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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Gerente da Caixa se senta no chão p/atender homem c/deficiência...


Cidadania.

Gerente da Caixa se senta no chão para atender homem com deficiência e foto viraliza.

Por Vicente Carvalho

Gerente da Caixa foi fotografado atendendo um senhor com deficiência de igual para igual: sentado no chão e olhando em seu olho.

É interessante como pequenos gestos de gentileza e humanidade ganham tamanha repercussão, a explicação mais “óbvia” é que esses gestos não são vistos frequentemente, e o que devia ser regra vira exceção, mas acho que é um pouco mais complexo que isso.

Certa vez publicamos sobre a Lawane Rodrigues, que ajudou um cadeirante a tomar sorvete no McDonald’s e a foto repercutiu imensamente – relembre aqui, ou ainda a de uma aeromoça chinesa que ajudou um senhor a se alimentar durante o voo – relembre aqui.

Dessa vez uma história similar aconteceu em Volta Redonda, microrregião do Vale do Paraíba Fluminense, no Rio de Janeiro, onde a Isabel Paiva, de 54 anos, presenciou uma cena emocionante.

Um senhor na faixa dos 50 anos, com pernas amputadas, entrou na agência da Caixa Econômica Federal da Avenida Amaral Peixoto e muito gente ignorou a presença dele, e então o Luis Claudio, abordou o senhor para ajudá-lo e para que ele não ficasse na fila. Mais um detalhe fez toda a diferença: mesmo de roupas formais, como camisa e calça social, ele se sentou no chão para conversar mais tranquilamente com o senhor, sem se importar se ia sujar sua roupa de trabalho.

“Nem sabia que ele era gerente quando fotografei”, disse Isabel em conversa ao Razões para Acreditar, ela só soube quem era posteriormente, quando foi atendida na agência pelo próprio Luis Claudio. “Achei lindo o gesto, me emocionei, ele [o gerente] foi muito gente boa, todo arrumado sentou no chão, fazendo seu trabalho com muita alegria”.

Ela contou também Razões que viu o Luis pegando seus documentos e conversando com o cliente, e que parecia uma conversa agradável, pois os dois sorriam. A publicação já recebeu quase 20 mil reações no Facebook e centenas de comentários parabenizando pelo gesto:

Perguntamos se ela imaginava o motivo  da publicação estar ganhando tanta repercussão, Isabel disse: “Penso que pelo fato de não encontrarmos mais pessoas tão solidárias e humanas no sentido real da palavra. As pessoas costumam agir assim, infelizmente, somente com pessoas que possam lhe trazer algum retorno.” Eu argumentei com ela dizendo que talvez não vejamos com tanta frequência esses gestos porque não se publicam tanto, mas que o exemplo é uma poderosa ferramenta mobilizadora. Por isso foi importante o que ela fez de publicar, ela concordou.

Isabel disse ainda que procurou o Luis para parabenizá-lo e pedir autorização para publicar, e quando lhe elogiou ele disse: “Somos todos iguais, não sou melhor que ninguém… posso ser talvez pior!” E sorriu.

Fica aqui nossa felicidade em compartilhar momentos simples, mas poderosos como esse. E fica aqui o convite: sempre que você ver momentos como esse, não hesite em nos mandar, pode ser pelo inbox da nossa fanpage aqui.

ATUALIZAÇÃO 1.

Recebemos essa correção da Andréa Goldberg:

“Não se usa há muitos anos o termo “homem deficiente” e sim homem com deficiência. Isso porque ele não é sua deficiência. Ela é apenas uma característica que compõem a pessoa que ele é. Assim dizemos pessoa com deficiência física, visual, mental, intelectual e por aí vai. No caso de abreviar deve ser PcD, com a letra c minúscula. Importante dizer que a questão da nomenclatura foi mudando com o tempo e também com a quebra de paradigmas. E mais, as próprias pessoas com deficiência quem pediram para serem chamadas dessa forma e não mais deficientes, portadoras de deficiência, pessoas com necessidades especiais. Nas leis, muitas vezes, ainda encontraremos essas terminologias, pois alterá-las nos papéis seria um trabalho gigantesco. Por isso que ainda encontramos nomenclaturas que não são mais utilizadas. Porém o correto hoje é pessoa com deficiência e por isso, na legenda da publicação deveria ser homem com deficiência física. Talvez lhe pareça uma besteira, mas quando falamos em inclusão, o uso das terminologias corretas faz toda diferença e representa também mudança de hábitos e paradigma.”

Pra gente não é besteira Andréa! Já editamos e pedimos desculpa pelo erro.

ATUALIZAÇÃO 2.

O Luis Cláudio, Gerente da Caixa, concedeu entrevista ao Extra, e disse:

“A gente faz isso todo dia. Me porto como o cliente precisa. Seu José é um ser humano incrível. Já o atendi outras vezes. Ele veio cadastrar uma senha e uma outra cliente depois me contou que tinha feito a foto. Nem sabia que ia postar e dar essa repercussão toda. Acho que a gente não é melhor que ninguém. Eu precisava sentar para atendê-lo bem. Faz parte da minha obrigação. É também uma necessidade. Eu não me sentiria bem atendendo ele de pé e ele seria mal atendido. Me espantei muito com tudo isso porque era um atendimento corriqueiro, normal. Mas fico feliz com o reconhecimento”.

Ainda segundo Luis, a presidência da Caixa Econômica Federal entrou em contato com ele para parabenizá-lo pelo ato.

Crédito de capa: Isabel Paiva – Reprodução autorizada.

Texto e imagem reproduzidos do site: razoesparaacreditar.com

sábado, 14 de maio de 2016

Sargento da PM adota criança que nasceu dentro de viatura.


Publicado originalmente no site G1 SE., em 09/05/2016.

Sargento da PM adota criança que nasceu dentro de viatura.

Criança foi adotada recém nascida em 2009.
'Samara é um exemplo de vida', diz sargento que adotou criança.

Do G1 SE.

A sargento Polícia Militar de Sergipe,  Simone Linhares, comemorou o Dia das Mães com a pequena Samara de apenas 6 anos que ela adotou. A menina nasceu dentro de uma viatura da Polícia Militar em dezembro 2009.

“Eu estava patrulhando, próximo à avenida Euclides Figueiredo [zona norte de Aracaju], quando avistei uma mulher em via pública, em trabalho de parto. Daí eu me aproximei e perguntei se ela estaria precisando de algum apoio. Ela disse que precisava chegar até a maternidade. Eu a conduzi, no veículo da Radiopatrulha, até a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, mas aí, chegando na entrada da unidade, ela acabou dando à luz a criança dentro da viatura”, relatou a sargento que trabalha há 23 anos na Corporação.

A história de amor entre elas estava apenas começando. “Quando eu a entreguei na maternidade, a mãe biológica pediu para o guarda me chamar e dizer que ela não teria interesse e que a menina era minha. A princípio eu fiquei assustada e sem saber o que fazer, porque eu sou separada, já tenho um filho e não pretendia ter mais um. Mas aí, quando eu vi a menina, ela abriu os olhinhos e a pediatra me comoveu dizendo que ela parecia estar me pedindo socorro. O bebê teve alta por volta das 9h da segunda-feira, junto com a mãe. Eu coloquei a farda, fui à maternidade, deixei a mãe em casa e me dirigi com a criança ao Fórum da Infância e da Juventude”, contou.

Para a angústia da militar, uma assistente social informou-lhe que ela teria de perder a criança para o primeiro casal da fila de adoção ou poderia assumir o risco de passar um mês com a recém-nascida e sofrer consequências futuras. “Eu preferi correr o risco, apesar de a menina ter sido fruto de uma mulher que usava droga, álcool e era prostituta”, revelou a sargento, que precisou entrar na fila de adoção e constituir advogado, uma vez que a Justiça exigia da adotante residência fixa, emprego fixo e um esposo.

“Por eu ser separada e não ter marido, a juíza achou um problema. Então eu perguntei a um amigo casado, que já era pai de quatro filhos, se ele poderia ser o pai de minha filha. Ele não pensou duas vezes: dirigiu-se ao fórum e hoje ele é o pai da minha filha, do mesmo jeito que eu sou a mãe. Foram muitos os entraves até que a adoção fosse legalizada”, lembrou Simone Linhares, emocionada.

Apesar das dificuldades na fase de adoção, a sargento evidenciou o apoio do major Vítor, então capitão e comandante do Batalhão de Radiopatrulha, e de membros da Assembleia Legislativa. “Sensibilizado ao me ver perdendo noites e levando minha filha diariamente ao banco de leite, major Vítor me liberou de alguns serviços para que eu pudesse ficar em casa tomando conta da criança. O auxílio maternidade só foi conquistado após apelo à Assembleia Legislativa, quando os deputados Angélica Guimarães, Conceição Vieira e Adelson Barreto criaram uma emenda concedendo os seis meses de licença maternidade”, acrescentou.

Ainda na primeira infância, as drogas e o álcool foram um obstáculo superado por Samara nessa corrida pela vida. Devido à mãe ser usuária de tais substâncias, a menina nasceu com resíduos no corpo, apresentando desmaios, tremedeiras e sustos frequentes. “Eu não entendia, a princípio, os motivos dessas reações, até que a pediatra me orientou a procurar um centro de tratamento para crianças que são geradas por mães usuárias de drogas, no bairro Siqueira Campos, em Aracaju. Eu fui por 15 dias, mas como não gostei, optei por cuidar dela com o pediatra, desintoxicando a corrente sanguínea dela até os três anos de idade”, explicou.

Atualmente Samara tem uma vida normal, estuda na 1ª série em uma escola da rede particular da capital e é uma aluna exemplar. Divide o lar com sua mãe e o irmão Hilton Linhares Neto, de 17 anos, estudante do 3º ano na mesma escola.

“A Samara é um exemplo de vida. Desde pequena ela me surpreende. Ela foi para a escola com um ano de idade, era menorzinha em relação aos coleguinhas de turma e eu achei que ela não fosse se adaptar. Ela se saiu muito bem na semana de adaptação. Hoje está na 1ª série e tem uma vontade enorme de vencer, de crescer. É muito inteligente apesar da idade dela e só tem me trazido felicidade”, concluiu.

*Com informações da Polícia Militar.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe

sábado, 9 de abril de 2016

'Pensaram que eu era analfabeta', diz faxineira do STF...



Marinalva Luiz, ex-faxineira no Supremo Tribunal Federal,
aprovada em quatro concursos públicos 
Fotos: Alexandre Bastos/G1.

Publicado originalmente no site G1 DF, em 09/04/2016.
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Eu sempre gostei de ler. Lia desde gibi a Karl Max. Na minha casa tinha mais livros e revista do que em qualquer casa do meu bairro. As pessoas não entendiam porque eu e minha irmã líamos tanto. Hoje vejo que isso foi fundamental e um diferencial na minha vida". (Marinalva Luiz, ex-faxineira do STJ que passou no órgão).
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'Pensaram que eu era analfabeta', diz faxineira do STF que passou no órgão.

Colegas insinuaram que ela havia comprado gabarito da prova, de 2008.
Mulher também foi aprovada no STJ, Ministério do Trabalho e MPU.

Raquel Morais
Do G1 DF.

Após cinco anos trabalhando como faxineira no Supremo Tribunal Federal, Marinalva Luiz achou que era uma brincadeira ver o próprio nome na lista de aprovados no concurso do órgão. A mulher passou semanas mergulhada nos livros e anotações para a prova de técnico judiciário. O resultado também surpreendeu colegas, que chegaram a insinuar que ela havia comprado o gabarito.

"Minha família e amigos já sabiam que eu ia passar, pois eu estudava sem parar e só falava em concurso e mais concurso", disse. "Muita gente, infelizmente, não gostou da novidade. As pessoas ficaram em choque, não esperavam que uma moça que trabalhou na limpeza do tribunal tivesse conhecimento suficiente para passar, ainda mais que concorri com quem já tinha se formado em advocacia. O preconceito está enraizado na sociedade brasileira ainda."

O concurso aconteceu em 2008. O salário previsto era de R$ 3 mil – 500% a mais do que os R$ 500 que ela recebia mensalmente. Marinalva foi a 29ª colocada e aguardou os quatro anos de validade do certame pela convocação. Mesmo com a seleção expirando antes, a mulher não desanimou e passou em outras três provas: Superior Tribunal de Justiça, Ministério do Trabalho (onde está atualmente) e Ministério Público da União.

Para ela, o fato de sempre ter apreciado literatura influenciou nas conquistas. "Eu sempre gostei de ler. Lia desde gibi a Karl Max. Na minha casa tinha mais livros e revista do que em qualquer casa do meu bairro. As pessoas não entendiam porque eu e minha irmã líamos tanto. Hoje vejo que isso foi fundamental e um diferencial na minha vida."

A mulher também baixou conteúdos em sites e pedia ajuda de amigos da família que trabalhavam no Judiciário. Nascida em Anápolis, cidade goiana a 160 quilômetros de Brasília, ela decidiu atuar na área de limpeza porque o salário era melhor do que o que recebia trabalhando em uma loja para noivas e como costureira.

"Duvidavam da minha capacidade porque eu era auxiliar de serviços gerais e, como tal, deveria ter muito pouco estudo. Não aceito que me julguem sem me conhecer", afirma. "O que me deixou impressionada foi pensarem que, por ter trabalhado na limpeza, era analfabeta ou coisa do gênero. Eu já tinha o ensino médio, trabalhava numa butique mas ganhava menos que na limpeza e trabalhava muito. No STF era muito melhor! Nunca me abati com isso, mas, realmente, inveja é uma coisa que te assusta."

Marinalva diz que a família tinha pouco recursos, mas que nunca precisou parar de estudar. "Nós eramos pobres, mas tínhamos tudo o que precisávamos. Livros, roupas, brinquedos; meus pais se esforçavam e nos davam. Mas, como todo mundo, você sempre quer mais, e eu queria morar numa casa com piscina, muita árvores, pois lembra muito a minha infância."

Segundo ela, a melhor vantagem do emprego no serviço público foi poder incluir a mãe como dependente no plano de saúde. "Ela foi muito bem tratada nos melhores hospitais do Plano Piloto e Taguatinga, especialmente no Santa Marta e São Francisco, onde infelizmente, ela veio a falecer, há dois anos."

Marinalva conta que chegou a começar a estudar direito, mas decidiu trancar o curso por ver que não era exatamente o que queria. Ela voltou a costurar e diz sonhar em fazer moda nos próximos anos.
"Voltei a costurar por raiva", ri. "Toda vez que pedia uma costureira para fazer umas roupas, ela demorava demais ou [as peças] não ficavam do jeito que eu queria. Como já tinha trancado a faculdade, já estava procurando uns cursos para fazer, dar uma boa revisada em ajustes e conhecer novos métodos de ensino. Daí vi que realmente costurar é uma coisa que adoro fazer, independentemente de ser uma profissão. Todo dia faço algo. Para meus amigos e parentes, faço consertos e reformas."

Dicas.

A mulher diz que, para a prova do STF, se preparou com o conteúdo de analista judiciário – com curso superior – e não para o de técnico. Assim, afirma, acumulava mais conhecimento. Ela também conta que estava decidida a passar em concurso e que acha que a determinação contribuiu para o sucesso.

"Vários colegas faziam deboche quando fui aprovada, vieram correndo me falar que não iria ser chamada. É uma coisa que você vê se você quiser. Eu nunca deixei que me jogassem para baixo, mas não imaginei que fosse calar a boca de tanta gente depois que fui aprovada", conta.

"A primeira dica é: decida onde você quer trabalhar. Eu só fiz concurso para o judiciário porque as matérias são as mesmas e somente o regimento interno que muda. Fiz do Ministério do Trabalho porque queria incentivar uma amiga a estudar e acabei fazendo a inscrição no último dia. Caí aqui de paraquedas", ri. "Segundo: estude por livros e sites, nunca compre apostilas. Além de resumidas demais, são caríssimas. Um exemplo: quando estudava ainda para o STF, já tinha tudo quanto era exercício feito. Uma amiga comprou uma apostila na banca de revista e fui dar uma olhada apenas nos exercicios sobre a legislação do tribunal."

Marinalva afirma que os exercícios eram iguais aos que já tinha em casa. A terceira dica dela é manter o foco. "Vi gente estudando ao mesmo tempo para bancos, tribunais, agências reguladoras, Metrô etc. Nossa! Você acha que nosso cérebro armazena todo esse tipo de informação em curto prazo? São órgãos diferentes, as matérias às vezes também são."

A mulher conta se sentir feliz ao ver que outras pessoas ficam motivadas ao estudar quando conhecem a história dela. Para ela, a principal lição com a própria experiência foi ver que todo mundo é capaz.

"Eu passei num concurso que era disputadíssimo entre os funcionários da minha empresa, estagiários. Eu passei e eles não. O diferencial foi que não estudei para passar, estudei para aprender e entender como funciona o nosso Estado Brasileiro. Fui devagarinho. O que não entendia, voltava e fazia tudo de novo. E uma frase que resume bem o eu fiz foi:'Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez'."

Texto e imagens reproduzidas do site: g1.globo.com/distrito-federal