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terça-feira, 5 de abril de 2016

Capa do jornal The New York Times, do dia 04/04/2016

Capa da edição impressa de 04 de abril de 2016,
 do jornal The New York Times.
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NYT: Teia de corrupção enredou o Brasil.
Jornal levou a crise política brasileira a um passo além 
nas comparações com seriados. Para o NYT, o enredo político nacional
 se  parece com a violenta “Game of Thrones”.

segunda-feira, 21 de março de 2016

A outra corrupção


Publicado originalmente no site de O Globo, em 19/03/2016.

A outra corrupção.
Por Cristovam Buarque*

Governo aumentou o número de consumidores, não de cidadãos.

Os julgamentos por suspeitas de corrupção têm impedido a avaliação do governo Lula/Dilma na transformação da estrutura socioeconômica do Brasil. Nenhum governo chegou ao poder com tantas promessas de mudar a realidade brasileira e nenhum esteve tanto tempo à frente da nação, à exceção de Vargas.

Mas, ao olhar ao redor, a avaliação não é positiva.

O Bolsa Família, iniciado no governo anterior com o nome de Bolsa Escola, distribuindo anualmente 0,5% do PIB, deve ser aplaudido por seu caráter de rara generosidade das elites governantes, mas não tem sido um programa transformador. A transformação seria emancipar o povo da necessidade de bolsa, e o governo Lula/Dilma não avançou neste propósito.

Em um país com a memória da escravidão, o governo Lula/Dilma fez o gesto louvável de criar instrumentos para incluir pobres e descendentes de escravos no ensino superior, com cotas, Prouni, Fies, além de abrir mais 14 universidades federais. Criar mecanismos para que os filhos de alguns pedreiros ingressem na universidade é um gesto positivo, mas não tem, em si, caráter transformador da estrutura social. A transformação viria de reformas no sistema educacional, para fazer com que todos os filhos de todos os pedreiros tivessem condições de disputar vaga no vestibular com a mesma chance que os filhos de seus patrões.

O governo Lula/Dilma não fez avançar a consciência cívica e política: acomodou as massas e cooptou os movimentos sociais, como CUT e UNE; abriu as portas das lojas para grupos que antes estavam marginalizados, mas não os abrigou como cidadãos plenos; aumentou o número de consumidores, não de cidadãos. Ao abandonarem propostas transformadoras, os partidos progressistas e os movimentos sociais agem como ex-abolicionistas que, ao chegar ao poder, contentam-se em emancipar alguns escravos e reduzir o sofrimento dos outros, sem fazer a Abolição.

No futuro, além da nódoa ética sobre o PT e demais partidos da base de apoio e suas avaliações dos 13% de século do governo Lula/Dilma mostrarão a perda de uma grande oportunidade histórica, um partido com propostas transformadoras chegar ao poder, com um líder carismático de origem popular, vencer quatro eleições seguidas, e abandonar o pudor e o vigor transformador.

O governo Lula/Dilma encontrou um país dividido, social e politicamente, agravou a divisão política e, no lugar de derrubar o muro que nos divide socialmente, apenas jogou algumas migalhas para os excluídos, e não cumpriu as promessas de realizar as reformas estruturais.

O perigo é que as forças do pós-Lula/Dilma não façam o que eles não fizeram; porque juízes prendem políticos e limpam a política por um período, mas não derrubam a “cortina de ouro” que divide o Brasil; julgam a corrupção no comportamento dos políticos, mas não a corrupção nas prioridades das políticas.

*Cristovam Buarque é senador (PPS-DF).

Texto reproduzido do site: oglobo.globo.com/opiniao

Foto reproduzida do Google.

sábado, 19 de março de 2016

Para salvar Lula, Dilma põe em risco as instituições.


Publicado originalmente no site Tribuna da Internet, em 17/03/2016.

Ricardo Kotscho, amigo de Lula, diz que ninguém aguenta mais.

Petista histórico, o jornalista Ricardo Kotscho também joga a toalha.
Por Moacir Pimentel.

Às vezes milagres acontecem… Um exemplo? O jornalista Ricardo Kotscho. É um homem de esquerda do qual sou leitor desde 1983.Tendo passado pelo Estadão , Folha , IstoÉ, Época e várias TVs, ele foi o cronista das Diretas Já, autor de vários livros e ganhador por quatro vezes do Prêmio Esso de Jornalismo. Como é sabido, Kotscho é amigo de Lula, tendo sido de 2003 a 2004, durante o primeiro governo petista, secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República.
Ricardo é um repórter correto, da velha guarda, um humanista e um cristão sem qualquer amor ao poder. Seu texto é idealista, porém jamais desonesto ou bajulador. O habitual e absoluto entusiasmo dele com relação ao novo ministro investigado jamais me afastou da sua coluna por um simples motivo: Kotscho é bem informado e escreve como poucos. Nestas últimas semanas – de um jeito doído – ele está reencontrando o equilíbrio e o senso comum e se distanciado das brumas Brasil Maradilma. Ainda bem.

Veja a sua coluna de hoje.
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Para salvar Lula, Dilma põe em risco as instituições.
Por Ricardo Kotscho.

Nove horas da manhã de quinta-feira, dia 17 de março. A uma hora da posse de Lula na Casa Civil, ainda não oficialmente confirmada, o País está em pé de guerra. A avenida Paulista já foi mais uma vez fechada por manifestantes, que começam a se aglomerar também em frente ao Palácio do Planalto, onde o policiamento foi reforçado para evitar confrontos, como ocorreu na véspera, com o reforço do Batalhão da Guarda Presidencial.

Com a nomeação de Lula para salvar o ex-presidente da Lava Jato e evitar o impeachment, Dilma conseguiu provocar o efeito contrário e jogar quase todo mundo contra ela. Agora, ao insistir na política do vale tudo, ameaça colocar em risco em risco as próprias instituições democráticas. A crise política está chegando a um ponto terminal e absolutamente fora de controle.

O vazamento dos grampos nos celulares de Lula acabou sendo a gota d´água que faltava para encurralar um governo agonizante. Na gravação, Dilma diz a Lula, pouco depois de ser anunciada a sua nomeação:

“Seguinte, eu tô mandando o Messias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse”.

A revelação desta espécie de salvo-conduto foi o estopim para deflagar uma rebelião na Câmara, com os deputados pedindo aos gritos a renúncia da presidente, e para levar novamente milhares de pessoas às ruas, com protestos em Brasília e nas principais capitais brasileiras.

Nas gravações divulgadas pelo juiz Sergio Moro no final da tarde, aparecem ataques grosseiros de Lula ao Congresso Nacional, aos tribunais superiores, à PF e à Receita Federal, em conversas com ministros, parlamentares e dirigentes do PT.

A anunciada saída do PMDB da base governista pode ser seguida agora por outros partidos no mesmo dia em que a Câmara se prepara para instalar a comissão especial do impeachment.
Com Lula no governo, Dilma pretendia recuperar o apoio do PMDB, acalmar os mercados e ressuscitar a economia. Aconteceu tudo ao contrário. E, para piorar a situação, o vazamento das gravações expôs diretamente a presidente Dilma nas tentativas de obstrução da Justiça.

Enquanto especialistas discutem a legalidade da decisão de Moro, o governo anuncia que pretende processar o juiz e a oposição tenta impedir a posse de Lula na Casa Civil, o fato é que mais uma vez o Supremo Tribunal Federal será convocado para decidir os destinos do País.

Agora não se discutem mais meios para garantir a governabilidade, que já havia entrado em colapso nas últimas semanas, mas a sobrevivência do próprio governo petista e o que poderá vir depois dele.
Para a maioria das pessoas com quem converso, é melhor um final horroroso do que um horror sem fim, como já se resignou outro dia um assessor próximo da presidente Dilma. De fato, estamos vivendo dias de horror, de revolta e de vergonha. Já faltam palavras a velhos comentaristas como este que vos escreve para contar o que está acontecendo. Ninguém aguenta mais.

Texto e imagem reproduzidos do site: tribunadainternet.com.br