quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Paixão Pelo Rádio e Pela Música


A música tem um poder enorme de nos transportar ao passado trazendo recordações de um tempo que deixou saudades. Ao ouvirmos uma canção ou melodia antiga, um filme começa a passar em nossa mente, vindo à tona lembranças que pareciam perdidas no tempo. Voltamos imediatamente à época em que o rádio reinava na sala de nossas casas. Eram aparelhos grandes que funcionavam com energia elétrica ou com baterias de carro, cheios de válvulas e que esquentavam quando demoravam a ficar ligados. A maioria desses aparelhos possuía vários teclados que serviam para mudar as ondas médio-curtas, como também o famoso olho mágico, para o ouvinte poder sintonizar corretamente a sua emissora preferida, que para o som ficar nítido era preciso se instalar antenas externas, puxando fios em cima do telhado da casa. O rádio em minha casa era um hábito de meu pai, que terminei incorporando ao meu dia a dia, acompanhando os noticiários e ouvindo a boa música. Quando conheci o radinho de pilha, logo vendi minha bicicleta para comprar um. Daí, até hoje sempre tenho um por perto, tendo a mania de a noite dormi com um embaixo do travesseiro, haja pilha. Na década de 60 os programas de ‘disque jóqueis’ tinham grande audiência, era impressionante ao andarmos pelas ruas podíamos ouvir o som a ecoar por toda a cidade. Os jovens telefonavam para os programas a fim de concorrerem a prêmios e solicitar os sucessos do momento. Havia sorteios de ingressos para cinema e outros brindes como dos LPs aonde vinham gravados os programas “Música e Alegria Kolynos”. Tempo dos picapes, discos de vinil, com rotações de 33, 45 e 78, LPs, bolachões como eram chamados. Lembro que na sala de minha casa tinha uma radiola enorme, com um picape embutido, que saia de dentro como se fosse uma gaveta, era a liberdade de ouvir a música escolhida na hora que desejasse, e aí haja agulhas, pois o atrito do disco com a agulha as estragava rapidamente e tinha que ficar trocando. Dessa época me vem à lembrança um acidente de percurso, foi quando encontrei em um Sebo de Discos uma raridade, o “Hino do Flamengo”. Trouxe o disco no ônibus com um cuidado enorme, com medo que alguém topasse e quebrasse o mesmo. Ao chegar à porta de casa, na pressa de ouví-lo, fui abrindo ali mesmo e ao puxar o cordão (pacote de disco com cordão!), quebrei o disco. Foi uma tragédia, senti bastante. Aprendi a gostar da música orquestra esperando prazerosamente na sala de cinema a espera da sessão começar, pois antes do filme iniciar, os tradicionais cinemas de rua só tocavam músicas orquestradas e clássicas. Já nas emissoras de rádio a música orquestrada e clássica sempre teve pouco espaço, quase não sendo tocada em sua programação normal, salvo em programas especiais de finais de semana, ou quando morre alguma pessoa importante da comunidade, aí as emissoras suspendem a programação e passam a tocar por todo o dia a música instrumental. Já dobrados e marchas sempre me chamaram atenção nos palanques das “Feirinhas de Natal” como também no coreto da praça do centro da cidade. As Bandas de Música são sempre atrações e tem presenças garantidas nas procissões, inaugurações e solenidades governamentais, como também nos tradicionais desfiles do Sete de Setembro. Não esquecendo as Orquestras Sinfônicas que toda a grande cidade possui e quando se apresentam nos espaços públicos é um sucesso, o que comprova a carência de audição dessa música especial que eleva o espírito das pessoas que as ouvem. Hoje tenho certeza que por gostar de rádio e de sempre estar ouvindo boas músicas, o meu dia é bem melhor.

 Armando Maynard

4 comentários:

  1. Fala, Armando! Tudo bem?! V

    Vamos por partes. Eu vejo o rádio como a mãe de todas as mídias de hoje. A velocidade de informação e a sua disseminação nunca foram tão velozes quanto no rádio. Sei que hoje é estranho os jovens em geral ouvirem, bem, ouvem, ouvem FM, que nem é rádio de verdade, pois é puro entretenimento. Nada contra quem ouve FM, mas por um comodismo geral, as rádios AM estão sumindo... Uma pena.

    Sobre a música percebo que hoje ela é mais um acessório do que um ritual. Antes passavamos diante do microsystem (é a minha época rs) ouvindo os nossos CDs, hoje o negócio é baixar as músicas em MP3 para levar para a academia, boates, caminhando para a faculdade...
    Eu vou confessar que já até chorei com músicas. As letras pareciam falar de mim e por isso lembrei de momentos, que me trouxeram à tona toda a saudade que tinha guardada e tentado esquecer... Parece bobagem, mas é realidade. A música nos transporta para uma realidade distante, remonta uma lembrança escondida...

    Música orquestrada... Eu adoro! Amo músicas orquestradas. Digo isso porque jogo videogame e jogo Final Fantasy, Chrono Cross, jogos com trilhas sonoras belíssimas. Se você gosta de Mozart, Bach entre outros, garanto que não vai se arrepender em ouvir músicas desses jogos.

    Enfim, abração Armando. Já falei demais!!!

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  2. Ah, mas foi mesmo assim, Armando! Fui lendo seu post e me lembrando dos programas da Rádio Nacional, César de Alencar e Ari Barroso, aquela platéia imensa. Não, não vivi aquela época, fui conhecer depois, lendo sobre o assunto rádio e conseguindo algumas fitas da Collector's, com programas como "Balança, mas não cai". Se você não conhece a Collector´s, guarde essa dica. Eles já tiveram uma loja real, no Rio de Janeiro. Hoje, funcionam pela internet, vendendo fitas ou CDs de programas antigos de rádio. Na época que estive lá, meados dos anos 90, comprei umas dez fitas.
    Também tenho essa mania de andar pela casa levando um rádio. Sempre ouço antes de dormir.
    E você deve ter visto "A Era do Rádio", do Woody Allen, não?
    Aquele abraço!

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  3. Olá Armando, obrigado pelo interesse em meus escritos, volto em breve a comentar.

    Abraços

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