sábado, 24 de outubro de 2009

A Tecnologia a Serviço da Educação

Ferramentas como voz, mímica, escrita e os modernos recursos audiovisuais, fazem com que o homem se comunique, trocando informações e acumulando conhecimentos. Era de se esperar que vivendo na Era da Informática e dominando todos os meios de comunicação, o homem tivesse um melhor relacionamento e convívio. Mas isso, em parte, não vem acontecendo. Vários são os fatores que concorrem para os desentendimentos, sendo o principal a falta de diálogo. O ouvir e ser ouvido, como também o respeito às opiniões contrárias. Além disso, há as dificuldades de entendimento e compreensão de quem está recebendo as informações, pois para quem está passando, muito do que lhe parece óbvio não é para quem recebe. Para dirimir todas as dúvidas, é importante explicar e se certificar de que realmente o outro entendeu, fazendo um feedback. Sabemos que a sociedade é composta de um repertório cultural muito diversificado, devido a formação educacional, vivências, emoções e bagagem que cada um traz consigo. Nesse choque de cultura e informação, eis que a educação, principalmente as de adultos, no intuito de formar, reciclar ou mesmo da prática da educação continuada, vive um momento de grande transição e modernização, com a TV via satélite e a internet. Juntas vieram proporcionar avanços significativos e facilidades nunca vistos ao ensino médio e superior, com as aulas à distância, onde você pode assistir e interagir em tempo real, com professores de outros estados, na maioria mestres de grande gabarito. Oportunidade esta que seria difícil, levando em conta o custo da hora aula e do deslocamento dessas pessoas, se as aulas fossem presenciais, além da grande quantidade de alunos que são beneficiados. A interação à distância aluno/professor, vem ganhando cada vez mais confiança de ambas as partes, pela seriedade dos cursos e com a ajuda dos avanços tecnológicos. Outra vantagem são os preços mais acessíveis, beneficiando as classes menos favorecidas, que passam a ter oportunidade de realização de um sonho: ter um curso superior. Muitas escolas mesclam as aulas presenciais com a distância, se complementando. Mas um bom curso é o que empolga, surpreende, envolve, faz pensar, estimula idéias, pesquisas e novas experiências. E que além de bom conteúdo, tenha flexibilidade, com educadores, intelectual e emocionalmente maduros, sendo pessoas curiosas, abertas e entusiasmadas. Que saibam motivar e interagir, se preocupando com a realidade em que vivem os alunos, aproveitando exemplos regionais. E que no final do curso todos saiam enriquecidos.

Armando Maynard

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Fascínio das Bancas de Revistas & Jornais

Difícil é passar por uma e não entrar. Tudo começou com a Bomboniére Chic, administrada pelo saudoso Moacir, pessoa afável e educada. Ficava na Rua Laranjeiras, anexa ao Ponto Chic, (na época, famoso restaurante da cidade, onde hoje funciona a Delegacia do Ministério do Trabalho, na esquina com a Rua João Pessoa). Depois mudou-se para o primeiro trecho da Rua João Pessoa, no Calçadão, transferindo-se em seguida para a Rua Itabaiana, onde permaneceu até o seu fechamento. Considerada o ponto de encontro dos amantes da leitura, políticos e intelectuais, tinha sua maior frequência por volta das 16:30 h., quando chegavam os jornais do sul do país – isto quando não extraviavam, só chegando no outro dia. Nessa época o jornal de maior circulação era o Jornal do Brasil, acompanhado de O Globo e O Estado de S.Paulo e, por ocasião das diretas já, da Folha de S. Paulo, que começou a ter destaque no cenário editorial, pelo seu engajamento político, chegando a concorrer com o Jornal do Brasil em termos de aceitação. Um dos habitués da Chic era o Professor “Zé” Cruz, intelectual, muito conhecido dos Sergipanos, que dizia jamais fazer assinatura de um jornal, pois o prazer estava em ir pessoalmente pegar seu exemplar na Chic. Lá também poder-se-ia encontrar Erotildes, que brincava com quem comprava dois jornais, a Folha e o JB, e perguntava “como você vai ler tudo isso?”. Das revistas semanais da época, destacava-se O Cruzeiro já em seus últimos dias, massacrada pela sua concorrente imediata a revista Manchete, em seu auge, pois com a TV ainda precária e em preto e branco, o Sergipano via o Brasil e o Mundo pela Manchete, com suas fotos grandes e coloridas. Nas famílias, quando o pai chegava em casa com a revista, era uma disputa para ver quem ia ler primeiro. Por ocasião do carnaval era editada a Manchete Especial que fazia a alegria dos patriarcas da época, para ciúme das recatadas e pudicas esposas de nossa querida “barbosópoles”. Em 1968 surgia a revista semanal de texto - como era chamada - a Veja, que viria forçar o fim da revista Visão. Depois, outras surgiram como a Isto É e Afinal. Também se destacavam a Senhor e a Revista Geográfica Universal. Nesta época, uma revista de grande sucesso junto aos leitores foi Realidade, várias vezes apreendida pela censura, por ousadia de suas reportagens. Outra que sofreu muito com a falta de liberdade de expressão foi a Ele & Ela, revista de nus femininos, voltada para o público masculino, mas com textos muito bons sobre costumes e comportamento, educando muitos jovens em sua iniciação sexual, papel hoje feito pelas revistas voltadas ao público feminino, a exemplo da Cláudia. Na chic, pela manhã, encontrávamos os jornais locais: Gazeta de Sergipe de Orlando Dantas, Diário de Aracaju de Assis Chateaubriand, A Cruzada da Arquidiocese, Jornal da Semana de Hugo Costa, Tribuna de Aracaju de Ribeirinho, Jornal de Sergipe de Nazário Pimentel. Todas as bancas e lojas que vendiam revistas e jornais localizavam-se no centro da cidade, com a exceção da banca do Mini - Golfe. No centro, destacava-se a banca de Roberto que ficava em frente à Ponte do Imperador, sendo aos domingos ponto de encontro de amigos, mudando-se depois para a Pça. Fausto Cardoso. A Banca do Coelho, ficava em frente ao Cine Palace, na Rua João Pessoa, já Calçadão, pois quando da construção do mesmo, foram instaladas três bancas em cada trecho, todas padronizadas e feitas de vidro blindex. Uma banca muito visitada era a que ficava ao lado da Igreja São Salvador. Existia uma loja de revistas na rua Itabaianinha, próximo ao Cinema Vitória, que fazia parte do programa, ir ao cinema e na volta passar na mesma. Em formato de corredor, as revistas eram empilhadas, facilitando muito a escolha e manuseio. Surgiram depois as bancas da Livraria Regina, espaçosas e organizadas, que se espalharam por todo o centro. A mais famosa era a que ficava na Rua Laranjeiras, chegando à Rua da Frente. Nessa época as coleções de fascículos eram uma febre,como “A História do Século 20” e a “Enciclopédia Universo”, que, depois de completadas a coleção, eram entregues lá mesmo para encadernar. Hoje, as bancas encontram-se espalhadas por toda a cidade, oferecendo grande diversidade de editoras e revistas segmentadas, apesar da redução das tiragens, causadas pela opção da internet, forçando-as à uma adaptação ao novo tempo sem, contudo, deixar de exercer o fascínio ante o prazer de uma boa leitura.

Armando Maynard