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sábado, 7 de setembro de 2019
sexta-feira, 19 de abril de 2019
Ministro do STF revoga censura contra revista e site
O ministro do STF, Alexandre de Moraes
Crédito: Carlos Moura/STF
Publicado originalmente no site do Portal Imprensa, em 18/04/2019
Ministro do STF revoga censura contra revista Crusoé e site
O Antagonista
Redação Portal IMPRENSA
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de
Moraes, revogou na tarde desta quinta-feira (18) a decisão que impunha censura
sobre reportagem da revista Crusoé e do site O Antagonista. A mudança foi
decidida após diversas manifestações contrárias à medida inicial do magistrado.
Na segunda-feira (15), Moraes determinou que as publicações
retirassem de suas páginas na internet a reportagem intitulada "O amigo do
amigo do meu pai". Nela, havia referência a um e-mail do empresário
Marcelo Odebrecht, delator da Operação Lava Jato, no qual o presidente do STF,
Dias Toffoli, é tratado pelo apelido que dá nome à reportagem. Na época,
Toffoli era advogado-geral da União do governo da presidente Dilma Rousseff.
Ao impor a censura, Moraes enquadrou a reportagem no âmbito
do inquérito que investiga injúrias, ameaças e notícias falsas (fake news)
contra o STF e seus membros. Ao justificar sua mudança de opinião nesta quinta,
o ministro escreveu: "Comprovou-se que o documento sigiloso citado na
matéria realmente existe, apesar de não corresponder à verdade o fato que teria
sido enviado anteriormente à PGR para investigação. Na matéria jornalística, ou
seus autores anteciparam o que seria feito pelo MPF (Ministério Público
Federal) do Paraná, em verdadeiro exercício de futurologia, ou induziram a
conduta posterior do Parquet (corpo de membros do Ministério Público); tudo,
porém, em relação a um documento sigiloso somente acessível às partes no
processo, que acabou sendo irregularmente divulgado e merecerá a regular
investigação dessa ilicitude".
Texto e imagem reproduzidos do site: portalimprensa.com.br
terça-feira, 16 de abril de 2019
Crusoé e O Antagonista denunciam censura do Supremo...
em protesto contra
decisão do ministro do STF
Crédito: Reprodução
Publicado originalmente no site do Portal IMPRENSA, em 15/04/2019
Crusoé e O Antagonista denunciam censura do Supremo a
reportagem
Redação Portal IMPRENSA
A revista Crusoé e o site O Antagonista protestaram contra
decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
determinando a retirada do ar de reportagem na qual é citado o ministro Dias
Toffoli, presidente da Corte. As publicações estão sujeitas a multa diária de
R$ 100 mil em caso de não cumprimento da determinação.
Moraes também determinou à Polícia Federal a intimação dos
responsáveis pela reportagem "para que prestem depoimentos no prazo de 72
horas".
"Desde o fim da manhã desta segunda-feira, 15, Crusoé
está sob censura, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal", relata postagens feitas pelas publicações. De acordo
com o texto, uma cópia da decisão foi entregue na redação, no fim da manhã
desta segunda-feira, por um oficial de Justiça.
As postagens informam que "a reportagem de que trata a
decisão do ministro foi publicada com base em um documento que consta dos autos
da Operação Lava Jato. Nele, o empreiteiro Marcelo Odebrecht responde a um
pedido de esclarecimento feito Polícia Federal, que queria saber a identidade
de um personagem que ele cita em um e-mail como 'amigo do amigo de meu pai'.
Odebrecht respondeu tratar-se de Dias Toffoli, conforme revelou Crusoé em sua
edição de número 50, publicada na última sexta-feira, 12".
De acordo com Moraes, a decisão está no escopo do inquérito
aberto a pedido de Dias Toffoli, em março, sobre "a existência de notícias
fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações
revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a
honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e
familiares, extrapolando a liberdade de expressão". A investigação,
segundo o ministro, foi autorizada pelo próprio Toffoli, em mensagem direta
enviada na sexta-feira.
"Toffoli, no pedido para que a reportagem fosse objeto
de apuração, alegando tratar de 'mentiras' destinadas a atingir as
'instituições brasileiras', se refere a nota oficial divulgada pela
Procuradoria-Geral da República (PGR) dizendo não ter recebido, ainda, cópia do
documento enviado à Lava jato por Marcelo Odebrecht e revelado por
Crusoé", relata o site.
Em sua decisão, Alexandre de Moraes afirma que "há
claro abuso no conteúdo da matéria veiculada" e determina que além da
reportagem, todas as postagens subsequentes que tratem do assunto também sejam
retiradas do ar.
Ao se manifestar sobre a decisão, a Crusoé "reitera o
teor da reportagem, baseada em documento" e afirma que "embora tenha
solicitado providências ao colega Alexandre de Moraes ainda na sexta-feira, o
ministro Dias Toffoli não respondeu às perguntas que lhe foram enviadas antes
da publicação da reportagem agora censurada".
Texto e imagem reproduzidos do site: portalimprensa.com.br
domingo, 30 de dezembro de 2018
Brasil, 01 de janeiro de 2019 > Posse do presidente Jair Bolsonaro
Clique na imagem para ampliar
Presidente Jair Bolsonaro
Jair Messias Bolsonaro é um militar da reserva, político e
presidente eleito do Brasil. Filiado ao Partido Social Liberal, foi deputado
federal por sete mandatos entre 1991 e 2018, sendo eleito através de diferentes
partidos ao longo de sua carreira. Wikipédia
Nascimento: 21 de março de 1955 (idade 63 anos), Campinas,
São Paulo
Cônjuge: Michelle Bolsonaro (desde 2007)
Cargo: Deputado federal do Brasil desde 1991
Filhos: Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro,
Laura Bolsonaro, Renan Bolsonaro
Fonte: pt.wikipedia.org
sábado, 29 de dezembro de 2018
O reconhecido trabalho da Comunicação da Prefeitura de Aracaju
Cláudia Lemos avalia o trabalho da Secom como positivo
Para Gilvan Manoel, a Comunicação tem funcionado
de forma a contribuir com os jornalistas
Para André Barros, atuação da Secom é exemplar
Célia Silva elogiou a qualidade das matérias e
das informações repassadas
Fotos: Sergio Silva
Publicado originalmente no site da PMA, em 28/12/18
Comunicação Social
Aliando diversos meios de linguagem, Comunicação da
Prefeitura é ponte transparente para imprensa
Dentro da organização pública, muitas vezes a comunicação
passa despercebida. Sendo intermediadora entre a gestão, os veículos de
imprensa e população, foi por meio dela que a Prefeitura de Aracaju utilizou
mais uma forma de demonstrar transparência em suas ações cotidianas. Seja por
meio das matérias disponibilizadas no site, ou pelas redes sociais e até mesmo
pela TV PMA, as múltiplas linguagens foram fomentadas dentro da gestão para
levar informação de forma coesa, célere e clara, respeitando o princípio ético
da Comunicação dentro da administração pública.
Até o mês de novembro, somente no site da Prefeitura, foram
produzidas 4.056 matérias em 2018, sendo que, por mês, uma média de 300 foi
veiculada em meios impressos do estado, que ainda hoje são uma das principais
fontes de credibilidade na comunicação. Esse trabalho conta por trás com uma
equipe que, desde o início da gestão, se articulou através das diretrizes do
Planejamento Estratégico da gestão e se comprometeu, direcionada pela
Secretaria Municipal da Comunicação (Secom), a levar os serviços para mais
perto da principal interessada, a população de Aracaju.
Aproximar, esse foi um dos focos da comunicação. Estimular o
pensamento de que a cidade é feita pelo coletivo foi o norte, tanto dos
servidores materiais realizados pela gestão, como do papel da divulgação
destes. Um cidadão que mora na zona Sul da capital, pode sentir os efeitos de
uma obra na zona Oeste, por exemplo, mas, para isto, a comunicação precisou
funcionar para levar esse entendimento até esse cidadão.
Como termômetros, os veículos de comunicação do estado
puderam avaliar as informações e esclarecimentos que chegaram, não somente
durante o ano de 2018, mas ao longo desses dois anos da atual gestão da
Prefeitura de Aracaju.
Para o diretor de Jornalismo do Jornal do Dia, Gilvan
Manoel, as informações têm sido cada vez mais frequentes. "A comunicação
tem funcionado de forma a contribuir com o nosso trabalho no Jornalismo diário.
Nos tempos de hoje, estamos muito atrelados às redes sociais e a Prefeitura tem
se utilizado dela de forma bem precisa e tem feito isso muito bem",
considerou.
É da mesma opinião a diretora do Correio de Sergipe, Cláudia
Lemos. "Avalio como um trabalho muito positivo. O contato com a
Comunicação é muito eficaz e isso se reflete no nosso trabalho, afinal, muitas
vezes dependemos das informações das assessorias para transmitir aos
leitores", afirmou.
A jornalista Célia Silva, da Rede Fan, elogiou o feed back
da comunicação. "As informações chegam redondas, as matérias bem coesas, com
informações consistentes. Sem dúvida, isso facilita o trabalho da imprensa que,
muitas vezes, precisa ter informações rápidas, ágeis", destacou.
O jornalista André Barros considera que o trabalho na
Prefeitura pode ser usado como exemplo dentro da comunicação pública. "Uma
das coisas que chama a atenção são os textos bem elaborados e a preocupação dos
gestores da comunicação em sempre estar em contato com os veículos, prestando o
suporte necessário. O fato de gestão ter investido nas redes sociais também foi
algo muito positivo, já que é uma ferramenta de fácil interação. É importante
termos uma comunicação que faz a diferença", ressaltou.
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
4ª Edição do Prêmio Sincor de Jornalismo
Prêmio Sincor-SE
Publicado originalmente no site Seguro Notícias, em 26 de novembro de 2018
Noite de glamour na entrega da 4ª Edição do Prêmio Sincor de
Jornalismo
Com o apoio institucional do Sindicato dos Jornalistas do
Estado de Sergipe (SINDIJOR-SE) foi realizada na noite da quinta-feira (22), no
Camp Perrin Eventos, no Bairro Coroa do Meio, zona sul de Aracaju, a entrega do
Prêmio Sincor de Jornalismo, promovido pelo Sindicato dos Corretores de Seguros
de Sergipe (Sincor-SE).
Em sua 4º edição, o Prêmio Sincor de Jornalismo premiou os
melhores trabalhos jornalísticos nas categorias radiojornalismo,
telejornalismo, webjornalismo, impresso e universitário.
O vice-presidente do SINDIJOR, Edmilson Brito, discursou
representando o presidente Paulo Sousa. Ele reconheceu a importância do prêmio,
bem como o esforço de o Sincor realizá-lo mesmo em época de crise.
“Somos parceiros do Prêmio Sincor de Jornalismo que em todos
os anos tem sido realizado com muito brilhantismo e profissionalismo. Parabéns
a diretoria do Sincor, ao presidente Érico Melo e, neste ano, em especial,
mesmo quando todos falam em crise o Sincor não se furtou em manter o prêmio
para homenagear a nós jornalistas pelo trabalho incansável de produzir boa
informação e de sermos espaço para o contraditório, como pilares da democracia
tanto aviltada em tempos atuais”, destacou Edmilson.
Prêmio Sincor-SE
O vice-presidente enalteceu a determinação dos jornalistas
em participar dos prêmios, salientando que o mais importante do que a
participação, é a contribuição que todos deram na produção de matérias de
interesse da sociedade.
“Não tivemos ganhadores e perdedores, tivemos vitoriosos e
combativos jornalistas, dignos de aplausos e merecedores das devidas horarias
pela participação neste Prêmio Sincor de Jornalismo. Alguns receberam a comenda
e os demais já têm o reconhecimento da sociedade pela prática cotidiana do
exercício profissional”, concluiu.
O presidente do Sincor, Érico Melo, agradeceu o apoio do
SINDIJOR e destacou a importância dos jornalistas para a profissão de corretor
de seguros.
“As reportagens tem melhorado a cada ano de prêmio e os
jornalistas, sem sobra de dúvidas, são importantes para dar publicidade as
nossas ações e ajudar a esclarecer à sociedade sobre o papel dos seguros e das
seguradoras. O meu agradecimento a esses grandes profissionais e ao SINDIJOR,
grande parceiro na realização deste prêmio”, reconheceu.
Confira os jornalistas premiados em cada categoria.
Universitário:
Mariane Marques, rede xodó,
Webjornalismo:
1º lugar – Tayná Ferreira
2º lugar – Anderson Machado
3º lugar – Milton Alves Júnior
Impresso:
1º lugar – Milton Alves Junior
2º lugar – Barroso Guimarães
3º lugar – Milton Alves Júnior
Radiojornalismo:
1º lugar – Juliana Almeida
2º lugar – Barroso Guimarães
3º lugar – Edcarlos Queiroz
Telejornalismo:
1º lugar – Rafael Carvalho (repórter) e João Augusto
(produtor)
2º lugar – Carla Suzanne (repórter) e Ana Paula Correia
(produtora)
3º lugar – Leonardo Barreto (repórter) e Hivy Rafaella
(produtora)
Foram Classificados para o Prêmio Nacional da Fenacor –
Federação Nacional dos Corretores: Juliana Almeida e Barroso Guimarães, na
categoria radiojornalismo; Rafael Carvalho, na categoria telejornalismo, e Márcio
Rocha, na categoria especial Fenacor 50 anos.
Fonte: Sindijor
Texto e imagens reproduzidos do site: seguronoticias.com
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Morre o intelectual Hélio Jaguaribe
Publicado originalmente no site G1 Rio, em 10/09/2018
Morre o acadêmico Helio Jaguaribe
Ele foi o nono ocupante da cadeira nº 11 da Academia
Brasileira de Letras. Eleito em 3 de março de 2005, sucedeu o economista Celso
Furtado.
Por G1 Rio
Morre o intelectual Hélio Jaguaribe
O acadêmico, jurista, sociólogo e escritor Helio Jaguaribe
faleceu na noite deste domingo (9), em sua residência, no bairro de Copacabana,
no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla dos órgãos. O corpo de Jaguaribe
será velado na Sala dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, a partir das 10h
desta quarta-feira (12). O sepultamento está previsto para o mesmo dia, às 15h,
no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Cemitério São João
Batista, em Botafogo. O acadêmico deixa viúva e cinco filhos.
Nono ocupante da Cadeira nº 11 da ABL, Helio Jaguaribe foi
eleito em 3 de março de 2005, na sucessão de Celso Furtado.
"Pare ele, ação e pensamento permanecem indissociáveis,
como Darcy Ribeiro e Celso Furtado, que o precederam na cadeira 11. Cientista
político de alta erudição e consciência vigilante, deixou obra vasta e
criativa. Cito apenas dois títulos: 'A dependência político-econômica da
América Latina', verdadeiro clássico na área, e 'Um estudo crítico da história',
divisor de águas da interpretação do processo histórico publicado em nosso
país. Homem de gestos largos e entusiasmado, Helio continua vivo pelas virtudes
de sua obra, saudosa do futuro”, disse o presidente da ABL, Marco Lucchesi.
Trajetória
Helio Jaguaribe de Mattos nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de
abril de 1923, diplomando-se em Direito, em 1946, pela PUC-Rio.
Em 1952, iniciou, com um grupo de jovens cientistas sociais,
um projeto de estudos para a reformulação do entendimento da sociedade
brasileira, fundando o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política
(Ibesp), do qual foi secretário-geral e diretor da revista do Instituto,
"Cadernos de nosso tempo", de relevante influência no Brasil e na
América Latina.
Em 1956, promoveu a constituição do Instituto Superior de
Estudos Brasileiros (Iseb), uma instituição de altos estudos, do Ministério da
Educação e Cultura, no campo das Ciências Sociais, do qual foi designado chefe
do Departamento de Ciência Política.
Ele pediu exoneração de ambas as funções em 1959, por
discordância com mudanças na orientação dos institutos. Passou, então, alguns
anos colaborando, sem vínculos permanentes, com diversas instituições
acadêmicas, no Brasil e no exterior.
Em 1964, depois de pública condenação do golpe militar,
afastou-se do país e foi lecionar nos Estados Unidos. De 1964 a 1966, ele
trabalhou na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967, na Universidade de
Stanford; e de 1968 a 1969, no MIT – Massachusets Institute of Tecnology.
Retornando ao Brasil em 1969, Jaguaribe ingressou no
Conjunto Universitário Cândido Mendes onde, por alguns anos, foi diretor de
Assuntos Internacionais. Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais,
em 1979, foi designado decano, função que exerceu até 2003.
Naquela data, completando 80 anos, propôs sua substituição
por alguém mais jovem, o professor Francisco Weffort, ex-Ministro da Cultura do
Governo Fernando Henrique Cardoso, que foi escolhido para o cargo. Para
Jaguaribe foi conferido o título de decano emérito e, nessa função, continuou
suas pesquisas.
Por sua contribuição às Ciências Sociais, aos estudos
latino-americanos e à análise das Relações Internacionais, recebeu o grau de
Doutor Honoris Causa da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, RFA (em
1983); da Universidade Federal da Paraíba (em 1992) e da Universidade de Buenos
Aires (em 2001).
Em 1996, foi agraciado, por sua contribuição às Ciências
Sociais, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 1999, o
Ministério da Cultura conferiu, por sua contribuição ao desenvolvimento
cultural do país, a Ordem do Mérito Cultural.
Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/rj
domingo, 9 de setembro de 2018
A facada em Bolsonaro
FACADA NO ABDÔMEN O presidenciável é carregado
por correligionários até uma ambulância,
logo depois de ter sido esfaqueado
Crédito: Fábio Motta
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Publicado originalmente no site da revista ISTOÉ, em 06/09/18
A facada em Bolsonaro
Um atentado contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), na
tarde de quinta-feira, gerou apreensão na corrida eleitoral. Ele levou uma
facada no abdômen, atingindo o fígado e a alça intestinal. A democracia também
foi atingida
Por Germano Oliveira
Um atentado cometido contra o presidenciável do PSL, Jair
Bolsonaro, na tarde de quinta-feira 6, em Juiz de Fora (MG), – um ato sem
precedentes desde a redemocratização –, pode cristalizar um cenário que vinha
se consolidando nas recentes pesquisas eleitorais: sua quase inevitável
ascensão ao 2º turno da corrida presidencial. Eram 16h quando o ex-capitão do
Exército sentiu o peso do extremismo de uma campanha que partia, como em 2014,
para uma densa e perigosa atmosfera alicerçada pelo clima do “nós contra eles”:
levou uma facada no abdômen enquanto fazia uma caminhada no centro da cidade
mineira. Bolsonaro estava sendo carregado por simpatizantes quando uma pessoa
desferiu uma facada na altura da barriga do candidato. O ataque atingiu o
candidato, apesar de ele usar um colete a prova de balas. O corte entrou na
região abaixo do colete, num local desprotegido. Na própria quinta-feira, o
comandante do Exército, general Villas Boas, convocou uma reunião emergencial
do Alto Comando, que reúne 16 generais quatro estrelas, para tratar do tema.
O presidenciável estava no meio de uma enorme multidão e
seus simpatizantes perceberam o momento do ataque, em que o candidato começou a
sangrar. Bolsonaro foi imediatamente levado para a Santa Casa de Juiz de Fora e
a primeira informação era de que não havia sido nada grave e que teria levado
seis pontos no abdômen. Num segundo momento, no entanto, veio a confirmação de
que o corte atingiu o fígado e a alça intestinal. A lesão hepática o levou a
ser submetido a uma cirurgia de urgência. Por volta das 18h, as informações do
corpo médico davam conta de que o estado de Bolsonaro era instável e muito
grave – o sangramento abdominal não havia cessado.
O agressor foi preso ainda no meio da multidão. Trata-se de
Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, morador na cidade de Montes Claros. Ele
justificou o ato alegando que foi “uma ordem de Deus”. Em sua página no
Facebook, Adélio, que foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014, apresenta posts
com dizeres “Lula livre” e “Fora Temer”. Ou seja, tudo indica que o pano de
fundo do crime possa ter sido mesmo a disputa eleitoral. A investigação sobre o
atentado deve ser assumida pela Polícia Federal, já que o candidato, por ser
parlamentar, tinha sua segurança pessoal sendo feita por policiais da PF. Os
demais candidatos ao Planalto repudiaram o atentado. A Ordem dos Advogados do
Brasil emitiu nota dizendo que “a democracia não comporta esse tipo de
situação”. “A realização das eleições em ambiente saudável depende da
serenidade das instituições e militantes políticos. O processo eleitoral não
pode ser usado para enfraquecer a democracia. Neste momento, cabe a reflexão a
respeito do momento marcado por extremismos, por discursos de ódio e apologia à
violência. Tudo isso apenas estimula mais violência, numa situação que
prejudica a todos”, disse a OAB.
O atentado acontece um dia depois do Ibope ter divulgado
pesquisa em que Bolsonaro aparece liderando com folga as pesquisas de intenção
de votos, com 22%, mas com rejeição em alta (44%) – perdia para todos no 2º
turno, à exceção de Fernando Haddad, do PT. Nessa mesma pesquisa, o segundo
lugar estava sendo disputado pelo candidato do PDT Ciro Gomes, com 12%, por
Marina Silva (Rede), também com 12% e por Geraldo Alckmin (PSDB), que subiu de
7% para 9%. Os três em empate técnico.
“É intolerável o que tem havido na sociedade brasileira. É
intolerável que as pessoas falseiem dados durante campanha eleitoral. É
intolerável que, vivendo num estado democrático de direito, não haja
possibilidade de uma campanha tranquila” (Michel Temer Presidente da República)
O atentando desta quinta-feira, segundo cientistas
políticos, pode reverter a curva ascendente de rejeição, – incapaz de tirá-lo
do segundo turno, mas o suficiente para ser derrotado por quase todos na etapa
final do pleito, – ao transformar o candidato do PSL, acusado por adversários
políticos de disseminar o ódio na campanha, em vitima do processo eleitoral.
Sobretudo pelo fato de que o agressor assumir um claro viés de esquerda,
espectro político combatido por Bolsonaro. Se já não bastasse o fato de o
candidato do PSL liderar as pesquisas com alguma folga sobre os demais, a
polarização, na atual circunstância política, tende a beneficiá-lo. Várias
mobilizações foram organizadas pelo País em solidariedade ao candidato do PSL.
Para dar a exata medida do clima que pode ser instaurado na campanha de agora
em diante, o presidente do partido do presidenciável, advogado Gustavo
Bebianno, que acompanhava Jair Bolsonaro na Santa Casa de Misericórdia, disse
sem rodeios que “a guerra está declarada”. Ele disse que chegou a avisou
Bolsonaro a não participar da caminhada, pois havia recebido informações da PF
de que grupos opositores se preparavam para um confronto. “Falei ‘não vamos’.
Tem informes da PF que ia ter um pessoal para confrontar. Além disso, é um
lugar cheio de prédios, favorável para arremessarem coisas. Mas ele quis ir
para a multidão.”, afirmou Bebianno. Independentemente de preferências e
colorações partidárias, o ataque a Bolsonaro, assim como o recente assassinato
de Marielle Franco, no Rio, constitui uma afronta à democracia representativa.
Sem espaço para relativizações. É o retrato mais bem acabado da barbárie em que
vivemos.
Um militante do PSOL
Adelio de Oliveira já militou no PT, faz campanha para Dilma
Rousseff ao Senado e é obcecado por sociedades secretas e pela maçonaria,
apresentando um discurso confuso e um tanto paranóico em redes sociais
O autor da facada em Jair Bolsonaro foi identificado pela
Polícia Militar como Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, morador de Montes
Clarinhos (MG). Após ser levado à delegacia, ele confessou o crime. Na
internet, ele se revela um ferrenho opositor de Bolsonaro e aliados, como o
ator Alexandre Frota. Ele também ataca nas mídias sociais a chapa de Geraldo
Alckmin, chamando a vice do candidato (Ana Amélia) de “ladra de projetos”. Na
sua conta do Facebook há muitas palavras de ordem como “Lula livre” e “Fora
Temer”. Outro assunto que interessa muito a Oliveira é a maçonaria. Em diversas
postagens ele fala de sociedades secretas, dos “illuminati” e da chegada do
anti-cristo. Oliveira nasceu em Montes Claros e é formado em Pedagogia pela
Universidade Federal de Viçosa. Atualmente é militante do PSOL, mas já militou
pelo PT e trabalha na campanha de Dilma Rousseff, em Juiz de Fora. Seu perfil
no Facebook já tinha recebido diversas ameaças de apoiadores de Bolsonaro.
Cirurgia de emergência
Bolsonaro entrou na emergência da Santa Casa de Misericórdia
de Juiz de Fora, Minas Gerais, às 15h40 desta quinta-feira 6. Às 18h20 foi anunciado
que ele não corria risco de vida. O candidato passou por um exame de ultrassom
e foi para o centro cirúrgico. De acordo com uma entrevista rápida de um
porta-voz da instituição, ele sofreu “uma lesão por material perfurocortante na
região do abdome”. Apesar de as imagens do resgate de Bolsonaro não mostrarem
grandes sangramentos, ele apresentou uma séria queda de pressão arterial, que
atingiu 8×3, indicando perda de sangue. A suspeita era de ferimentos no fígado
e na alça intestinal, que podem provocar graves hemorragias internas. O
procedimento inicial pela qual Bolsonaro passou é chamado de laparotomia
exploratória, que consiste em abrir o abdome em busca de lesões. Nas imagens do
momento do atentado, é possível ver que a vítima foi atingida enquanto era
carregada nos ombros de um correligionário. De acordo com outra imagem
divulgada pela Política Militar de Juiz de Fora, a arma utilizada foi uma faca
de cozinha para corte de carne. O utensílio foi apreendido para perícia.
Texto e imagens reproduzidos do site: istoe.com.br
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
07 de Setembro – Dia da Independência do Brasil
07 de Setembro – Dia da Independência do Brasil
O Dia da Independência do Brasil é celebrado em 07 de
setembro, dado que foi nesse dia em que, às margens do rio Ipiranga, D. Pedro
tornou o país independente.
A Independência do Brasil é celebrada em todo dia 07 de
setembro. Essa comemoração acontece desde a época do Primeiro Império, que, a
cada ano, rememorava a ocasião em que o país se tornou independente de Portugal
no ano de 1822. O processo de independência do Brasil teve como principais
atores históricos, além do príncipe regente D. Pedro (que se tornou o imperador
D. Pedro I), alguns representantes da elite interessada na ruptura entre Brasil
e Portugal. Entre esses representantes, encontrava-se aquele que também se
tornou um dos maiores articuladores do Império, José Bonifácio de Andrada e
Silva.
De certa forma, a possibilidade de um “Brasil independente”
remonta à época da vinda da família real para o Brasil em 1808, acontecimento
que inaugurou em nosso país o chamado Período Joanino. D. João VI veio com sua
corte para o Brasil por ter se recusado a ser conivente com a política do
Bloqueio Continental, imposta por Napoleão Bonaparte contra o Reino Unido. Como
Portugal possuía importantes acordos econômicos com os ingleses, D. João VI
achou por bem desobedecer às ordens do imperador francês e abandonar a
Península Ibérica, sendo escoltado por navios ingleses até a costa brasileira.
Nessa época, o Brasil foi alçado à condição de Reino Unido,
junto a Portugal e Algarves, deixando assim a condição de ser colônia. Muitas
das ações empreendidas por D. João VI no Brasil durante o período em que aqui
esteve (1808-1821) colaboraram para que o país ganhasse uma relevância que
ainda não possuía. Essa relevância tinha dimensões econômicas, políticas e
culturais. Entretanto, nos anos que seguiram após o fim da Era Napoleônica
(1799-1815), Portugal passou por intensas turbulências políticas. Essa situação
exigiu a volta do rei D. João VI com sua corte em 1821.
O rei português deixou no Brasil como seu representante D.
Pedro, seu filho, que recebeu o título de príncipe regente. Durante o ano de
1821 e até os primeiros dias do mês de setembro de 1822, as turbulências
políticas de Portugal fizeram-se refletir também no Brasil. As assembleias que
ocorriam em Lisboa (que contavam também com representantes brasileiros)
ganhavam pautas que defendiam o retorno de Portugal como o centro político do
referido Reino Unido e, por consequência, a submissão do Brasil à sua posição.
Ao mesmo tempo, em terras brasileiras, o príncipe regente,
orientado por representantes das elites políticas locais, promovia uma série de
reformas que desagradavam as elites lusitanas. As ações de D. Pedro mobilizaram
a corte portuguesa a pedir a sua volta imediata para Portugal no início de
1822. D. Pedro recusou-se a abandonar o Brasil e, em 09 de janeiro, optou pela
sua permanência no país. Esse dia ficou conhecido como Dia do Fico.
As indisposições entre Portugal e Brasil continuaram ao
longo do primeiro semestre de 1822. Esse período de intensas discussões e
propostas direcionadas à efetivação da independência foi exaustivamente
estudado por muitos historiadores, tanto portugueses quanto brasileiros. No
Brasil, destacam-se os nomes de Oliveira Lima e Nelson Werneck Sodré. No mês de
setembro, as cortes portuguesas deram um ultimato para D. Pedro voltar para
Portugal, sob ameaça de ataque militar. O príncipe que estava em viagem ao
estado de São Paulo recebeu a notícia e, antecipando uma decisão que já estava
quase nas “vias de fato”, declarou o país independente às margens do rio
Ipiranga, no dia 07. Esse gesto implicaria a futura organização do país
enquanto nação e enquanto império, um projeto que não era fácil de ser
conduzido, como acentua o historiador Boris Fausto:
“Alcançado em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho
Ipiranga, dom Pedro proferiu o chamado Grito do Ipiranga, formalizando a
Independência do Brasil. Em 1° de dezembro, como apenas 24 anos, o príncipe,
regente era coroado Imperador, recebendo o título de dom Pedro I. O Brasil se
tornava independente, com a manutenção da forma monárquica de governo. Mais
ainda, o novo país teria no trono um rei português. Este último fato criava uma
situação estranha, porque uma figura originária da Metrópole assumia o comando
do país. Em todo de dom Pedro I e da questão de sua permanência no trono muitas
disputas iriam ocorrer, nos anos seguintes.” [1]
NOTAS
[1] FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da
Universidade de São Paulo, 2013. p 116.
Por Me. Cláudio Fernandes
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho
escolar ou acadêmico? Veja:
FERNANDES, Cláudio. "07
de Setembro – Dia da Independência do Brasil"; Brasil Escola. Disponível
em
.
Acesso em 07 de setembro de 2018.
Texto reproduzido do site: brasilescola.uol.com.br
terça-feira, 31 de julho de 2018
Jurista Hélio Bicudo morre aos 96 anos em SP
Jurista Hélio Bicudo, autor de requerimento de
impeachment de Dilma (Foto: J. F. Diorio/Estadão Conteúdo)
Publicado originalmente no site G1/SP., em 31/07/2018
Jurista Hélio Bicudo morre aos 96 anos em SP
Ele foi um filiado histórico do PT, mas deixou o partido e
foi um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Por G1 SP, São Paulo
O jurista e político Hélio Bicudo, de 96 anos, morreu na
manhã desta terça-feira (31) em sua casa, nos Jardins, em São Paulo. Os locais
do velório e do enterro ainda não foram divulgados.
Segundo o advogado Thiago Nunes, amigo de Bicudo, ele morreu
por volta das 10h30 em decorrência de vários problemas de saúde, inclusive
cardíaco. Ele tinha sete filhos, sendo quatro homens e três mulheres. A mulher,
Déa, faleceu em março deste ano.
Bicudo nasceu em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, foi
aluno da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na turma de
1946, e ex-integrante do Partido dos Trabalhadores (PT).
Ele foi um dos autores do pedido de impeachment contra a
ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados em 2015.
Ativista dos Direitos Humanos, ficou conhecido por condenar
integrantes do Esquadrão da Morte, grupo de extermínio formado por policiais
que agia em São Paulo nos anos 70, época em que era promotor.
"Não houve um confronto, houve um processo de
eliminação, de execução por parte da polícia", contou Bicudo em
entrevista.
Posteriormente, o jurista atuou como procurador de Justiça
do Estado de São Paulo. Ele particiou da luta pela redemocratização do Brasil e
atuou na campanha "Diretas Já".
Em 1986, Bicudo se filiou ao PT e foi candidato ao Senado.
Ele foi secretário de Negócios Jurídicos do município de São Paulo na gestão da
ex-prefeita Luiza Erundina entre 1989 e 1990, quando se elegeu deputado federal
pelo PT.
Em 2000, foi empossado presidente da Comissão Interamericana
de Direitos Humanos, com sede em Washington, nos Estados Unidos. Entre 2001 e
2004, foi vice-prefeito de São Paulo durante a gestão da petista Marta Suplicy.
Em 2005, Bicudo deixou o PT, em meio a crise do mensalão.
Ele deixa sete filhos, netos e bisnetos. Bicudo estava viúvo
desde março, data em que sua mulher Déa faleceu.
Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/sp
segunda-feira, 9 de julho de 2018
Decisão de soltar Lula provoca impasse jurídico
Publicado originalmente no site do Cinform, em 08/07/2018
Decisão de soltar Lula provoca impasse jurídico
Por Luiza Damé e Camila Boehm
Repórteres da Agência Brasil - Brasília e São Paulo
Após mais de nove horas de impasse no Judiciário, o
presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, Carlos Eduardo
Thompson Flores Lenz, manteve a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, colocando fim ao confronto de decisões dos desembargadores Rogério
Favreto e João Pedro Gebran Neto. O conflito de competência envolvendo o TRF
chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota a presidente da Corte,
ministra Cármen Lúcia, disse que a Justiça precisa decidir com rapidez, mas
“sem quebra da hierarquia” e mantendo “o rigor absoluto no cumprimento das
normas vigentes”.
Em seu despacho, Thompson Flores afirmou que os argumentos
usados no pedido de habeas corpus a favor do ex-presidente são os mesmos já
submetidos e analisados pela 8ª Turma do TRF, inclusive o fato de Lula ser
pré-candidato à Presidência da República. Segundo ele, “rigorosamente, a
notícia da pré-candidatura eleitoral (de Lula) é fato público/notório do qual
já se tinha notícia” no julgamento da 8ª Turma. O presidente do TRF foi
provocado pelo Ministério Público Federal, que argumentou que a situação gerava
insegurança jurídica.
Na decisão, Thompson deixou claro que Favreto, como
plantonista do TRF, não tinha competência para liberar o ex-presidente. Ao
revogar a decisão de Favreto, o presidente do TRF mandou devolver os autos do
processo ao gabinete de Gebran Neto, bem como informar a Polícia Federal de seu
despacho.
Conflito
O conflito juírico começou na manhã de hoje. Pouco antes das
10h, Favreto acatou pedido de habeas corpus impetrado pelos deputados federais
Paulo Teixeira (PT-SP), Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Pimenta (PT-RS), mandando
soltar o ex-presidente Lula, preso desde abril, por corrupção passiva e lavagem
de dinheiro, condenado na ação penal do triplex do Guarujá (SP). Em seguida,
emitiu o alvará de soltura do ex-presidente, para que a medida fosse cumprida
pela Polícia Federal no próprio domingo.
O juiz Sérgio Moro, titular da Lava Jato, ao tomar
conhecimento da decisão, mesmo estando de recesso, disse que Favreto não tinha
competência para liberar Lula e pediu a manifestação do relator da Lava Jato em
segunda instância, Gebran Neto. Contrariando Favreto, o relator suspendeu a
decisão que determinou a liberdade provisória do ex-presidente e determinou que
a Polícia Federal do Paraná, onde Lula está preso, não tomasse nenhuma
providência para soltá-lo.
Em novo despacho, Favreto reiterou a decisão anterior,
mandando liberar o ex-presidente e dando prazo de uma hora para o cumprimento
da medida. Segundo ele, o alvará de soltura estava de posse da Polícia Federal
desde as 10h. Sem saber qual decisão seguir, a Polícia Federal decidiu
aguardar.
Interpretação
A interpretação do imbroglio não é consensual no meio
jurídico. Especialistas disseram à Agência Brasil que a resolução 71, do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não permite a revisão decisões apreciadas
pelo órgão judicial de origem e, portanto, o desembargador plantonista não
teria competência para julgar o pedido de soltura, pois o TRF, o Superior
Tribunal de Justiça e o STF já haviam decidido sobre a questão.
Consultado pela Agência Brasil, o ex-presidente do STF
Carlos Velloso disse que Gebran Neto era o desembargador competente para julgar
o pedido de habeas corpus. “Prevalece a decisão do juiz natural da questão, o
desembargador relator, que reassumiu as suas funções”, afirmou.
“Não existe outra jurisdição hoje apta a proferir qualquer
decisão no caso, se não o plantão judicial, é assim que está publicado no
Diário Oficial da Justiça Federal, nomeando o Favreto como plantonista. Toda
atuação que foge a essa jurisdição do plantão é uma atuação extraordinária, é
uma atuação de exceção, como vem sendo infelizmente observado pela sociedade
brasileira em tempos de expansão desse protagonismo político da Justiça”, avaliou o doutor em Direito e professor da
Universidade de Brasília, Antonio Escrivão Filho.
Ele explicou que, encerrado o plantão judicial, o
plantonista envia o processo para a jurisdição competente. Neste caso, o
processo de Lula está sob jurisdição do desembargador Gebran Neto, que é o
relator, e a liberdade provisória seguiria para apreciação pela 8ª turma do
TRF4, da qual ele faz parte. O professor explicou que o desembargador Gebran,
assim como o juiz Sérgio Moro, apareceram no processo sem serem provocados
dentro do procedimento normal da Justiça.
“Ele [Gebran] teria esse poder [de suspender a liberdade
provisória] quando ele voltasse a trabalhar, porque o processo tem que seguir
um rito previsto na lei processual e, quando encerrado o plantão judicial, o
processo seria remetido então ao relator ao longo da semana”.
Texto e imagem reproduzidos do site: cinform.com.br
Presidente do TRF-4 decide que Lula deve continuar preso
UESLEI MARCELINO/REUTERS
Lula deve continuar preso, decide o presidente do
TRF-4, Thompson Flores.
FRANKLIN DE FREITAS/AFP/GETTY IMAGES
Militantes fazem ato em frente à sede da PF em Curitiba,
onde Lula está preso, neste domingo (8).
Publicado originalmente no site Huffpost Brasil, em 08/07/2018
Presidente do TRF-4 decide que Lula deve continuar preso
Thompson Flores manteve decisão de Gebran Neto, relator da
Lava Jato no TRF-4, e suspendeu ordem do plantonista Rogério Favreto.
By Débora Melo
O presidente do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª
Região), desembargador Thompson Flores, decidiu que a palavra final sobre a
soltura de Luiz Inácio Lula da Silva não será do desembargador plantonista
Rogério Favreto, e o ex-presidente não será solto neste domingo (8).
Flores entendeu que a competência é do relator da Operação
Lava Jato no TRF-4, desembargador João Pedro Gebran Neto, que mais cedo
suspendeu a ordem de soltura expedida inicialmente por Favreto. O plantonista,
porém, insistiu que Lula deveria ser solto e emitiu nova ordem, agora derrubada
por Flores.
"Determino o retorno dos autos ao gabinete do
desembargador federal João Pedro Gebran Neto, bem como a manutenção da decisão
por ele proferida", decidiu Flores.
O presidente do TRF-4 disse que a ordem de soltura não
poderia ter sido tomada por um juiz de plantão, que não teria o poder de
revisar a decisão de um colegiado.
"Nesses termos, o eminente desembargador plantonista
não detém competência para a análise do pedido de habeas corpus",
escreveu.
Em janeiro, a 8ª Turma do TRF-4 manteve a condenação de Lula
no caso do tríplex em Guarujá (SP) e aumentou a pena para 12 anos e 1 mês de
prisão. O ex-presidente nega que tenha recebido o imóvel como propina e se diz
preso político.
Eleições 2018
Ao acatar o pedido de habeas corpus, o desembargador Favreto
considerou como fato novo a "condição de pré-candidato" de Lula nas
eleições 2018. Preso desde o dia 7 de abril na carceragem da Polícia Federal em
Curitiba, o ex-presidente figura como líder nas pesquisas de intenção de voto
para o Planalto.
Flores rebateu o argumento de que a pré-candidatura do
petista seja fato novo e afirmou que os fundamentos apresentados no habeas corpus
não diferem de outros pedidos já apresentados pela defesa e analisados pela
Justiça.
"Rigorosamente, a notícia da pré-candidatura eleitoral
do paciente é fato público e notório", argumentou o presidente do TRF-4.
"Intromissão arbitrária"
A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, criticou a
decisão de Flores.
"É uma intromissão arbitrária do presidente de um
tribunal regional, que fez com que uma decisão judicial fosse
descumprida", disse Gleisi na noite deste domingo, em ato de apoio a Lula
no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).
A senadora também fez críticas à atuação da Polícia Federal.
"[Houve] conivência da Polícia Federal, um órgão
executivo. Essa conivência é uma barbaridade. Uma conivência para adiar
sucessivamente a decisão de soltura do presidente, para dar tempo às manobras
administrativas", afirmou.
Além do ato em São Bernardo do Campo, o domingo foi marcado
por uma vigília de petistas em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba.
Texto e imagens reproduzidos do site: huffpostbrasil.com
terça-feira, 12 de junho de 2018
Reunião histórica entre Kim e Trump
Trump e Kim apertam as mãos em encontro histórico
em Singapura (Foto: Reprodução)
O presidente dos EUA, Donald Trump,
gesticula ao falar com jornalistas ao lado do
líder da Coreia do Sul, Kim Jong-Un, no Capella Hotel,
na ilha de Sentosa, em Singapura, na terça-feira (12)
Foto: Anthony Wallace/Pool via Reuters
Kim Jong-Un e Donald Trump se cumprimentam
durante reunião ao lado de assessores,
em Singapura, na terça-feira (12)
Foto: Kevin Lim/The Straits Times via AP
Publicado originalmente no site G1 Globo, em 11/06/2018
Kim Jong-Un diz que 'mundo verá grande mudança' após
encontro com Trump em Singapura
Esta é a primeira vez que líderes dos EUA e Coreia do Norte
se reúnem. Acordo com quatro itens foi assinado e Trump disse que 'certamente'
convidará Kim para uma visita à Casa Branca.
Coreia do Norte e Estados Unidos decidiram deixar o passado
para trás e "o mundo verá uma grande mudança", segundo o líder
norte-coreano Kim Jong-Un, que nesta terça-feira (12) assinou uma declaração ao
lado do presidente dos EUA, Donald Trump.
Em um dos quatro itens do documento, Kim se compromete a
trabalhar pela desnuclearização completa da península coreana, reafirmando o
que foi determinado pela Declaração de Panmunjon, assinada em 27 de abril de
2018 pelas duas Coreias.
O conteúdo do documento foi considerado "bastante
completo" por Trump, que diz ter estabelecido uma ligação especial após a
assinatura. O presidente americano disse, inclusive, que irá
"certamente" convidar Kim a visitar a Casa Branca.
"Aprendi que ele é um homem muito talentoso que ama
muito seu país. É um negociador de valor, que negocia em benefício de seu
povo", elogiou.
O documento assinado por Trump e Kim consiste em quatro
pontos:
EUA e Coreia do Norte se comprometem a estabelecer relações
de acordo com o desejo de seus povos pela paz e prosperidade;
Os dois países irão unir seus esforços para construir um
regime de paz estável e duradouro na Península Coreana;
Reafirmando a Declaração de Panmunjon, de 27 de abril de
2018, a Coreia do Norte se compromete a trabalhar em direção à completa
desnuclearização da Península Coreana
Os EUA e a Coreia do Norte se comprometem a recuperar os
restos mortais de prisioneiros de guerra, incluindo a imediata repatriação
daqueles já identificados.
Encontro inédito
Pela primeira vez na história, líderes dos Estados Unidos e
da Coreia do Norte se encontraram pessoalmente para tentar chegar a um consenso
sobre o desmonte do programa nuclear e balístico da fechada ditadura comunista,
em troca de alívio econômico para o país hoje afetado por duras sanções. O
esperado e histórico encontro de Donald Trump e Kim Jong-un aconteceu na manhã
de terça-feira (12, horário local), em Singapura.
Os dois tiveram um primeiro encontro privado e depois
promoveram uma reunião ao lado de seus assessores. Em seguida, participaram de
um almoço ao lado de suas respectivas comitivas.
Após este evento, os dois líderes caminharam juntos e Trump,
em uma breve declaração a jornalistas, disse que o encontro estava sendo
"melhor do que qualquer um poderia esperar". Em seguida, ele mostrou
seu carro ao norte-coreano e manteve o que pareceu ser uma conversa amistosa
durante alguns minutos, antes de os dois se separarem e seguirem em direções
opostas.
O local do encontro foi o luxuoso hotel Capella, na ilha de
Sentosa, famosa por suas praias turísticas e seus campos de golfe
espetaculares. Singapura designou partes de sua região central como uma
"zona especial", onde os procedimentos de segurança estão mais
rigorosos. O espaço aéreo sobre a rica cidade-Estado está temporariamente
restrito durante partes dos dias 11, 12 e 13 de junho.
Quando se sentou ao lado de Kim, Trump disse ter esperança
de que a cúpula seria "tremendamente bem-sucedida". "Teremos um
ótimo relacionamento pela frente", acrescentou. O ditador norte-coreano
disse em seguida que havia enfrentado uma série de "obstáculos" para
o encontro. "Nós superamos todos eles e estamos aqui hoje", disse a
repórteres, por meio de um tradutor.
A reunião teve como tema o fim do programa de armas
nucleares e balísticas da Coreia do Norte, cujas ambições têm sido uma fonte de
tensão há décadas. Além do encontro de Trump e Kim, estavam previstas diversas
reuniões entre representantes dos dois países ao longo de cinco dias.
Os EUA, temendo o desenvolvimento de mísseis nucleares que
poderiam atingir o país, pedem a desnuclearização "completa, verificável e
irreversível" da Coreia do Norte. Como resultado, a Coreia do Norte pode
comprometer-se a apresentar um relatório sobre o atual arsenal e permitir uma
verificação internacional completa.
De sua parte, Kim Jong-un parece tentar salvar a economia
norte-coreana que vem sofrendo o impacto das sanções impostas pelos EUA e pela
ONU. Ele disse que deseja "avançar para uma desnuclearização da península
coreana", mas por meio de um processo "passo a passo", com
garantias de segurança e incentivos diplomáticos e econômicos.
Antes do diálogo, provocações
O inédito encontro entre os líderes dos Estados Unidos e da
Coreia do Norte ocorre, paradoxalmente, poucos meses depois do acirramento das
tensões entre os dois países.
Somente em 2017, primeiro ano de Trump na Casa Branca, os
norte-coreanos lançaram 23 mísseis. Em um deles, em novembro, a Coreia do Norte
anunciou ter testado um projétil capaz de alcançar "todo o território dos
Estados Unidos", segundo a emissora de TV estatal KCTV.
Em resposta, Trump anunciou sanções contra 56 empresas da
Coreia do Norte, que, segundo ele, significavam "as mais importantes"
já impostas a Pyongyang.
Trump também usou o Twitter para rebater as ações e os
discursos de Kim Jong-un. Após o ditador da Coreia do Norte dizer que tem
sempre à mesa um botão nuclear, o presidente dos Estados Unidos rebateu:
"Eu também tenho um botão nuclear, mas é um muito maior e mais poderoso
que o dele. E o meu botão funciona!"
Tensões se dissiparam
A tentativa de aproximação entre as coreias do Sul e do
Norte — aquecida, inclusive, pela união dos dois países na abertura da
Olimpíada de Inverno — levou, em abril, os líderes das nações separadas a um
encontro histórico em que ambos os lados discutiram a desnuclearização da
península.
Enquanto ocorriam as negociações para o encontro coreano.
Trump surpreendeu ao dizer que Kim Jong-un o havia convidado para reunião — e
que ele havia aceitado o convite.
Trump, que não participou do anúncio, comentou no Twitter.
"Kim Jong Un falou sobre a desnuclearização com os representantes
sul-coreanos, não apenas um congelamento. Além disso, nenhum teste de mísseis
pela Coreia do Norte durante esse período. Grandes progressos estão sendo
feitos, mas as sanções permanecerão até que um acordo seja alcançado. Reunião
sendo planejada!", escreveu.
Pouco tempo depois, o então diretor da CIA e atual
secretário de Estado americano, Mike Pompeo, viajou para a Coreia do Norte, onde
teve um encontro secreto com Kim Jong-un, mostrando um avanço nas relações
entre os dois países. Ele voltou de lá com três americanos que tinham sido
detidos por Pyongyang por suspeita de atividades anti-estatais.
Na carta divulgada nesta quinta, Trump agradece pela
libertação dos americanos: "Quero agradecê-lo pela libertação dos detidos
que agora estão em casa com suas famílias. Aquele foi um bonito gesto e foi
muito apreciado", afirma o presidente na carta.
Encontro quase não ocorreu
Porém, em maio, a Coreia do Norte suspendeu as conversações
de alto nível com a Coreia do Sul, citando como motivo exercícios militares
conjuntos de Seul com os EUA. O governo norte-coreano vê os exercícios como um
treino de invasão do seu território e uma provocação em meio à melhora de
relações entre as duas Coreias.
O regime de Kim Jong-un já tinha colocado em dúvida
realização da cúpula prevista com Trump. E, em 21 de maio, Trump disse que o
encontro histórico poderia atrasar ou não acontecer caso certas condições não
sejam cumpridas - embora não tenha explicados que condições seriam estas.
Trump, então, chegou a cancelar a reunião. "Estava
muito ansioso para me encontrar com você", disse o presidente dos Estados
Unidos em uma carta dirigida ao líder norte-coreano, que foi divulgada pela
Casa Branca.
"Infelizmente, com base na enorme raiva e hostilidade
aberta exibida em sua declaração mais recente, sinto que é inadequado, neste
momento, ter essa reunião planejada há muito tempo", afirmou.
A pressão dos Estados Unidos surtiu efeito. Menos de duas
semanas depois de cancelar o encontro, Trump voltou a confirmar a reunião para
12 de junho, em Singapura. O anúncio ocorreu após uma reunião entre o
republicano e o braço-direito de Kim Jong-un, Kim Yong-chol, na residência
oficial americana.
"Acho que provavelmente será um processo muito
bem-sucedido", afirmou Trump após remarcar a reunião.
Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com
Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com
sábado, 26 de maio de 2018
Fúria sobre rodas
Foto: Marcos Bezerra/Futura Press
Publicado originalmente no site da revista ISTOÉ, em 25 de
maio de 2018
Fúria sobre rodas
Por Carlos José Marques (Diretor editorial da Editora Três)
Um misto de chantagem, oportunismo e falta de
responsabilidade jogou o País no imponderável caos. Na boleia dos caminhões que
travaram as estradas Brasil afora um retrato dramático de quão frágil ainda
segue a nossa economia. Com o Governo acuado, nas cordas, refém de um Congresso
venal e a bordo de claras ambições eleitoreiras, havia muito pouco a fazer. E o
mergulho profundo numa espiral de anarquia e confrontos de rua pareceu
inevitável. O retrato desse descalabro foi mostrado ao vivo, todos os dias. Produtores
de laticínios e frigoríficos jogavam fora, por incapacidade de escoar, milhões
de litros e toneladas de mercadoria. Os bloqueios infernizavam a rotina
nacional. Nem vans levando oxigênio de uso hospitalar passavam. Postos
abarrotados de carros à espera de abastecimento. Aeroportos no limite do
colapso aéreo. Ameaças de escassez de suprimentos básicos em supermercados,
armazéns e farmácias. Sobre preços e ágios de toda natureza. A bagunça virou
tônica. O Brasil experimentou dias de Venezuela. Não poderia ser diferente em
um país onde 70% dos fornecimentos dependem do transporte rodoviário. É de
certa forma inaceitável assistir a uma nação inteira refém de uma categoria.
É também inconcebível que um cartel de distribuidoras – os reais articuladores por trás da paralisação – queira impor sua vontade, arrancando vantagens setoriais às custas do sacrifício da população. De outro lado, a política de reajustes dos combustíveis seguindo a variação do dólar, como ocorre em boa parte dos mercados mundo afora, carrega aqui um componente de injustiça. Cerca de 80% do consumo interno é atendido via produção local e a paridade com a moeda americana não deveria, por isso mesmo, servir de referência essencial. Nessa toada, o valor do diesel, para ficar no caso mais emblemático, cresceu cerca de 50% no ano, diante de uma inflação irrisória, praticamente inviabilizando a atividade de frete. O alerta sobre o perigo da situação foi feito diversas vezes e de maneira antecipada, sem que respostas eficazes e soluções saíssem. Apenas diante da desordem instalada autoridades trataram de dar agilidade às discussões. Faltou diálogo, faltaram planejamento e negociação. Restou o confronto.
No ringue do combate o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez as vezes de imperador que decreta de quem é a razão. Tratou de agir como dono do espetáculo. Mostrou cara feia e falou grosso. Parecia se deleitar com os devaneios do poder. Tal qual um César, de início somente admitiu discutir e avaliar os impostos em uma semana. Ou os grevistas aceitavam o prazo ou nada feito. Jogou literalmente querosene no fogaréu. Os articuladores reforçaram as trincheiras. Em 23 estados e no Distrito Federal quilômetros de fila eram formados por um comboio desgovernado, em perigoso protesto. Tiros, pneus furados ou queimados, paravam os motoristas à força. Diante do estrangulamento da malha rodoviária e da iminência do desastre, Maia se viu na obrigação de recuar na sentença. Perdeu a parada. Tratou o assunto à toque de caixa. Na verdade, o Parlamento não fez o mínimo necessário do seu papel para barrar a chantagem em curso. Lideranças dos caminhoneiros exigiram o imediato expurgo do PIS/COFINS até o final do ano, além da suspensão da CIDE. O achaque ganhou força.
O Senado capitulou. Teve de agendar às pressas uma reunião na última sexta-feira para votar o tema. A Petrobras, de sua parte, anunciou uma redução de 10% no preço do diesel, com duração de 15 dias. Era insuficiente para suspender o movimento. Pior: nas bolsas, as ações da empresa voltaram a ser bombardeadas. O trabalho delicado e competente de reerguer a companhia depois do desfalque gigantesco praticado pela quadrilha petista enfrentava seu maior teste. A fórmula de correções diárias das tarifas de combustíveis tem que ser inapelavelmente revista. Há severas distorções nessa política. O problema da volta atrás é o perigo de recaída no modelo populista, praticado na gestão Dilma, que quase quebrou a estatal. A bagunça generalizada que se viu por esses dias demonstra, tristemente, que o Brasil vai chegando arrebentado às próximas eleições. Existe um quase conluio de forças contrárias a sabotar o empenho de alguns poucos para a retomada do crescimento e normalidade de mercado.
Não deveria ser assim. O prejuízo dessa tática recai sobre todos – inclusive os sabotadores. A armadilha e torcida que opositores fazem contra as gestões de rearrumação propostas pelo governo, por exemplo, pode ter um troco caro, cobrado nas urnas por quem não aguenta mais tanta malandragem.
É também inconcebível que um cartel de distribuidoras – os reais articuladores por trás da paralisação – queira impor sua vontade, arrancando vantagens setoriais às custas do sacrifício da população. De outro lado, a política de reajustes dos combustíveis seguindo a variação do dólar, como ocorre em boa parte dos mercados mundo afora, carrega aqui um componente de injustiça. Cerca de 80% do consumo interno é atendido via produção local e a paridade com a moeda americana não deveria, por isso mesmo, servir de referência essencial. Nessa toada, o valor do diesel, para ficar no caso mais emblemático, cresceu cerca de 50% no ano, diante de uma inflação irrisória, praticamente inviabilizando a atividade de frete. O alerta sobre o perigo da situação foi feito diversas vezes e de maneira antecipada, sem que respostas eficazes e soluções saíssem. Apenas diante da desordem instalada autoridades trataram de dar agilidade às discussões. Faltou diálogo, faltaram planejamento e negociação. Restou o confronto.
No ringue do combate o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez as vezes de imperador que decreta de quem é a razão. Tratou de agir como dono do espetáculo. Mostrou cara feia e falou grosso. Parecia se deleitar com os devaneios do poder. Tal qual um César, de início somente admitiu discutir e avaliar os impostos em uma semana. Ou os grevistas aceitavam o prazo ou nada feito. Jogou literalmente querosene no fogaréu. Os articuladores reforçaram as trincheiras. Em 23 estados e no Distrito Federal quilômetros de fila eram formados por um comboio desgovernado, em perigoso protesto. Tiros, pneus furados ou queimados, paravam os motoristas à força. Diante do estrangulamento da malha rodoviária e da iminência do desastre, Maia se viu na obrigação de recuar na sentença. Perdeu a parada. Tratou o assunto à toque de caixa. Na verdade, o Parlamento não fez o mínimo necessário do seu papel para barrar a chantagem em curso. Lideranças dos caminhoneiros exigiram o imediato expurgo do PIS/COFINS até o final do ano, além da suspensão da CIDE. O achaque ganhou força.
O Senado capitulou. Teve de agendar às pressas uma reunião na última sexta-feira para votar o tema. A Petrobras, de sua parte, anunciou uma redução de 10% no preço do diesel, com duração de 15 dias. Era insuficiente para suspender o movimento. Pior: nas bolsas, as ações da empresa voltaram a ser bombardeadas. O trabalho delicado e competente de reerguer a companhia depois do desfalque gigantesco praticado pela quadrilha petista enfrentava seu maior teste. A fórmula de correções diárias das tarifas de combustíveis tem que ser inapelavelmente revista. Há severas distorções nessa política. O problema da volta atrás é o perigo de recaída no modelo populista, praticado na gestão Dilma, que quase quebrou a estatal. A bagunça generalizada que se viu por esses dias demonstra, tristemente, que o Brasil vai chegando arrebentado às próximas eleições. Existe um quase conluio de forças contrárias a sabotar o empenho de alguns poucos para a retomada do crescimento e normalidade de mercado.
Não deveria ser assim. O prejuízo dessa tática recai sobre todos – inclusive os sabotadores. A armadilha e torcida que opositores fazem contra as gestões de rearrumação propostas pelo governo, por exemplo, pode ter um troco caro, cobrado nas urnas por quem não aguenta mais tanta malandragem.
Texto e imagem reproduzidos do site: istoe.com.br
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