sábado, 11 de novembro de 2017

Referência na ciência política, Moniz Bandeira morre aos 81 anos

Moniz Bandeira é um dos pioneiros no 
estudo das Relações Internacionais.

Publicado originalmente no site da revista CartaCapital, em 10/11/2017 

Memória

Referência na ciência política, Moniz Bandeira morre aos 81 anos

Por Redação 

Indicado brasileiro ao Nobel, ele vivia na cidade alemã de Heidelberg, onde era cônsul honorário

Morreu nesta sexta-feira 10, em Heidelberg, na Alemanha, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, um dos mais notáveis intelectuais brasileiros e um pioneiro no estudo das Relações Internacionais.

Moniz Bandeira tinha problemas cardíacos e estava internado desde outubro. Ele morreu por volta das 14h na cidade alemã de Heidelberg, onde encontrava-se radicado e era cônsul honorário do Brasil. Ele deixa a mulher Margot Elisabeth Bender, de nacionalidade alemã, e o filho, Egas.

Em janeiro deste ano Moniz Bandeira concedeu uma entrevista a CartaCapital sobre seu último livro, A Desordem Mundial, no qual analisa as consequências para o resto do planeta das intervenções militares e diplomáticas dos Estados Unidos nas últimas décadas.

Moniz Bandeira era doutor em Ciência Política pela USP, professor aposentado de história da política exterior do Brasil na Universidade de Brasília e professor-visitante nas universidades de Heidelberg, Colônia, Estocolmo, Buenos Aires, Nacional de Córdoba e Técnica de Lisboa.

O cientista político era especialista em política exterior do Brasil, principalmente com a Argentina e os Estados Unidos. Em 2015, foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em reconhecimento pelo seu trabalho como "intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos".

No ano seguinte foi homenageado na UBE com o seminário "80 anos de Moniz Bandeira", ocasião em que sua obra foi destacada por importantes personalidades do meio acadêmico, político e diplomático

 Algumas de suas obras mais relevantes são Brasil, Argentina e Estados Unidos (Da Tríplice Aliança ao Mercosul) e Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque), pela qual ganhou o prêmio Juca Pato, ao ser eleito pela UBE, por aclamação, como Intelectual do Ano 2005.

Além de influente intelectual, Moniz Bandeira também teve uma importante trajetória de militância política. Filiado ao Partido Socialista Brasileiro, dentro do qual foi um dos organizadores da corrente Política Operário (Polop), acompanhou João Goulart em seu exílio no Uruguai após o golpe de 1964.

Clandestino em São Paulo, publicou em 1967 o livro O Ano Vermelho – Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil.  Em 1973, quando ele já estava outra vez preso, a Editora Civilização Brasileira lançou Presença dos Estados Unidos no Brasil (Dois séculos de História), que se tornou um clássico na área de relações internacionais. O livro foi traduzido para o russo e publicado na então União Soviética.

Durante o governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, nos anos 1980, Moniz Bandeira foi nomeado Diretor-Superintendente do Instituto Estadual de Comunicação.

Texto e imagem reproduzidos do site: cartacapital.com.br

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Há 50 anos, morria Che Guevara, ícone da Revolução Cubana


Há 50 anos, morria Che Guevara, ícone da Revolução Cubana

O argentino é uma das figuras mais controversas do século 20

Agência ANSA

Há exatos 50 anos, Ernesto Guevara de la Serna, ou simplesmente Che Guevara, era capturado e morto pelo Exército da Bolívia na cidade La Higuera, ao sudoeste de Santa Cruz de la Sierra. Passado meio século, o guerrilheiro continua sendo uma das figuras mais idolatradas e contestadas mundialmente.

Nascido na Argentina, no dia 14 de junho de 1928, Che era formado em medicina e chegou inclusive a atuar como repórter fotográfico, cobrindo os Jogos Pan-Americanos de 1953, no México. No entanto, seu amor pela política o motivou a abandonar a carreira de médico e jornalista.

Em suas viagens pela América Latina, ele presenciou a miséria que afetava os países do continente e, indignado com essa situação, começou a promover o comunismo. Em 1954, no México, conheceu o atual presidente de Cuba, Raúl Castro, que o apresentaria a Fidel Castro, dando início a sua vida de guerrilheiro.

Che Guevara começou a ser reconhecido pelas suas ações na Revolução Cubana (1953-1959), cujo objetivo era destituir o ditador Fulgencio Batista do poder em Cuba. Seguido por muitos rebeldes, o argentino virou um dos líderes do movimento e um dos principais dirigentes do país após a queda de Fulgencio, tendo sido embaixador, presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria.

Em 1965, Ernesto Guevara viajou ao Congo, na África, e retornou aos campos de batalha para promover os ideais da Revolução Cubana. Em seguida, após sua guerrilha fracassar no continente africano, partiu para a Bolívia, onde tentou montar uma base para atacar a Argentina.

Enfrentando dificuldades e sem conquistar o apoio de camponeses, Che foi capturado pelo Exército no dia 8 de outubro de 1967, em La Higuera, e morto no dia seguinte. Seus restos foram encontrados em 1997, enterrados em uma vala comum com outras ossadas.

Divisor de paixões ao redor do mundo, o guerrilheiro ainda é lembrado com carinho pela população de Cuba, onde seu rosto é presença constante em muros e painéis por todo o país. Seu mausoléu, situado na cidade de Santa Clara, atrai milhares de visitantes todos os anos. (ANSA).

Texto e imagem reproduzidos do site: jb.com.br

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Em carta, Palocci pede desfiliação do PT



Leia abaixo a íntegra da carta de Palocci à presidente do PT



Publicado originalmente no site do G1, em 26/09/2017

Em carta, Palocci pede desfiliação do PT: 'Somos um partido ou uma seita guiada por uma pretensa divindade?'

Político foi preso pela Operação Lava Jato e respondia a processo administrativo da legenda, por falas feitas contra o ex-presidente Lula.

Por Marcelo Rocha e Samuel Nunes, RPC Curitiba

Palocci envia carta ao PT com duras críticas e pedido de desfiliação

O ex-ministro Antônio Palocci enviou nesta terça-feira (26), uma carta ao Partido dos Trabalhadores (PT), em que pede a desfiliação da legenda. No documento de quatro páginas, ele descreve os motivos pelos quais resolveu deixar o partido que ajudou a fundar. A carta é endereçada à presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann. (Leia no fim do texto a íntegra da carta)

Na carta, Palocci diz que:

Defende um acordo de leniência na Lava Jato para o PT

As declarações dadas no depoimento a Moro “são fatos absolutamente verdadeiros”, situações que presenciou, acompanhou ou coordenou, “normalmente junto ou a pedido do ex-presidente Lula”
Diz ter certeza que Lula irá confirmar tudo, “como chegou a fazer no ‘mensalão’” em entrevista na França

Houve uma evolução e acúmulo de corrupções nos governos a partir do segundo mandato de Lula
Foi um choque ter visto “Lula sucumbir ao pior da política no melhor dos momentos de seu governo” Que foi um erro eleger e reeleger um mau governo, que destruiu “cada conquista social e cada um dos avanços econômicos tão custosamente alcançados”

Que Lula encomendou sondas e propinas em uma reunião com Dilma e José Sérgio Gabrielli no Palácio da Alvorada, “na cena mais chocante que presenciei do desmonte moral da mais expressiva liderança popular que o país construiu em toda nossa história"

Que passou a ser alvo de “um tribunal inquisitorial dentro do próprio PT” ao falar a verdade
Questiona “até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do ‘homem mais honesto do país’”

Questiona se “somos partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”

Que mesmo nos melhores anos do governo Lula “já se via a peçonha da corrupção se criando para depois tomar conta do cenário todo”

Palocci respondia a um processo aberto pelo diretório municipal de Ribeirão Preto, em São Paulo, em que era acusado de trair a fidelidade partidária. Ex-ministro dos governos Lula e Dilma, ele foi alvo de uma comissão de ética pelas declarações feitas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro, no dia 6 de setembro.

Na ocasião, ele disse que Lula mantinha um “pacto de sangue” com o empresário Emílio Odebrecht, o que incluía um pacote de R$ 300 milhões em propinas para o PT, além de agrados ao ex-presidente.

Na carta, Palocci faz uma série de críticas ao PT e ao ex-presidente Lula. O ex-ministro diz que estranhou o processo aberto contra ele, não pela condenação que já recebeu na Lava Jato, mas pelas declarações contra Lula. "Pensava ser normal que o partido procurasse saber as razões que levaram a tal condenação e minhas eventuais alegações. Mas nada recebi sobre isso", escreveu o ex-ministro.

Ele reafirma que todo o conteúdo do depoimento criticado pelo PT trata apenas da verdade dos fatos. O ex-ministro não entra em detalhes sobre o que sabe a respeito de ilegalidades, porque ainda negocia um acordo de delação com a Justiça. "De qualquer forma, quero adiantar sobre as informações prestadas em 06/09/2017 (compra do prédio para o Instituto Lula, doações da Odebrecht ao PT, ao Instituto Lula, reunião com Dilma e Gabrielli sobre as sondas e a campanha de 2010, entre outros) são fatos absolutamente verdadeiros", afirma.

Ele diz acreditar que, em breve, "o próprio Lula irá confirmar tudo isso, como chegou a fazer com o 'mensalão', quando, numa importante entrevista concedida na França, esclareceu que as eleições do Brasil eram todas realizadas sob a égide do caixa dois, e que era assim com todos os partidos".

Palocci diz que participou ativamente de todas as realizações do partido. "Sei dos erros e ilegalidades que cometi e assumi minhas responsabilidades. Mas não posso deixar de destacar o choque de ter visto Lula sucumbir ao pior da política, nos melhor dos momentos do seu governo", diz.

"Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do 'homem mais honesto do país' enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto (!!!) são atribuídos à Dona Marisa? Afinal, somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?", questiona.

Críticas ao jeito de governar

Além das críticas a Lula, o ex-ministro também falou sobre as gestões petistas e atacou o modo com que o PT conduziu as decisões governamentais.

"Alguém já disse que quando a luta pelo poder se sobrepõe à luta pelas ideias, a corrupção prevalece. Nada importava, nem mesmo o erro de eleger e reeleger um mau governo, que redobrou as apostas erradas, destruindo, uma a uma, cada conquista social e cada um dos avanços econômicos tão custosamente alcançados, sobrando poucas boas lembranças e desnudando toda uma rede de sustentação corrupta e alheia aos interesses do cidadão", disse em referência a Dilma.

Palocci diz que o PT acabou deixando uma herança ruim ao país. "Nós, que nascemos diferentes, que fizemos diferente, que sonhamos diferente, acabamos por legar ao país algo tão igual ao pior dos costumes políticos", afirmou.

Por fim, ele relembra a atuação política desde a fundação do PT e dos mandatos que recebeu. "Coordenei várias campanhas eleitorais, em vários níveis e pude acompanhar de perto a evolução de nosso poder e nossa deterioração moral. Assumo toda as minhas responsabilidades quanto a isso, mas lamento dizer que, nos acertos e nos erros, nos trabalhos honrados nos piores atos de ilicitudes nunca estive sozinho", diz.

Leniência partidária

Apesar das críticas, Palocci também fez sugestões ao PT. Ele diz acreditar que o melhor caminho para o partido é reconhecer os erros e buscar um acordo com as autoridades. "Há pouco mais de um ano, tive a oportunidade de expressar essa opinião de uma maneira informal a Lula e Rui Falcão, então presidente do PT, que naquela oportunidade transmitia uma proposta apresentada por João Vaccari, para que o PT buscasse um processo de leniência na Lava Jato", diz.

Ele diz que ainda acredita na proposta do PT, mas defende que o partido deva se rejuvenescer. "Depurar e rejuvenescer o partido será tarefa para nossos novos e jovens líderes. Minha geração talvez tenha errado mais do que acertado. Ela está esgotada. E é nossa obrigação abrir espaço a novas lideranças, reconhecendo nossas graves falhas e enfrentando a verdade. Sem isso, não haverá renovação", afirma.

O que Lula disse a respeito?

Quando Lula foi ouvido por Sérgio Moro, no dia 13 deste mês, ele afirmou que Palocci é mentiroso e inventou a história do “pacto de sangue” para agradar os responsáveis da Lava Jato com os benefícios de uma possível delação, ainda em análise. Para a defesa do ex-ministro, Lula é "dissimulado" e mudou de opinião após Palocci ter decidido "falar a verdade".

Em nota ao Jornal Nacional nesta terça-feira, o ex-presidente declarou que Palocci inventa acusações sem provas para obter um acordo de delação premiada. A defesa do ex-presidente afirmou, ainda, que o depoimento prestado por Palocci à Justiça, no começo de setembro, é repleto de contradições com relação ao depoimento que o ex-ministro já tinha prestado em maio deste ano e que a carta divulgada nesta terça-feira segue na mesma direção.

O que diz o PT?

Em nota, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, afirmou que Palocci mente. Para ela, o ex-ministro já está fora do partido "política e moralmente". "A forma desrespeitosa e caluniosa como se refere ao ex-presidente Lula demonstra sua fraqueza de caráter e o desespero de agradar seus inquisidores", afirma. Veja a íntegra da nota.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Corda em casa de enforcado


Texto publicado originalmente no site do Estadão, em 22 Setembro 2017

Corda em casa de enforcado.

Fernando Gabeira, O Estado de S.Paulo

Quanto tempo os políticos brasileiros vão levar para entender que o jogo acabou?
        
Como será o trabalho de Raquel Dodge? Eis uma pergunta que ainda não se pode responder. Quase todos se revelam – e às vezes se transformam – no curso dos acontecimentos.

A imprensa registrou a omissão da Lava Jato no discurso de posse de Dodge. De fato, ignorou algo de repercussão internacional. Mas talvez, diante de três componentes da mesa investigados pela Lava Jato, Dodge tenha preferido, como se dizia na infância, não falar de corda em casa de enforcado.

No momento atual, deve fazer correções nos acordos de delação premiada dos donos da JBS. E a decisão de Janot em denunciar Temer de novo deve ocupar o centro da cena. As previsões são quase unânimes de que Temer escapará na Câmara.

O Brasil continuará sendo dirigido por um homem acusado de dirigir uma organização criminosa, com o respaldo da Câmara. E não vejo grandes reações a isso no horizonte. A leitura da denúncia de Janot me dá uma pista para entender a passividade popular diante de mais uma denúncia rejeitada.

A denúncia afirma que o Brasil era dirigido por uma organização criminosa, no governo PT, e que a passagem do poder, pós-impeachment, mudou o comando do processo de corrupção. Em suma, houve uma troca de quadrilhas no topo do poder.

Imagino que as pessoas se perguntem: se o impeachment provocou apenas uma troca de quadrilhas, por que a queda de Temer não traria outra quadrilha ao governo? A sociedade tornou-se refém de um sistema político partidário fracassado.

Temer, segundo as pesquisas, está com 3,4% de aprovação. Alguns membros da quadrilha, Cunha, Henrique Alves e Geddel, além do operador Lúcio Funaro, estão presos. Os restantes, Padilha e Moreira Franco, foram denunciados. Sua expectativa é a estabilidade econômica e algum crescimento. Ele acha que com isso responde aos problemas específicos colocados pelo seu desgaste. Curioso como se aproxima do PT na supervalorização do crescimento material, uma espécie de cura para todos os crimes denunciados.

É um modo de pensar que exclui os valores democráticos e reduz as pessoas ao universo do consumo. A suposição é de que elas aceitam tudo, desde que estejam ganhando um pouco mais.

A denúncia será julgada naquele clima que conhecemos e avaliada de acordo com as orientações políticas de cada um. No entanto, o volume de informações existentes, a prisão de vários componentes do grupo, o realismo fantástico daquelas malas cheias de dinheiro de Geddel... Tudo isso não sai da memória tão cedo. Como não saiu o deputado Rocha Loures correndo com a mala da pizzaria. A cena foi repetida tantas vezes que, no final, eu mesmo dizia: lá vai o Rocha Loures com sua mala a caminho do táxi.

Mesmo sendo leigo em Direito Penal, a gente ouve falar em quadrilha, vê tanta mala cheia de dinheiro, pensa em quadrilha. E até hoje não há explicação para elas, uma fortuna familiar, um novo modo de entregar pizzas. As malas são concretas, as contas no exterior, apenas dados bancários.

Muita gente pensa que a rejeição da denúncia passará em branco talvez porque espere demonstrações de rua. Hoje o descontentamento é crônico e às vezes aparece pontualmente, em palcos, gritos de “fora Temer”. Daqui a pouco, os 3% vão-se embora, ficam 0,4%.

Até as forças de oposição parecem contentar-se com Temer sangrando. E alguns analistas chegam a prever uma vitória da corrupção, com mudanças na Lava Jato. Nem todos os dados estão lançados. A descoberta dos R$ 51 milhões com a impressão dos dedos de Geddel, isso ainda vai ser explicado. Não é possível que se apreenda tanto dinheiro, um recorde histórico, e não se explique sua origem.

De todas as maneiras, creio, o Brasil vai tentar se livrar desse gigantesco esquema de corrupção que domina o País e foi revelado, na maioria de seus lances, com muita competência pelas investigações.

O The Guardian reproduziu esta semana uma matéria portuguesa falando dos empreiteiros envolvidos na Lava Jato que compraram imóveis para garantir um visto de residência definitiva por lá. Está dentro da lei portuguesa que estimula o investimento imobiliário no país.

Mas as manchetes revelam o interesse internacional pela Lava Jato, mesmo fora da América Latina, onde, com dinheiro do BNDES, a Odebrecht fez um estrago. Recentemente, os bancos suíços admitiram, no pós-Lava Jato, uma mudança de regras no sentido de tornar mais difícil o fluxo de dinheiro da corrupção. Um ganho planetário, uma vez que os brasileiros não descobriram o caminho nem foram os únicos a usar bancos suíços.

Além do apoio popular, são muitas as razões para achar a Lava Jato irreversível. Colocaram o bode na sala e simplesmente será impossível ignorá-lo.

Não sei como o País reagiria se fosse golpeado em sua expectativa de julgamento dessas quadrilhas. Muitos políticos continuam contando com a paciência popular. Não percebem que, ultrapassados certos limites, eles próprios podem pôr-se num risco maior que a prisão.

Supor que ainda possam prevalecer diante da Lava Jato e a pressão popular imaginar o País derrotado por um sistema político-partidário arruinado moralmente é lembrar o pior dos mundos. O triunfo do agonizante sobre uma sociedade cada vez mais informada.

Estou consciente de que minha calma se baseia numa análise mais ampla. Peripécias podem acontecer. Como a delação da JBS, que se mostrou um erro, apesar das provas colhidas.

-15Todos foram informados de que o Brasil foi dirigido por quadrilhas. É importante encontrar um desfecho legal e pacífico para essa descoberta. A teimosia dos políticos em combater a Lava Jato pode levar não só a reações violentas, como também estimular discursos de intervenção militar, muito presentes nas redes sociais.

Apesar da confiança no rumo geral, há esta inquietação tática: quanto tempo os políticos vão levar para compreender que o jogo acabou?

*Jornalista

Texto reproduzido do site: estadao.com.br

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O sucesso do menino que ensina crochê na web

 Junior Silva faz sucesso na internet ensinando crochê.
Foto: Arquivo Pessoal/Junior Silva.

Menino de 12 anos afirma que costurar crochê é sua paixão
Foto: Arquivo Pessoal/Junior Silva.

Publicado originalmente no site G1, em 08/09/2017.

Menino que ensina crochê na web 'reconquista' mais de 90 mil seguidores em uma semana

Junior Silva de 12 anos teve perfil com 50 mil seguidores removido definitivamente pelo Facebook. 'Emocionante demais ter conseguido tudo de novo', diz garoto de Iaras.

Por Paola Patriarca, G1 Itapetininga e Região

Uma semana após ter o perfil com 50 mil seguidores removido definitivamente do Facebook, o adolescente Junior Silva conquistou na nova página criada pela mãe mais de 90 mil seguidores, até a manhã desta sexta-feira (8), quase o dobro do que tinha. O menino de 12 anos, que mora em Iaras (SP) e faz sucesso na web ensinando crochê, afirma que a experiência mostrou que tudo dá certo pra quem faz o que gosta, acredita e se dedica de coração.

“É emocionante demais ver que em uma semana tenho mais do que tinha. Estou muito feliz de ter tudo de novo. Na época fiquei tão triste, pensei em desistir, mas isso mostra que tudo dá certo pra quem faz de coração o que gosta. Eu quero continuar fazendo meus vídeos e ensinando as pessoas a fazer crochê. Sensação é de dever cumprido. E agora eu vi que estou ficando famoso mesmo”, afirmou o garoto ao G1.

O perfil do Junior foi removido em 29 de agosto e, na época, o adolescente contou que ficou "arrasado".

O Facebook informou que os padrões da comunidade não permitem que menores de 13 anos tenham um perfil. A assessoria da rede social informou, por telefone, que há possibilidade de alguém ter denunciado o perfil. Com isso, a mãe dele criou uma nova página e passou a administrar o conteúdo.

Para Denise Vieira, a conquista do filho é motivo de alegria para todos da família. Além de conquistar o dobro de seguidores na página em que ela criou, ela conta que teve vídeo que atingiu mais de 900 mil visualizações.

“Eu estou muito feliz e como agora estou administrando o conteúdo estou vendo o quanto vai aumentando os seguidores a cada minuto e tem gente de tudo quanto é cidade. Estou ajudando a gravar os vídeos e postar as coisas. Tem gente até de outro país. É sensacional isso. Fico muito feliz pelo meu filho e darei todo o apoio para ele”, ressalta.

Ainda segundo o adolescente, ele está postando vídeos diariamente e em uma semana já costurou mais de 10 tapetes de crochê. O objetivo é continuar fazendo o que gosta: costurar e gravar vídeos.

“Eu amo fazer crochê e tudo que aconteceu comigo fez perceber mais ainda isso. Muito , muito feliz”, ressalta.

‘Minha paixão’

Pelo menos três vezes por semana a agulha, o crochê e o celular fazem parte da rotina do adolescente Junior Silva. Além de postar vídeos no Facebook, ele tem um canal no Youtube com mais de 3 mil inscritos.

Segundo o adolescente, tudo começou quando ele aprendeu a fazer crochê com sua avó e tia, e postou uma foto de um tapete nas redes sociais.

“Eu sempre achei muito interessante ver que com a agulha e o crochê coisas muito bonitas podiam surgir. No ano passado pedi para elas me ensinarem e aprendi rápido. Postei uma foto na internet e muitos começaram a me perguntar como tinha feito. Foi aí que surgiu a ideia de começar a gravar os vídeos para ensinar as pessoas”, conta. Os vídeos são gravados na própria casa do Junior e editados por ele.


Para o “crocheteiro”, costurar representa diversão e uma forma de ensinar outras pessoas a fazer decorações diferentes para a casa.

“Para mim é uma diversão. Eu amo ensinar as pessoas e ter esse contato pela internet. Com o crochê você pode fazer várias coisas. E muita gente fala que é não é coisa de criança e de menino, mas eu acho que é sim. Eu amo fazer. Costurar é minha paixão”, diz.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com/sao-paulo

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Acesse link para assistir vídeo e ver + fotos na reportagem original:

domingo, 30 de julho de 2017

Políticos não têm interesse em combater a corrupção, diz Moro


Publicado por BNews, em 30 de Julho de 2017.

Políticos não têm interesse em combater a corrupção, diz Moro.

Por Redação BNews | Fotos: Reprodução

Para o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, falta interesse da classe política brasileira em combater a corrupção.

"Lamentavelmente, eu vejo uma ausência de um discurso mais vigoroso por parte das autoridades políticas brasileiras em relação ao problema da corrupção. Fica a impressão de que essa é uma tarefa única e exclusiva de policiais, procuradores e juízes", afirmou Moro em entrevista concedida à Folha e a outros integrantes do grupo internacional de jornalismo colaborativo "Investiga Lava Jato" – o jornal é um dos coordenadores da iniciativa.

Rebatendo críticas sobre o fato de ter fixado benefícios para réus que ainda estão negociando delação premiada, o juiz afirmou que "o direito não é uma ciência exata".

Segundo ele, a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mostra que não há investigações seletivas contra o PT.

Moro defendeu ainda o levantamento do sigilo da interceptação telefônica da conversa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a então presidente Dilma Rousseff, em 2016. Segundo o magistrado, "as pessoas tinham direito de saber a respeito do conteúdo daqueles diálogos".

Sobre as provas utilizadas na condenação de Lula usando apenas “presunções”, Moro ainda disse: Teoricamente, uma classificação do processo penal é a da prova direta e da prova indireta, que é a tal da prova indiciária. Para ficar num exemplo clássico: uma testemunha que viu um homicídio. É uma prova direta. Uma prova indireta é alguém que não viu o homicídio, mas viu alguém deixando o local do crime com uma arma fumegando. Ele não presenciou o fato, mas viu algo do qual se infere que a pessoa é culpada. Quando o juiz decide, avalia as provas diretas e as indiretas. Não é nada extraordinário em relação ao que acontece no cotidiano das varas criminais.

Texto e imagem reproduzidos do site: bocaonews.com.br

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Gerente da Caixa se senta no chão p/atender homem c/deficiência...


Cidadania.

Gerente da Caixa se senta no chão para atender homem com deficiência e foto viraliza.

Por Vicente Carvalho

Gerente da Caixa foi fotografado atendendo um senhor com deficiência de igual para igual: sentado no chão e olhando em seu olho.

É interessante como pequenos gestos de gentileza e humanidade ganham tamanha repercussão, a explicação mais “óbvia” é que esses gestos não são vistos frequentemente, e o que devia ser regra vira exceção, mas acho que é um pouco mais complexo que isso.

Certa vez publicamos sobre a Lawane Rodrigues, que ajudou um cadeirante a tomar sorvete no McDonald’s e a foto repercutiu imensamente – relembre aqui, ou ainda a de uma aeromoça chinesa que ajudou um senhor a se alimentar durante o voo – relembre aqui.

Dessa vez uma história similar aconteceu em Volta Redonda, microrregião do Vale do Paraíba Fluminense, no Rio de Janeiro, onde a Isabel Paiva, de 54 anos, presenciou uma cena emocionante.

Um senhor na faixa dos 50 anos, com pernas amputadas, entrou na agência da Caixa Econômica Federal da Avenida Amaral Peixoto e muito gente ignorou a presença dele, e então o Luis Claudio, abordou o senhor para ajudá-lo e para que ele não ficasse na fila. Mais um detalhe fez toda a diferença: mesmo de roupas formais, como camisa e calça social, ele se sentou no chão para conversar mais tranquilamente com o senhor, sem se importar se ia sujar sua roupa de trabalho.

“Nem sabia que ele era gerente quando fotografei”, disse Isabel em conversa ao Razões para Acreditar, ela só soube quem era posteriormente, quando foi atendida na agência pelo próprio Luis Claudio. “Achei lindo o gesto, me emocionei, ele [o gerente] foi muito gente boa, todo arrumado sentou no chão, fazendo seu trabalho com muita alegria”.

Ela contou também Razões que viu o Luis pegando seus documentos e conversando com o cliente, e que parecia uma conversa agradável, pois os dois sorriam. A publicação já recebeu quase 20 mil reações no Facebook e centenas de comentários parabenizando pelo gesto:

Perguntamos se ela imaginava o motivo  da publicação estar ganhando tanta repercussão, Isabel disse: “Penso que pelo fato de não encontrarmos mais pessoas tão solidárias e humanas no sentido real da palavra. As pessoas costumam agir assim, infelizmente, somente com pessoas que possam lhe trazer algum retorno.” Eu argumentei com ela dizendo que talvez não vejamos com tanta frequência esses gestos porque não se publicam tanto, mas que o exemplo é uma poderosa ferramenta mobilizadora. Por isso foi importante o que ela fez de publicar, ela concordou.

Isabel disse ainda que procurou o Luis para parabenizá-lo e pedir autorização para publicar, e quando lhe elogiou ele disse: “Somos todos iguais, não sou melhor que ninguém… posso ser talvez pior!” E sorriu.

Fica aqui nossa felicidade em compartilhar momentos simples, mas poderosos como esse. E fica aqui o convite: sempre que você ver momentos como esse, não hesite em nos mandar, pode ser pelo inbox da nossa fanpage aqui.

ATUALIZAÇÃO 1.

Recebemos essa correção da Andréa Goldberg:

“Não se usa há muitos anos o termo “homem deficiente” e sim homem com deficiência. Isso porque ele não é sua deficiência. Ela é apenas uma característica que compõem a pessoa que ele é. Assim dizemos pessoa com deficiência física, visual, mental, intelectual e por aí vai. No caso de abreviar deve ser PcD, com a letra c minúscula. Importante dizer que a questão da nomenclatura foi mudando com o tempo e também com a quebra de paradigmas. E mais, as próprias pessoas com deficiência quem pediram para serem chamadas dessa forma e não mais deficientes, portadoras de deficiência, pessoas com necessidades especiais. Nas leis, muitas vezes, ainda encontraremos essas terminologias, pois alterá-las nos papéis seria um trabalho gigantesco. Por isso que ainda encontramos nomenclaturas que não são mais utilizadas. Porém o correto hoje é pessoa com deficiência e por isso, na legenda da publicação deveria ser homem com deficiência física. Talvez lhe pareça uma besteira, mas quando falamos em inclusão, o uso das terminologias corretas faz toda diferença e representa também mudança de hábitos e paradigma.”

Pra gente não é besteira Andréa! Já editamos e pedimos desculpa pelo erro.

ATUALIZAÇÃO 2.

O Luis Cláudio, Gerente da Caixa, concedeu entrevista ao Extra, e disse:

“A gente faz isso todo dia. Me porto como o cliente precisa. Seu José é um ser humano incrível. Já o atendi outras vezes. Ele veio cadastrar uma senha e uma outra cliente depois me contou que tinha feito a foto. Nem sabia que ia postar e dar essa repercussão toda. Acho que a gente não é melhor que ninguém. Eu precisava sentar para atendê-lo bem. Faz parte da minha obrigação. É também uma necessidade. Eu não me sentiria bem atendendo ele de pé e ele seria mal atendido. Me espantei muito com tudo isso porque era um atendimento corriqueiro, normal. Mas fico feliz com o reconhecimento”.

Ainda segundo Luis, a presidência da Caixa Econômica Federal entrou em contato com ele para parabenizá-lo pelo ato.

Crédito de capa: Isabel Paiva – Reprodução autorizada.

Texto e imagem reproduzidos do site: razoesparaacreditar.com

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Justiça tenta apreender o papagaio de D. Izaura, 94 anos

O papagaio Leozinho na casa de sua dona, Izaura,
em Cajazeiras, no sertão da Paraíba
Arquivo Pessoal.

Publicado originalmente no site da Folha de S. Paulo, em 23/07/2017.

Ibama recorre mais uma vez à Justiça para apreender o papagaio Leozinho
              
Por Frederico Vasconcelos, de São Paulo. 

O Ibama (ligado ao Ministério do Meio Ambiente) recorreu à Justiça na quinta (20), em mais uma tentativa de apreender o papagaio Leozinho, que vive há 22 anos com Izaura Dantas, 94, uma idosa que mora sozinha em uma casa de Cajazeiras, na Paraíba.

O recurso é a peça mais recente de uma longa disputa judicial, apesar do entendimento de que afastar o animal do ambiente doméstico, para devolvê-lo a seu habitat ou entregá-lo a um zoológico poderá provocar a morte da ave ou agravar os problemas de saúde de sua dona.

Dona Izaura não tem filhos e vive com o papagaio e um cachorro. Em 2010, o Ibama recebeu uma denúncia anônima e tentou apreender o pássaro. Izaura teve uma crise de hipertensão e os sobrinhos recorreram à Justiça.

Uma medida provisória sustou a apreensão. Essa sentença foi mantida pelo Tribunal Regional Federal, no Recife, e pelo Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

Pela lei, a posse de animais silvestres em cativeiro é crime e infração administrativa. Até agora, porém, o Ibama não obteve sucesso. Leozinho ficou famoso e foi até alvo de reportagem no "Fantástico".

"Mesmo sendo crime a posse do animal, a melhor interpretação da lei deve evitar um dano ainda maior: o animal não vai se adaptar e dona Izaura pode ter um pico de pressão", diz o advogado João de Deus Quirino Filho, que representa a família.

O Ibama pretende que o ministro Og Fernandes, relator no STJ, reconsidere sua decisão provisória ou submeta o caso ao plenário.

O tribunal regional constatou que o papagaio "está totalmente adaptado ao ambiente doméstico e não há indícios de maus-tratos". Não seria razoável, retirá-lo de sua dona após tanto tempo, diz Fernandes, que está em férias e só poderá examinar o recurso em agosto.

Texto e imagem reproduzidos do site:  folha.uol.com.br

domingo, 23 de julho de 2017

Jovem é presa na Arábia Saudita por usar minissaia

Reprodução/Reprodução.

Publicado originalmente na revista Veja, em 18 jul 2017.

Jovem é presa na Arábia Saudita por usar minissaia.

Detenção aconteceu depois da publicação de um vídeo nas redes sociais em que a mulher caminha por um sítio histórico local trajando "roupas imodestas".

Por Da redação 


Uma mulher foi presa na Arábia Saudita após a publicação de um vídeo nas redes sociais em que caminha por um sítio histórico local trajando minissaia e top. A imprensa saudita informou nesta terça-feira que a jovem foi detida por usar “roupas imodestas”, que contrariam o conservador código de vestimenta islâmico do país.

A polícia encaminhou o caso para o Ministério Público, de acordo com a conta oficial do Twitter do canal de televisão estatal Al Ekhbariya. A mulher, cujo nome não foi divulgado, será interrogada por um representante da Justiça, que vai decidir se ela permanecerá detida e se será aberto um processo.

Na Arábia Saudita, país ultraconservador, as mulheres devem se vestir em público com uma abaia preta, o traje tradicional que as cobre dos pés à cabeça. Em várias sequências do vídeo, que foi postado no fim de semana na conta de Snapchat de uma modelo chamada “Khulood”, pode-se ver uma mulher de cabelos longos, sem véu, usando minissaia, top e óculos escuros. Ela caminha pelo forte histórico de Ushaiqir, a cerca de 200 quilômetros a noroeste da capital Riad, na província de Najd, uma das regiões mais conservadoras da Arábia Saudita.

A Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício pretende adotar as medidas necessárias contra essa “transgressão da ordem moral” e uso de “traje indecente”, segundo um porta-voz da polícia religiosa em um tuíte.

O vídeo causou alvoroço nas redes sociais, e algumas pessoas pediram que a mulher fosse presa e processada por violar as leis do reino, que exigem que todas as mulheres, incluindo estrangeiras, usem roupas longas e soltas em público. Se forem muçulmanas, devem também  usar lenço e véu cobrindo a cabeça.

Os jornais locais, que publicaram a imagem borrada da mulher, por ser considerada indecente, relataram que ela “confessou” visitar a aldeia histórica com seu guardião masculino. Um porta-voz da polícia de Riad disse aos jornalistas que ela, no entanto, negou que tenha publicado o vídeo e disse aos oficiais que a conta do Snapchat não pertence a ela.

(com AFP).

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 ASSIM NÃO - Saudita diz que não autorizou 
a divulgação de vídeo “obsceno”.
Divulgação.

Publicado originalmente na revista Veja, em 22 jul 2017.

Por baixo da abaia

Jovem é presa na Arábia Saudita por aparecer com roupa curta, mas sua liberação rápida não significa que o país avance rápido no direito das mulheres

Por Da redação

A prisão de uma jovem saudita nesta terça-feira reacendeu a discussão em torno do código de vestimenta imposto às mulheres na Arábia Saudita. A mulher, identificada somente como Khulood, foi detida por aparecer usando uma saia acima do joelho e uma blusa curta em vídeos exibidos em uma rede social.

No país, é proibido que as mulheres locais saiam em público sem uma vestimenta longa que cubra seu corpo inteiro, conhecida como abaia, e sem cobrirem a cabeça.  A jovem em questão foi libertada após um interrogatório de algumas horas. Khulood afirma que os vídeos foram postados sem seu conhecimento.

A edição de VEJA desta semana mostra como a história ilustra a pressão que a sociedade civil tem feito no país para dar mais liberdade às mulheres.

Em anos recentes, outras mulheres já foram presas por desobedecerem a lei do país, que é bastante restritiva com relação aos direitos femininos. Um dos casos mais notórios é o da autora Manal al-Sharif, que teve de deixar a Arábia Saudita após enfrentar a proibição de dirigir. “Eles querem que você viva com medo”, diz Manal.

Texto e imagens reproduzidos do site: veja.abril.com.br

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Leila Diniz (1945 - 1972)




Texto publicado originalmente no site  Acervo O Globo, em 26/07/13.

Acervo jornal “O Globo” - Fato Histórico – Cultura.

Atriz Leila Diniz, musa da liberação feminina no país, morre na Índia em 72 .

Avião em que viajava explodiu quando voltava de festival de cinema na Austrália. Ela desafiou a moral brasileira dos anos 60 e se tornou um símbolo da 'nova mulher'.

Um acidente de avião na Índia matou, em 14 de junho de 1972, a atriz e musa carioca Leila Diniz, estrela de filmes como "Todas as mulheres do mundo" (1966), dirigido por Domingos de Oliveira, seu marido na época. Leila voltava de uma viagem à Austrália, onde fora premiada em um festival de cinema, quando o avião da Japan Airlines explodiu, próximo a Nova Déli, na Índia.

Na edição do dia 16 de junho de 1972, O GLOBO publicou a notícia da morte da atriz em sua primeira página. "Ipanema chorou: Leila estava mesmo no avião", era o título da chamada principal, acima da manchete do jornal. O texto informava que, na véspera, um domingo, os amigos de Leila ainda rezaram de manhã para que a notícia fosse desmentida, mas ao meio-dia foi confirmada.

Três anos antes, Leila havia sido alçada à porta-voz da liberação feminina no país. Desafiando a moral brasileira da década de 60, ela se tornou símbolo da "nova mulher" e uma referência nas mudanças da sociedade nos anos 70.

Numa entrevista célebre ao jornal "O Pasquim", publicada na edição de 15 de novembro de 1969, a atriz escancarou suas posições sobre amor e sexo, escandalizando a sociedade. Perseguida politicamente pela ditadura, ficou desempregada e precisou se esconder no sítio do apresentador Flávio Cavalcanti, que a convidou para ser jurada em seu programa na TV Tupi.

Leila foi a primeira brasileira a exibir, nas areias de Ipanema, uma barriga em adiantada gravidez, usando um biquíni de reduzido tamanho. Isso era algo inédito numa época em que as grávidas, quando iam à praia, usavam uma "cortininha" sobre a barriga.

Nascida em Niterói em 25 de março de 1945, Leila fez 14 filmes, 12 telenovelas e várias peças teatrais, deixando órfã Janaína, sua filha com o cineasta Rui Guerra, de apenas sete meses. A menina foi criada pela atriz Marieta Severo e pelo compositor e cantor Chico Buarque.

Reproduzido do site: acervo.oglobo.globo.com

sexta-feira, 2 de junho de 2017

As ilusões perigosas, por Fernando Gabeira

Foto reproduzida do site: goias24horas.com.br
Postada por Mídia Depressa, para ilustrar o presente artigo.


Publicado originalmente no site do jornal O Estado de S.Paulo, em 02/Junho/2017.

As ilusões perigosas

Boa parte dos políticos está muito próxima de um diagnóstico de internação compulsória
        
Por Fernando Gabeira


Foz do Iguaçu, Cascavel, Maringá, Londrina. Tenho discutido a crise brasileira em algumas cidades, a propósito do lançamento de um livro. Nessas conversas, a primeira parte é sempre mais fácil. Trata de uma análise dos fatos e erros que nos jogaram nesta crise e secaram as esperanças inspiradas pelo movimento das Diretas-Já. A segunda parte, que trata de uma saída para a crise, é bem mais nebulosa. Repito a imagem de uma navegação na neblina, com todos os perigos que ela implica, inclusive o risco de o barco encalhar.

A Constituição é uma bússola, mas segui-la apenas não supera todos os obstáculos do caminho. Não há nada na Constituição, por exemplo, que impeça a escolha de um idiota para o cargo de presidente. Da mesma maneira, a Constituição não nos protege das tentativas do governo de controlar e bloquear as investigações da Polícia Federal (PF). Falta nela um dispositivo que garanta a autonomia da PF, para protegê-la desses ataques.

Dilma trocou o ministro da Justiça duas vezes. Temer, na mesma situação, utiliza a velha tática. Eles nos colocam numa situação delicada. De modo geral, em situações difíceis somos obrigados a contar com a ajuda de desconhecidos.

As escolhas de Dilma e Temer nos obrigam a espancar desconhecidos. Eles escolhem pessoas que mal conhecemos, com a tarefa de enfrentar e neutralizar a Lava Jato.

De acordo com os grampos, Aécio Neves, por exemplo, conspirando com Temer, queria que o ministro da Justiça escolhesse os delegados para os inquéritos envolvendo políticos. Era uma forma de neutralizar as investigações.

Os delegados da PF já perceberam o que está em jogo. Temer, na mesma operação, designou Osmar Serraglio para o Ministério da Transparência. Houve resistência dos próprios funcionários. Como sair chamuscado da Carne Fraca e assumir um cargo vital no combate à corrupção? Serraglio saltou fora.

Os derradeiros movimentos de presidentes em queda costumam ser patéticos. O medo está implícito em suas decisões: é mais importante sobreviver no cargo do que considerar a gravidade e a urgência dos problemas nacionais.

A Constituição prevê a escolha indireta de um novo presidente até 2018. Mas quem teria força para vencer no Congresso? A tendência é escolher o candidato que mais atenda aos anseios dos políticos, e não da sociedade. O programa desse período-tampão não importa tanto, mas, sim, o que fazer para evitar que a polícia os alcance e, mais ainda, que ela não possa deter os futuros processos de corrupção.

A solução desse impasse, para quem gosta de saídas simples, são as eleições diretas. Outro dia ouvi alguém defender diretas para o período até 2018 e diretas de novo em 2018. Num país com 14 milhões de desempregados, duas eleições nacionais quase seguidas são um remédio com grande chance de matar o paciente.

É difícil o Congresso eleger alguém que se comprometa a apoiar a Lava Jato. Assim como nas manobras presidenciais a tendência é procurar um nome que enfrente a polícia e a Justiça. É compreensível que atuem assim. Os presos querem fugir da cadeia, os investigados querem escapar das suspeitas. Mas é uma reação de desespero.

Os danos políticos sobre o sistema político-partidário são indeléveis. O destino legal de cada investigado leva mais tempo para se definir.

As eleições de 2018 podem se tornar uma hecatombe para todos. Há um caso da eleição de 1973 na Dinamarca, que derrotou os principais partidos e abriu caminho para novas forças. Ficou célebre.

Quando escrevo isto, imediatamente me vem à cabeça: o Brasil não é a Dinamarca. Mas os fatos que o País acompanha desde o governo petista são estarrecedores. Não creio que exista nada parecido no mundo.

Nas ruas ouço muito a expressão “não temos para onde correr”. Mas, quem sabe, essa situação se altera, gente da própria sociedade dá um passo adiante e enfrenta a tarefa? No momento, todos têm medo de se confundir com os políticos. Se conseguirem se distanciar deles, talvez o fardo seja menor.

Uma coisa é certa: presidentes e políticos jogam sempre com a possibilidade de deter investigações, trocar delegados, intimidar procuradores.

Não estão conseguindo. Sua escolha é um equívoco. Não percebem que a luta contra a Justiça piora sua situação política. Supõem que, abafando agora, todos se esquecerão num futuro próximo e o tradicional processo de acusações recíprocas nas eleições acabará funcionando como um escudo.

Por isso a sucessão de Temer será um momento decisivo. O Congresso pode querer utilizá-la para entrar em guerra com a Lava Jato e a maioria da sociedade que apoia as investigações. Nesse caso, a instabilidade apenas prosseguirá e não é totalmente descartável que mais um presidente caia antes de 2018.

Lembro-me dos asilados bolivianos na Europa. Eles voltavam para viver um novo governo na Bolívia, mas não jogavam fora o cartão mensal do metrô europeu. Era sempre possível voltar antes do fim do mês.

O cinismo de grande parte dos políticos, sua insistência em impedir que o Brasil faça justiça a quem o lesou são fatores muito delicados. Eles estão muito próximos de um diagnóstico de internação compulsória. Não só representam um perigo para a sociedade, como sua miopia implica também um perigo para a própria vida, em caso de revolta popular.

Lembro-me de um western em que um mexicano pendurava um americano numa corda, apontava a arma para ele e dizia: “Gringo, vou ter de matá-lo para mostrar que gosto de você”. Aqui, vamos precisar interná-los para proteger sua vida.

Eles não andam na rua, não sentem o pulso das mudanças que acontecem no espírito dos brasileiros. Acham que, desmantelando a PF, contratando bons marqueteiros para contar sua história, tudo recomeçará como antes. São ilusões perigosas, devastadoras.

Texto reproduzido do site: opiniao.estadao.com.br

domingo, 21 de maio de 2017

“O país sempre vai sobreviver”, diz Cármen Lúcia sobre crise política


Publicado originalmente no site F5 News, em 20/05/2017.

“O país sempre vai sobreviver”, diz Cármen Lúcia sobre crise política

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta sexta-feira que o “país sempre vai sobreviver, porque o país é o povo”, ao comentar o atual momento político. A declaração foi feita pela ministra após uma visita informal ao comitê de imprensa do tribunal.

“O país sempre vai sobreviver, porque o país é o povo. E o povo, o ser humano, tem o instinto de vida muito mais forte que o de instinto de morte. As gerações, eu acredito muito que vão vir coisas e pessoas boas, depois que a gente já tiver ido embora, e que vão lembrar isso como uma passagem”, disse a presidente do Supremo.

Na avaliação de Cármen Lúcia, as instituições brasileiras estão funcionando. “Preocupados com o Brasil, nós estamos o tempo todo. O papel do Poder Judiciário, no que a democracia ajudar, nós estamos fazendo, temos que continuar. As instituições estão funcionando, o Brasil está dando uma demonstração, acho que de maturidade democrática. Os percalços fazem parte das intempéries.

Fonte: Agência Brasil.

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Morre aos 79 anos o jornalista Carlos Chagas

O jornalista Carlos Chagas (Divulgação).

Publicado originalmente no site da revista Veja, em 26 de abril de 2017.

Morre aos 79 anos o jornalista Carlos Chagas.

Profissional construiu uma longa carreira no jornalismo político.

Por Da redação.

O jornalista Carlos Chagas morreu nesta quarta-feira, em Brasília, aos 79 anos. A filha do jornalista, Helena Chagas, ex-ministra chefe da Secretaria de Comunicação durante o governo Dilma Rousseff, comunicou o falecimento em um post no Facebook. “Era a melhor pessoa que conheci nesse mundo”, escreveu.

Carlos Chagas passou mal de manhã e foi levado ao hospital, onde foi diagnosticado um aneurisma na aorta. Foi internado na UTI, mas não resistiu.

Em sua longa carreira no jornalismo, Carlos Chagas, que também era advogado e professor, se destacou como comentarista político. Mineiro de Três Pontes, começou como repórter no jornal O Globo, em 1959, e depois passou pelo Estado de S. Paulo, chegando a diretor da sucursal de Brasília.

Na televisão, trabalhou na Manchete, Rede TV, SBT e, por último, CNT, de onde saiu no ano passado. “Ele dizia que ia fazer 80 anos, decidiu parar. Mas continuou sempre muito ativo”, contou Helena.

Temer.

Em nota oficial, o presidente Michel Temer lamentou a morte do jornalista. “O Brasil perde Carlos Chagas, uma das maiores referências de seu jornalismo”, diz o comunicado. “Deixa como principal legado o compromisso com a verdade e a sua responsabilidade no trato da notícia.”

(Com Estadão Conteúdo).

Texto e imagem reproduzidos do site: veja.abril.com.br