segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

‘Se me ama, me deixa ir em paz’, disse Gullar à esposa

Foto: Ale Silva/Folhapress.

Publicado originalmente no site da Revista Veja, em 4 dez 2016.

‘Se me ama, me deixa ir em paz’, disse Gullar à esposa.

Mulher do poeta, Claudia Ahinsa relatou que Gullar pediu para que não fosse entubado após ter complicações em decorrência de uma pneumonia.

Por Da redação.

O poeta Ferreira Gullar, ao sentir seu quadro de saúde se agravar por causa de uma pneumonia, pediu à mulher, a também poeta Claudia Ahinsa, para não sofrer intervenções que prolongassem sua agonia. A alternativa dos médicos era que ele fosse entubado.

“Se você me ama, não deixa fazerem nada comigo. Me deixe ir em paz. Eu quero ir em paz”, pediu àquela que era sua companheira havia 22 anos. “Foi uma decisão muito dura para nós, para a família e para mim. Mas era o que tinha de ser feito”, disse Claudia, muito emocionada.

Gullar sentiu-se mal na madrugada de 9 de novembro. Com intensa falta de ar, foi levado para o Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro. Os médicos diagnosticaram pneumotórax, a entrada de ar na pleura, a fina camada que recobre os pulmões. O problema era um reflexo do seu tempo de fumante, ainda que estivesse livre do cigarro há mais de 30 anos.

O ar na pleura comprime o pulmão e o faz murchar. Nos 25 dias de internação, os médicos trataram a lesão na pleura. Instalaram um dreno, para a retirada do ar. E esperavam o pulmão expandir para liberá-lo. “Estava tudo dando certo. A pleura estava fechando, o pulmão estava expandindo. Eles tirariam o dreno nos próximos dias e ele já receberia alta”, conta Claudia.

A esposa diz que o marido tinha boa saúde. “No domingo, três dias antes da internação, tínhamos ido ao cinema, passeado. Não tinha nada no coração, indisposição para nada. Essas doenças são silenciosas”, afirmou.

O casal imaginava que a internação seria curta. Preferiu não alarmar os amigos. Com o passar das semanas, Claudia começou a contar a um e outro sobre a internação. Nas primeiras semanas, Gullar escreveu de próprio punho a crônica semanal publicada no jornal Folha de S. Paulo. Depois, com o agravamento do quadro, passou a ditar o texto para a mulher. “Ele era poesia pura. A poesia está aí. A obra vai ficar”, afirmou.

Gullar será velado na Biblioteca Nacional a partir das 17 horas deste domingo. Pela manhã, haverá um cortejo até a Academia Brasileira de Letras. O poeta será enterrado à tarde, no Mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista.

(Com Estadão Conteúdo).

Texto e imagem reproduzidos do site: veja.abril.com.br

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Garoto lamenta o acidente com o time da Chapecoense

Garoto lamenta o acidente com o time da Chapecoense,
em homenagem na Arena Condá
Foto: Nelson Almeida/Agência France Press


Publicado originalmente no Portal UOL, em 30/11/2016.

Jornais estrangeiros usam foto de garoto solitário como símbolo da tragédia.

Do UOL, em São Paulo

Alguns dos principais jornais europeus escolheram a foto de um garoto solitário chorando "a morte de seus heróis" para ilustrar as notícias sobre o acidente que vitimou a delegação da Chapecoense na Colômbia.

Pelo menos três dos grandes jornais do mundo usaram a foto de Nelson Almeida, da Agência France Press, em suas capas nesta quarta. A imagem foi feita no dia anterior na Arena Condá, quando centenas de torcedores catarinenses se reuniram para elaborar o próprio luto.

"Um minuto de silêncio", pediu o diário espanhol As sobre a imagem do torcedor solitário. "Como é que um clube ultrapassa a perda de uma equipe?", se perguntou o português Público.

Outros veículos mostraram imagens dos destroços da aeronave da Lamia que se chocou perto do aeroporto de Medellín, na Colômbia, matando 71 pessoas entre jogadores, dirigentes, membros da comissão técnica, convidados, jornalistas e tripulantes. "O sonho da Chapecoense morre na montanha", anunciou o espanhol El Pais. "O Brasil em luto", escreveu o L'Equipe, da França.

Texto e imagem reproduzidos do site: esporte.uol.com.br

terça-feira, 29 de novembro de 2016

E lá se foi o controverso Fidel Castro

Foto para ilustração de artigo, postada por MD.

Publicado originalmente pelo Portal Infonet, em 28/11/2016.  

E lá se foi o controverso Fidel Castro.
Por Ivan Valença/Infonet.

Um dos nomes mais importantes da política internacional no século XX, Fidel Castro deixou o mundo dos vivos n madrugada de sexta-feira aos 90 anos de idade. Foi o próprio irmão, Raul Castro, seu sucessor na presidência de Cuba – cargo que Fidel ocupou por 49 anos – quem fez o comunicado à Nação e ao Mundo da morte de Fidel, mas sem revelar a causa mortis. É bem verdade que Fidel já vinha doente nos últimos 15 anos, mas tantas vezes anunciou-se a sua morte que ele próprio brincava: “Ninguém vai creditar quando de fato eu morrer”. Não foi bem assim, o mundo recebeu a notícia com natural incredulidade. Fidel desafiou o mundo ocidental ao estabelecer uma ditadura comunista na pequena ilha, cuja distância do território americano não passava de 150km (Miami seria a cidade mais próxima). Verdadeiro ídolo para as esquerdas de todo o mundo, Fidel era adorado e odiado com a mesma intensidade – tanto que, ao anuncio de sua morte, os exilados cubanos nos Estados Unidos festejaram. No mundo inteiro, a repercussão da morte foi como se esperava: havia aqueles que davam declarações ressaltando a passagem pela presidência de Cuba, outros relembrando violências praticadas pelo seu governo, como o fuzilamento daqueles que se mostravam contra sua presença à frente do governo cubano. Um governo controverso: Fidel “fechou” o pequeno País a tal ponto que ainda hoje não há carros de modelos recentes pelas ruas cubanas. O comércio local se degringolou e até o turismo só foi retomado há poucos anos. De qualquer forma, não se pode esquecer que Fidel – homem de palavra fácil, capaz de ser orador de comícios por quase 6 horas – mudou a geografia política do mundo. Aliado ferrenho da União Soviética comunista, o seu país ruiu com o fim da URSS, mas Fidel recusou-se a se aproximar dos Estados Unidos. Cuba teve que se virar por conta própria. Ao Brasil, Fidel veio várias vezes, geralmente para posses de novos presidentes. O seu corpo seria cremado no domingo e a partir desta segunda-feira as suas cinzas percorreriam o país até chegar a Santiago de Cuba em cujo território nasceu há 90 anos atrás. O seu irmão, Raul Castro, deve continuar presidente de Cuba pelos próximos dois anos. A sucessão dos Castros no comando de Cuba promete ser emocionante. Quem será o homem indicado para levar Cuba a um porto seguro pelos anos afora?

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, morre aos 90 anos




Político cubano (13/8/1927 - 25/11/2016). Filho de rico fazendeiro, nasce em Mayari, forma-se em direito e defende de graça camponeses, operários e prisioneiros políticos. Destaca-se em manifestações contra o ditador Fulgência Batista, que ficou no poder de 1952 a 1959 com o apoio dos americanos.

Em 1953, depois de liderar uma tentativa de golpe, é condenado a 15 anos de prisão. Anistiado em 1955, muda-se para o México, de onde chefia um grupo, no qual se inclui Ernesto Che Guevara que viaja a Cuba de balsa em 1956 para lutar contra o exército de Batista.
  
Após três anos de guerrilha, toma o poder em janeiro de 1959 e desde então governa o país. Organiza uma reforma agrária e expropria empresas nacionais e estrangeiras, caminhando para o socialismo e afastando-se dos Estados Unidos (EUA), que decretam bloqueio comercial ao território em 1960. Cuba passa a depender economicamente da União Soviética (URSS).
  
Saúde e educação são prioridades do governo de Fidel, mas não há liberdade política nem de imprensa. Com o colapso da URSS, que suspende a ajuda no início dos anos 90, Fidel começa a reformar a economia em crise.

Impõe racionamento de gêneros e permite a entrada de empresas de capital estrangeiro e o estabelecimento de negócios próprios. Além disso, amplia a liberdade religiosa. Em 1998 recebe o papa em Cuba. Casa-se em 1948 com Mirta Diaz Balart, com quem tem um filho. O casal se divorcia em 1954. Fidel tem mais oito filhos, com outras mulheres.

Fonte: sohistoria.com.br

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A carta de Alex para Obama

Alex se comoveu com a história de Omran. (Foto: White House/Reuters)

Publicado originalmente no site g1.globo.com, em 22/09/2016.

Garoto americano de 6 anos oferece acolher menino sírio em carta a Obama.

Atitude rendeu elogios do presidente dos EUA; mensagem viralizou na internet.

Da BBC

A carta de um menino americano de seis anos comunicando a Barack Obama a oferta de um lugar em sua família para uma criança refugiada síria viralizou.

Alex, de Nova York, escreveu para o presidente dos EUA depois de ver uma foto de Omran Daqneesh, retratado com rosto ensanguentado em um hospital de Aleppo em uma imagem que causou indignação e consternação ao redor do mundo.

No Facebook, Obama disse que a carta era de uma criança "que não aprendeu a ser cínica, desconfiada ou temerosa". O post do presidente, acompanhado por um vídeo em que Alex lê a carta, já foi compartilhado mais de 125 mil vezes.

"Caro presidente Obama, lembra-se do menino que foi socorrido por uma ambulância na Síria?", escreveu o menino.

"Você poderia buscá-lo e trazê-lo para a nossa casa... estaremos esperando por vocês com bandeiras, flores e balões. Daremos ao menino uma família e ele será nosso irmão."

Obama citou as palavras de Alex em uma reunião de cúpula da ONU sobre refugiados no início da semana, mas dias depois a Casa Branca gravou o menino lendo a carta com em voz alta.
"Todos deveríamos ser mais como Alex", escreveu o presidente. "Imaginem como o mundo seria se fôssemos assim (como o menino). Imaginem o sofrimento que poderíamos aliviar e quantas vidas poderíamos salvar."

A atitude do menino foi elogiada nas redes sociais. "Um menino de seis anos mostrou mais humanidade, amor e compreensão que muitos adultos. Parabéns aos pais", disse uma mulher do Texas no Facebook.

"Nenhum desses doces meninos, que são filhos de alguém, não são Skittles", disse outra usuária, fazendo referência à controversa declaração de Donald Trump Jr., filho do candidato republicano à Presidência dos EUA.

Em uma postagem nas redes sociais, Trump Jr. comparou refugiados sírios a uma tigela repleta de doces da marca Skittles e questionou: "se dissesse que apenas três deles poderiam te matar. Você pegaria um punhado deles?".

Obama pediu às nações desenvolvidas que participem mais dos esforços para ajudar refugiados da guerra civil na Síria.

Em agosto, os EUA anunciaram ter recebido 10 mil sírios este ano e que pretendem admitir 110 mil em 2017.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/mundo

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

sábado, 13 de agosto de 2016

Brasil - Olimpíadas Rio 2016


Flavia Saraiva conquistou a torcida brasileira na Olimpíada do Rio e nem mesmo os atletas do Time Brasil conseguem resistir ao carisma da ginasta. Finalista na barra de equilíbrio, a pequena Flavinha posou para uma foto, nesta sexta-feira, ao lado do grandão Alison, do vôlei de praia, classificado para as oitavas de final ao lado do seu parceiro Bruno Schmidt.

Texto e imagem reproduzidos do site: extra.globo.com

Brasil - Olimpíadas Rio 2016 - Futebol Feminino.

Brasil vence nos pênaltis e está na semi da Rio-2016.
Marta perde cobrança, mas goleira Bárbara garante a
classificação contra a Austrália com duas defesas.
Foto e Legenda reproduzidas do site: veja.abril.com.br

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Ivo Pitanguy morre no Rio aos 93 anos (06/08/2016)

Publicado no G1 Rio, sábado, 06/08/2016.
Ivo Pitanguy morre no Rio aos 93 anos
Cirurgião plástico sofreu parada cardíaca e faleceu 
em casa no fim da tarde...

Ivo Pitanguy conduziu a tocha olímpica na sexta (5).
Foto: Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo.

Jaqueline Carvalho, musa da seleção brasileira de vôlei



quinta-feira, 14 de julho de 2016

Luto no Cinema - Morre Hector Babenco (1946 - 2016)

Morre Hector Babenco, diretor de 'Pixote' e 'Carandiru', aos 70, 
em SP. Indicado ao Oscar pelo filme 'O Beijo da Mulher Aranha',
 cineasta sofre parada cardíaca em casa.
Fonte: folha.uol.com.br

Nasa divulga primeira imagem após Juno entrar na órbita de Júpiter

Imagem feita pela JunoCam no dia 10
de julho mostra Júpiter e três das quatro luas do planeta.
Foto: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS.

Publicado originalmente no site G1, em 13/07/2016.
Nasa divulga primeira imagem após Juno entrar na órbita de Júpiter
Isso significa que equipamento está funcionando bem.
Imagens em alta resolução ainda devem demorar algumas semanas.
Do G1, em São Paulo.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Após 5 anos de missão, sonda da Nasa entra na órbita de Júpiter

Publicado originalmente no site G1, em 05/07/2016.

Ilustração da Sonda Rosetta se aproximando
do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (Foto: Spacecraft:
ESA/ATG medialab; Comet image:
ESA/Rosetta/NavCam – CC BY-SA IGO 3.0).

Após 5 anos de missão, sonda da Nasa entra na órbita de Júpiter.

Operação custou US$ 1,13 bilhão ao governo dos Estados Unidos.
Sonda Juno decolou em agosto de 2011 da Terra e atingiu objetivo.

Do G1, em São Paulo

Apos 5 anos de viagem, a sonda Juno entrou com sucesso na órbita de Júpiter, o maior planeta do sistema solar. Com transmissão ao vivo pela internet, a equipe na Nasa comemorou a inserção na magnetosfera à 0h54 desta terça-feira (5).

A sonda se aproximou sobre o pólo-norte do planeta, mostrando uma perspectiva inédita do sistema de Júpiter - incluindo as suas quatro grandes luas. Um laboratório da Nasa localizado em Pasadena, na Califórnia, administrou a missão Juno, chefiado pelo pesquisador Scott Bolton, que também ajudou a levar uma sonda a Saturno.

Esta é a primeira vez que Júpiter será visto abaixo da cobertura densa de nuvens. Por isso o nome Juno, uma homenagem à deusa romana que era esposa de Júpiter. As informações são da agência espacial americana.

Lançada em 5 de agosto de 2011, a sonda percorreu 716 milhões de quilômetros - quase 18 mil voltas na Terra - até o planeta e deve voltar a solo, se nada der errado, em 20 de fevereiro de 2018. Juno tem 3,5 metros de altura e 3,5 metros de diâmetro e é movida a energia solar, com uma velocidade que supera 265 mil km/h.

Todo o programa custou US$ 1,13 bilhão. A Juno foi a primeira missão que levou uma nave movida a energia solar comandada a partir da Terra, além de orbitar de pólo a pólo de um planeta. Nenhuma outra sonda chegou, até agora, tão perto da superfície de Júpiter.

Funcionários da Nasa comemoram a manobra 
da sonda Juno na órbita de Júpiter (Foto: Reprodução/Nasa).

O campo magnético do planeta é 20 mil vezes mais forte que o da Terra. Por isso, o grande perigo para visitar Júpiter com uma nave espacial. Outra questão é o fato de que a Juno não foi projetada para operar dentro de uma atmosfera e passará por um período de “queimação” enquanto estiver orbitando.

Segundo a Nasa, o principal objetivo da missão é entender a origem e a evolução do planeta. Conhecer o que há abaixo da densa cobertura de nuvens. Com um conjunto de instrumentos, a sonda vai investigar a quantidade de água e amoníaco na atmosfera profunda. Recentemente, já foi possível avistar a aurora boreal do planeta.

 Imagem ilustrativa de Juno perto de Júpiter  (Foto: Nasa).

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com/ciencia

sábado, 14 de maio de 2016

Sargento da PM adota criança que nasceu dentro de viatura.


Publicado originalmente no site G1 SE., em 09/05/2016.

Sargento da PM adota criança que nasceu dentro de viatura.

Criança foi adotada recém nascida em 2009.
'Samara é um exemplo de vida', diz sargento que adotou criança.

Do G1 SE.

A sargento Polícia Militar de Sergipe,  Simone Linhares, comemorou o Dia das Mães com a pequena Samara de apenas 6 anos que ela adotou. A menina nasceu dentro de uma viatura da Polícia Militar em dezembro 2009.

“Eu estava patrulhando, próximo à avenida Euclides Figueiredo [zona norte de Aracaju], quando avistei uma mulher em via pública, em trabalho de parto. Daí eu me aproximei e perguntei se ela estaria precisando de algum apoio. Ela disse que precisava chegar até a maternidade. Eu a conduzi, no veículo da Radiopatrulha, até a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, mas aí, chegando na entrada da unidade, ela acabou dando à luz a criança dentro da viatura”, relatou a sargento que trabalha há 23 anos na Corporação.

A história de amor entre elas estava apenas começando. “Quando eu a entreguei na maternidade, a mãe biológica pediu para o guarda me chamar e dizer que ela não teria interesse e que a menina era minha. A princípio eu fiquei assustada e sem saber o que fazer, porque eu sou separada, já tenho um filho e não pretendia ter mais um. Mas aí, quando eu vi a menina, ela abriu os olhinhos e a pediatra me comoveu dizendo que ela parecia estar me pedindo socorro. O bebê teve alta por volta das 9h da segunda-feira, junto com a mãe. Eu coloquei a farda, fui à maternidade, deixei a mãe em casa e me dirigi com a criança ao Fórum da Infância e da Juventude”, contou.

Para a angústia da militar, uma assistente social informou-lhe que ela teria de perder a criança para o primeiro casal da fila de adoção ou poderia assumir o risco de passar um mês com a recém-nascida e sofrer consequências futuras. “Eu preferi correr o risco, apesar de a menina ter sido fruto de uma mulher que usava droga, álcool e era prostituta”, revelou a sargento, que precisou entrar na fila de adoção e constituir advogado, uma vez que a Justiça exigia da adotante residência fixa, emprego fixo e um esposo.

“Por eu ser separada e não ter marido, a juíza achou um problema. Então eu perguntei a um amigo casado, que já era pai de quatro filhos, se ele poderia ser o pai de minha filha. Ele não pensou duas vezes: dirigiu-se ao fórum e hoje ele é o pai da minha filha, do mesmo jeito que eu sou a mãe. Foram muitos os entraves até que a adoção fosse legalizada”, lembrou Simone Linhares, emocionada.

Apesar das dificuldades na fase de adoção, a sargento evidenciou o apoio do major Vítor, então capitão e comandante do Batalhão de Radiopatrulha, e de membros da Assembleia Legislativa. “Sensibilizado ao me ver perdendo noites e levando minha filha diariamente ao banco de leite, major Vítor me liberou de alguns serviços para que eu pudesse ficar em casa tomando conta da criança. O auxílio maternidade só foi conquistado após apelo à Assembleia Legislativa, quando os deputados Angélica Guimarães, Conceição Vieira e Adelson Barreto criaram uma emenda concedendo os seis meses de licença maternidade”, acrescentou.

Ainda na primeira infância, as drogas e o álcool foram um obstáculo superado por Samara nessa corrida pela vida. Devido à mãe ser usuária de tais substâncias, a menina nasceu com resíduos no corpo, apresentando desmaios, tremedeiras e sustos frequentes. “Eu não entendia, a princípio, os motivos dessas reações, até que a pediatra me orientou a procurar um centro de tratamento para crianças que são geradas por mães usuárias de drogas, no bairro Siqueira Campos, em Aracaju. Eu fui por 15 dias, mas como não gostei, optei por cuidar dela com o pediatra, desintoxicando a corrente sanguínea dela até os três anos de idade”, explicou.

Atualmente Samara tem uma vida normal, estuda na 1ª série em uma escola da rede particular da capital e é uma aluna exemplar. Divide o lar com sua mãe e o irmão Hilton Linhares Neto, de 17 anos, estudante do 3º ano na mesma escola.

“A Samara é um exemplo de vida. Desde pequena ela me surpreende. Ela foi para a escola com um ano de idade, era menorzinha em relação aos coleguinhas de turma e eu achei que ela não fosse se adaptar. Ela se saiu muito bem na semana de adaptação. Hoje está na 1ª série e tem uma vontade enorme de vencer, de crescer. É muito inteligente apesar da idade dela e só tem me trazido felicidade”, concluiu.

*Com informações da Polícia Militar.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe