portos

A Capitania dos Portos informou que após o naufrágio, acionou uma equipe de Inspetores Navais para averiguar as primeiras informações e prestar apoio ao navegador.

Ainda de acordo com a Capitania dos Portos, a embarcação de 40 Pés encontra-se encalhada, sem perigo de poluição até o momento e o seu tripulante está a salvo, sem ferimentos e recebendo o auxílio.

As causas do acidente serão apuradas por meio de Inquérito Inquérito Administrativo Sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), com prazo de 90 dias.

Por Verlane Estácio

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br


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 Barco naufragou a 100 metros da praia
Foto: Reprodução/TV Sergipe


Móveis e utensilhos do barco foram parar na praia
Foto: Ana Fontes/TV Sergipe

Elio comemora aniversário em Aracaju como 
estava planejado antes do acidente
Foto: Reprodução/TV Sergipe

Publicado originalmente no site G1/SE, em 07/03/2018

Velejador italiano ganha festa de aniversário surpresa após naufrágio em Sergipe

Acidente interrompeu viagem de volta à América.

Por G1 SE

O velejador italiano, Elio Somaschi, de 69 anos, ganhou uma festa de aniversário surpresa após o iate em que ele estava naufragar próximo Praia dos Artistas, no Bairro Coroa do Meio, em Aracaju (SE). Ele era única pessoa a bordo e conseguiu escapar do acidente nadando cerca de 100 metros até a praia.

A festa foi realizada na noite desta terça-feira (6) e organizada pelo major do Corpo de Bombeiros, Hector Monteiro, membro das equipes de resgate que estiveram no local do acidente. Na casa do major, o velejador foi recebido pela família do bombeiro e do capitão dos Portos de Sergipe. “Sentir o apoio é reconfortante. A gente consegue recuperar as energias”, disse emocionado.

Antes do acidente o objetivo de Elio era jantar na capital sergipana para comemorar o aniversário. E em seguida, dar continuidade a viagem de volta à América, iniciada em julho de 2017, quando partiu do litoral de Santa Catarina.

Na manhã desta quarta-feira (7), o velejador prestou esclarecimentos sobre o acidente na sede da Capitania dos Portos de Sergipe. Ele ainda não tem data definida para deixar a capital sergipana, pois no naufrágio perdeu todos os documentos pessoais.

De acordo com a Capitania dos Portos, um laudo sobre o acidente deve ser concluído nos próximos 90 dias.

Clique no link para ver vídeo > https://glo.bo/2FrSgAz

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com